15/08/16

Semente e Gente

Lançada à terra, a semente se mistura com água, ar e fogo [luz do sol] e, juntos, fazem nascer uma nova vida. Pra baixo, crescem raízes e pra cima, caule, primeiras folhas e – em seguida e a seu tempo – tronco, galhos, flores e frutos.

Claro que isto é um breve resumo do complexo nascimento e crescimento da árvore. Mas o suficiente pra dizer que o futuro tem a ver com o presente. O vir a ser da árvore depende do ambiente em que foi gerada: se favorável, adequado, protetor, tudo indica que ela vingou; caso contrário, ou desaparece ou cresce sem viço.

Vale dizer: sem condições propícias, a semente não consegue cumprir o seu destino. 

Com gente não é diferente. Não por acaso, o termo humano vem de húmus, o mesmo que matéria orgânica ou restos de  animais e plantas processados, entre outros, pela minhoca... Cada um de nós é uma das possíveis misturas de fogo, ar, terra e água.

Brotamos da terra. Nascemos do chão habitado pelos que vieram antes de nós. Crescemos e nos reproduzimos graças às mesmas forças que forjaram nosso nascimento. E morremos, pra junto com outros seres, gerar novas vidas. Da terra surgimos e na terra desaparecemos. Não viemos do além e nem vamos pro além.

Vale dizer: se o ambiente em que fomos gerados, assim como o ambiente em que geramos não for favorável, adequado e, sobretudo, protetor, o que podemos esperar de nós e dos que, através de nós, são gerados?

***

Diferente dos outros seres vivos que – não sofrendo intereferência humana –  surgem e desaparecem conforme um 'cronograma previsto', nós, os humanos, temos a faculdade de ser livres, de escolher nosso destino.

Ou melhor: ainda que a previsibilidade seja nada mais do que algo que os humanos atribuem aos outros seres, o fato é que sobre eles é impossível fazer qualquer afirmação. Certo ou incerto é 'tão somente' o que chamamos de certo e/ou incerto. O que afirmamos ser o mundo não necessariamente é ou pode ser o mundo.

Todavia, ao que parece, nascer, crescer, reproduzir e morrer são partes de uma grande trama, da qual ninguém, além de nós, são os autores, os diretores e os atores. Escrevemos, dirigimos e atuamos cada uma das narrrativas dessa trama. E porque somos livres, individual e coletivamente, somos os únicos responsáveis pelos enredos que dão rumo à nossa história. Nós decidimos o que queremos, podemos e conseguimos ser.

Então, inventamos ou adotamos personagens que dificultam e/ou, não raro, impedem que cumpramos o nosso destino, isto é, a possíbilidade de que tenhamos nascido para viver e morrer com a consciência de que, diferente dos outros seres, cada um saiba o seu próprio valor e, portanto, possa ser autor da própria história.

A liberdade de escolher o que fazer conosco e com os outros, entretanto, inconscientemente ou não, tem nos levado a cometer equívocos que, de fato, alteram o complexo nascimento e crescimento da semente e de todos os seres vivos, incluindo o humano.

Longe de criar um ambiente favorável, adequado e protetor – portanto, propício para a manutenção da vida –, o que estamos fazendo da gente tem contribuído para que plantas e animais, incluindo o humano, ou desapareçam ou cresçam sem viço.

07/08/16

Desde Olímpia

De acordo com certa historiografia, há cerca de 2500 anos, na ilha de Samos, Grécia, viveu um sujeito chamado Pitágoras.

Sobre sua vida e obra sabemos muito pouco: apenas fragmentos encontrados em textos escritos muitos séculos depois de sua morte.

A Pitágoras são atribuídas 'invenções' interessantes, dentre elas, a ciência Matemática e o termo Filósofo. Também seria dele uma consideração particularmente interessante: três tipos de pessoas compareciam aos Jogos Olímpicos sediados na ainda hoje famosa cidade grega Olímpia.

Além dos torcedores, compradores e admiradores dos outros iam à festa, diz ele, os comerciantes – que tinham interesse em fazer negócios, trocar informações etc, os atletas e artistas – lá estavam para competir e/ou pra se mostrar, exibir seus corpos, talentos, habilidades, apresentar suas pessoas e os filósofos – que pra lá se dirigiam com a intenção de assistir, observar e julgar, isto é, elaborar conceitos e emitir parecer racional e crítico sobre as coisas, as ações, as pessoas, os acontecimentos, a vida.

A maioria das pessoas comparecia aos jogos para comprar, torcer, admirar, competir e se exibir, mas alguns lá estavam movidos por outro interesse: saber o que significava tudo aquilo. Enquanto a maioria comparecia aos jogos pra negociar, se expor e se mostrar, alguns iam pra observar e dizer algo sobre o que viu.

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Desde Olímpia [e certamente muito antes dela], são poucos os que efetivamente se envolvem com o 'espírito olímpico'. Raros são os que se dispõem a celebrar ou comemorar, isto é, atender a um dos objetivos da festa: trazer à mente os feitos dos deuses para inspirar os homens. Se lembrarmos que os deuses nada mais são do que projeções do quanto podem ser 'perfeitos' os humanos, então os jogos seriam o grande momento do ocupar-se consigo mesmo.   

A história dos jogos desde Olímpia, todavia, mostra que estamos bem longe disso. Ainda hoje, o que faz a maioria das pessoas quando vai ao evento? O que, em geral, pretendem os que competem e exibem suas pessoas? Que sentido tem ser o vencedor desse ou daquele jogo?

Seguramente, são outras as motivações...

Negócios, competição, culto à personalidade, medalhas, fama etc fortalecem e enaltecem pessoas. Somados às muitas capas e máscaras acumuladas nos corpos e nas mentes, esses valores contribuem para enfraquecer e diminuir indivíduos. Ilusões, artifícios, enfeites etc são muito úteis para o cultivo da personalidade, mas quase fatais para a busca da individualidade. E o que era pra ser fonte de inspiração para os humanos, na realidade, leva pessoas a acreditarem que são mais e melhores que os outros.

Tinha e continua tendo razão o sujeito da ilha de Samos: a única coisa que nos diferencia, inclusive dos que são iguais a nós, é o exercício intelectual que possibilita – a cada um do seu jeito – entender, compreender e interpretar o mundo.

01/08/16

Boicote

Nem você, nem eu, nem o joão, nem a maria e nem o mané. Nenhum de nós consegue boicotar seja lá quem for.

Mesmo com toda vontade, interesse e disposição, ninguém boicota o outro. Por quê? Porque não é preciso. O pior e mais grave boicote já aconteceu.

Conforme os dicionários, boicote é uma ação ou um efeito. Exemplos: suspender os negócios ante alguma situação que desagrada – nas relações comerciais; não participar de atos públicos – em política; recusar o convite de alguém não comparecendo a um encontro ou evento – quando se trata das relações pessoais. Vale acrescentar que um dos sinônimos de boicotar é sabotar. Quem sabota o parceiro de negócios ou a manifestação pública ou os mais próximos tem interesse em dificultar, prejudicar ou danificar o outro.

Quando a pessoa escolhe/prefere/aceita sentir/pensar/fazer não o que quer/ consegue/pode, mas o que esperam/querem/cobram dela; quando a pessoa, tão frágil e distante de si própria, busca satisfazer e atender não as suas necessidades e sonhos, mas as necessidades e os sonhos dos outros; quando a pessoa se deixa levar não pelos seus próprios objetivos, interesses e rumos, mas pelos estabelecidos por qualquer outro... então, definitivamente, não é preciso que ninguém a boicote.

Muito antes de alguém 'fazer o serviço', ela já tomou todas as providências...

Em astrologia, aprendemos que lá onde está o Sol no mapa de nascimento de cada um de nós – o que nos faz acreditar que nascemos leoninos ou capricornianos ou geminianos ou escorpianos ou... – está a força que a natureza nos deu para nascer, viver, reproduzir e morrer com dignidade. É a área da vida em que cada um pode brilhar com a mesma intensidade da estrela.

Pode brilhar – observe bem – desde que, decididamente, cada um queira brilhar!

Ora, se a pessoa se boicota ou se sabota, isto é, se age contra si mesma, tudo o que faz é dificultar, prejudicar e danificar não o outro, mas a si própria. Ela impede vir à tona sua força e grandeza. Ela se desvaloriza. Ela se vê e se trata como algo sem importância, como alguém que não merece atenção e respeito. Não confia em si mesma. Despreza o brilho que nasceu com ela. Não aceita desafios...

Então, se a pessoa – tão desatenta e tão insegura – sente, pensa e age de modo oposto ao de quem cultiva a dignidade, isto é, tem consciência do próprio valor e, portanto, reconhece em si a capacidade de ser autor e diretor de sua própria história, tudo indica que ninguém, mais do que ela, é capaz de fazer algo pior e mais grave pra ela mesma.

Vale dizer: o que ela faz é exatamente o que faz o cara da foto que ilustra este texto.

24/07/16

Ignorância

Há algo que, realmente, nos caracteriza. Seu nome é ignorância.

[Caracteriza é o mesmo que distingue, define, torna único. Ignorância tem a ver com condição, estado ou comportamento da pessoa que carece de algo tão importante que a impede de ser humano.]

Mesmo sabendo que somos humanos – portanto, diferentes dos animais porque dotados de razão, isto é, capazes de somar 1+1 e entender que tudo tem antes, durante e depois – são muitos os que evitam e/ou não consideram o ato de pensar, principalmente o ato de pensar com a própria cabeça – ou seja, o mesmo que pesar, ponderar, raciocinar, portanto, ação individual, introspectiva e crítica.

Ou é por acaso que muita gente pensa e age conforme os outros dizem? Não percebe que se desrespeita, quando reproduz falas que atendem às necessidades e sonhos deles? Não se dá conta de que trai a si mesma, quando valoriza algo que pode conflitar ou até ser avesso às suas próprias carências e projetos?

Contribue para esse equívoco, tão comum e recorrente, toda e qualquer instituição que, mesmo quando [supostamente] bem intencionada, prioriza a pessoa e não o indivíduo.

Como assim?

Em geral, instituições como família, escola, mundo corporativo, mídia, igreja... estão pré-ocupadas com quem, para sobreviver, se veste e se apresenta com capas e máscaras a fim de atender os seus interesses. Então, pegam pesado, exigem, cobram, dificultam, proibem, penalizam ou simplesmente excluem quem busca mover-se por conta própria. Exemplos não faltam, e qualquer um de nós tem muito o que dizer sobre isso.

Convém lembrar, todavia, que contribuir não é determinar ou definir. Exemplo: não é porque a mídia atua 24 horas por dia 'fazendo a cabeça' da população que ela tem o poder de decidir a vida de milhões de habitantes. Ela influencia, insiste, convence etc., mas quem decide aceitar e comprar o que ela oferece é quem, antes, já se ofereceu a ela como comprador.

Vale dizer: qualquer instituição contribui, mas não determina. Até porque, como sabemos, qualquer contribuição, no fundo, revela algum interesse quem apoia quer algo em troca, afinal, contribuir não é outra coisa senão manter tudo como está. Por outro lado, aceitar alguma 'ajuda' não significa, necessariamente, submeter-se ao zeloso dispensador de apoio aos mais fragilizados.

Somente você e eu decidimos
o queremos, podemos e conseguimos ser. 

Ninguém, a não ser o eu, define o que quer para si mesmo. A ninguém, a não ser o eu, pode ser atribuída a responsabilidade sobre a minha ou a sua condição existencial e social.

Dos aspectos da ignorância, o que me parece mais interessante, sério e comprometedor é justamente o comportamento da pessoa, porque ele expressa, torna público e viraliza o que resulta de uma decisão interior: entre ignorar ou saber de si, a pessoa resolve não se distinguir, não se definir, não tornar-se único. Ela se recusa a pensar e agir pela própria cabeça. Ela se desrespeita e trai a si mesma. Ela se des-humaniza e, mais que isso, se des-hominiza.

21/07/16

Animal político

É de Aristóteles a ideia de que todos os animais são dotados de voz e expressam sentimentos como dor e prazer, mas que os humanos, diferentemente deles, falam. Dotados da palavra, além de expressar sentimentos, elaboram pensamentos e dizem o que pensam. E porque pensam e falam, são animais políticos: conseguem pensar e dizer e defender ideias sobre o que querem para si mesmos e para os outros – tanto é  que inventaram a cidade, um jeito de viver juntos e, portanto, juntos decidirem os seus destinos.

Ou seja, porque pensam e falam, e porque são políticos, ninguém [deuses ou algo que o valha], a não ser eles próprios, é responsável pelo tipo de vida que levam.  

E o que é ser animal político? É ser capaz de viver de modo coletivo – apesar das diferenças individuais que, como bem sabemos, não são poucas. É ser capaz de evitar todo e qualquer tipo de violência, uma vez que fazer uso da capacidade de falar torna injustificável qualquer forma de agressão física, por exemplo – diferentemente, portanto, dos outros animais que, não podendo falar, latem, rosnam, arranham, picam, mordem... e, se necessário, matam. Ser animal político é usar a razão em vez da força bruta. 

Usar a razão é exercitar a palavra, isto é, pensar antes de dizer, isto é, ponderar e raciocinar sobre o que vai ser dito, isto é, considerar os possíveis efeitos e desdobramentos de algo que, até ser tornado público, é totalmente uma questão interna do indivíduo. Fazer uso da razão é o que, efetivamente, nos diferencia dos outros animais. Graças a ela, cada um de nós é o que quer ser, pode entender-se e entender o outro e consegue conviver até mesmo enfrentando situações difíceis. Sem o exercício da palavra, seríamos qualquer outra coisa, menos humanos e políticos.

Bem boa a ideia de Aristóteles: engrandeceu o humano, colocando-o num lugar privilegiado no reino animal! Legal mesmo ele afirmar que os animais humanos são políticos porque conseguem expressar o que sentem e falar o que pensam e o que querem!

O que faltou – e continua faltando – é os humanos saberem disto, já que uma significativa parte deles age como quem nada tem a ver com humanidade e nem com política: recusa-se a pensar com a própria cabeça, repetindo o que qualquer outro mandou e utiliza-se da força bruta para impor o que bem entende, atacando e matando mesmo sem necessidade.

Vale dizer: dotado de voz, quando muito, expressa alguma dor e algum prazer; dotado de fala, quase sempre fere e mata sem dizer; sente e pensa, mas dificilmente assume a responsabilidade pela vida individual e coletiva.

Animal político esquisito, não?

18/07/16

Ideias de jirico

Ideias como 'sociedade' e 'cultura' superior ou melhor ou mais forte que outras são demasiado comuns em nosso meio e, não raro, encabeçadas por experts em remedar os 'mais cultos'.

Na melhor das hipóteses, este é mais um equívoco de alegrinho - gente que não pensa com sua própria cabeça e se contenta em reproduzir as ideias dos colonizadores antigos e atuais. Na real, é ignorância e submissão à ousadia e à violência de quem impõe sua visão de mundo.

Ora, falar em 'cultura' e 'sociedade', entre outros, é abordar termos vazios que, a rigor, não existem. O que existe são modos de ser, de sentir, de pensar e de agir essencialmente diferentes entre si. O que existe são grupos sociais reais vivendo nos mais distintos lugares e indivíduos reais partilhando seus variados modos de viver nos grupos que integram.

Esses indivíduos e grupos podem apresentar traços biológicos/psicológicos/sociais parecidos, podem habitar espaços comuns e até falar a mesma língua mas, definitivamente, não são iguais. Não a ponto de uns e outros afirmarem que há, por exemplo, 'identidade cultural' americana, africana ou seja lá qual for. Ou então defenderem a ideia de 'sociedade' brasileira, chinesa, egípcia, guatemalteca e outras. A não ser do ponto de vista 'político' – termo que, na prática, como bem sabemos, significa interesses específicos de grupos igualmente específicos – que sentido tem falar em 'sociedade'? Quem de nós se associou com quem?

O que somos, isto sim, são inúmeros indivíduos e grupos passíveis de convivência social. Passível quer dizer capaz de estabelecer relações com outros indivíduos e grupos, de co-laborar com eles, de com-partilhar a existência, de trocar informações, ideias, serviços e produtos – o que não quer dizer que esse ou aquele grupo ou indivíduo precisa ou queira ou deva conviver com quaisquer outros.

Afirmar, então, a ideia de 'cultura' ou é, imbecilmente, ignorar a diversidade que nos caracteriza ou, docilmente, submeter-se a quem se diz superior ou melhor ou mais forte. Do mesmo modo, afirmar a ideia de 'sociedade' ou é, passivamente, aceitar quem se impõe pela violência ou, estupidamente, ignorar que 2 é igual a 1 mais 1.

03/07/16

Dois pontos

Expressar o que sente e pensa é direito humano: não depende da aprovação desse ou daquele indivíduo, grupo social ou instituição.

Mas isto não quer dizer que é dever humano dar atenção a quem quer se expressar: direito de um não implica dever do outro.

Convém, então, exercitar o diálogo e estabelecer relações que favoreçam a convivência social: divergir não é discordar.

23/06/16

Lidar com a vida

De fato, estamos longe da vida boa, bela e justa, há milênios sonhada e fartamente apregoada no mundo ocidental.

De fato, não sabemos lidar nem com a vida em geral, nem com a vida dos outros - sobretudo os mais próximos e, em especial, os que dizemos que amamos -  e, menos ainda, com a nossa vida individual. 

Ora, se a pessoa não sabe e nem procura saber dela mesma; não se conhece e nem buscar se conhecer; não cuida de si, isto é, não se respeita [respeitar é prestar atenção] e não se ama [amar é gostar de estar perto]... então, como ela consegue saber, conhecer, respeitar e amar o outro?

Ora, se o outro não é visto e tratado como o 'outro que é', mas como complemento ou inferior ou superior ou competidor, portanto, como continuação, falta, menos ou mais do que a pessoa sente e pensa de si mesma... então, como ela e o 'outro dela' vão lidar com o social, a economia, o político?

Ora, se elementos como sociedade, economia e política são importantes para a vida coletiva mas, como se vê, resultam de relações tão ruins entre pessoas que se veem e se tratam como inimigos... então, é claro que este tipo de convivência social que mantemos não faz bem a ninguém.

Tudo indica que a vida – pra ser boa, bela e justa – exige que você e eu aprendamos a lidar com ela não com sonhos e discursos, mas com intensidade e alegria – o que, de fato, só se consegue quando deixamos de ser pessoas [personagens] e optamos por ser indivíduos [seres únicos e indivisíveis], ou seja, exatamente o contrário do que interessa a este tipo de convivência social que insistimos em manter.

19/06/16

As 12 casas

Para a astrologia, o mapa do céu é dividido em 12 casas. Cada uma delas diz respeito a uma área da vida.

O desafio [desfiar os fios e os nós] é entender uma por uma, as relações entre elas e delas com os signos e os planetas, assim como as relações entre eles nessa e/ou naquela casa.

Nada fácil e simples mas, justamente por isso, chama tanto a nossa atenção.

De que tratam?

  • casa 1 - o Eu que se mostra
  • casa 2 - ganhos e coisas materiais
  • casa 3 - comunicação e relações próximas
  • casa 4 - o passado na mochila
  • casa 5 - criatividade, prazer e alegria
  • casa 6 - o trabalho, o dia a dia e a saúde física e mental
  • casa 7 - tipos de parceria
  • casa 8 - perdas, sexo e morte
  • casa 9 - ideias e longas viagens
  • casa 10 - profissão e desafios futuros
  • casa 11 - o outros na vida, amigos e conhecidos
  • casa 12 - o Eu interior

Modalidades

  • casas 1, 4, 7 e 10 formam a cruz da vida, essencialmente marcada pelos signos Cardinais Áries, Câncer, Libra, Capricórnio; regidas por Marte, Lua, Vênus, Saturno, representam os elementos Fogo, Água, Ar e Terra; chamadas de 'casas angulares', têm a ver com a energia vital empregada pra cada um sobreviver, crescer e seguir adiante na empreitada da vida
  • casas 2, 5, 8, 11 falam da estabilidade dos enraizamentos dos signos Fixos Touro, Leão, Escorpião, Aquário, que são regidos por Vênus, Sol, Plutão, Urano, representando Terra, Fogo, Água e Ar; são chamadas de 'casas sucedentes'
  • casas 3, 6, 9, 12: como 'casas cadentes', enfraquecem a ação iniciada nas 'cardinais' e fortalecida nas 'sucedentes'; são dos signos Mutáveis Gêmeos, Virgem, Sagitário, Peixes, regidas por Mercúrio, Mercúrio/Kíron, Júpiter, Netuno e representam Ar, Terra, Fogo e Água

Elementos

  • casas 1, 3 e 9 - corpo, alma, mente/espírito: Fogo
  • casas 2, 6 e 10 - posses, ocupação, reconhecimento público: Terra
  • casas 3, 7 e 11 - irmãos/parentes/vizinhos, associações/relacionamentos íntimos, amigos/relacionamentos sociais: Ar
  • casas 4, 8 e 12 - morte física, transformação morte/vida, fim do que escolhemos sentir, pensar e agir: Água

Ativas e Passivas

  • chamadas Ativas, as casas  1, 3, 5, 7, 9, 11 nos lançam pro mundo
  • chamadas Passivas, as casas 2, 4, 6, 8, 10, 12 dizem da nossa participação nas ações dos outros

Dia e noite

  • casas 1, 2, 3, 4, 5 e 6 são consideradas Noturnas: como o Sol [individualidade] não está visível, são a base para, mais tarde, ele brilhar; de uso pessoal e privado, baseiam-se nas emoções e nos sentimentos
  • casas 7, 8, 9, 10, 11 e 12 são consideradas Diurnas: de uso social e público, têm a ver com mundo do trabalho, carreira e status; têm como base interesses sociais e profissionais

Não por acaso, a astrologia é uma das mais antigas formas de conhecimento que o homem inventou e, há milênios, vem elaborando. Também não por acaso,  há algum tempo, eu também venho mergulhando nesta invenção.

13/06/16

Uma pergunta

Tendo em vista o cenário – certamente construído por quem veio antes de nós, mas mantido e atualizado por nós – no qual atuamos como personagens de tantas histórias – certamente não inventadas por nós e nem por nós dirigidas – que somente recebem os aplausos do público se cumprirem direitinho o roteiro escrito, aprovado, testado e comprovado;


considerando que a platéia é formada sobretudo por crianças – que, como tal, precisam ver e aprender conosco o modo como sentimos, pensamos e agimos para, então, decidirem o que farão com suas vidas – é urgente e necessário fazer uma pergunta: 

é possível ser humano num sistema regido pelo
signo do deus-cifrão?


Observe

Grande parte das pessoas é, de fato, ignorante, isto é, ainda não tem informação suficiente sobre o modelo econômico que sustenta esse tipo de convivência social. Não entende e nem busca entender, por exemplo, o que faz com alguns sejam tão ricos enquanto a maioria é pobre. Não consegue ligar os pontos: se há riqueza, então há pobreza; se há miséria, então há luxo; se há quem acumula algo, há quem fica sem parte dele... 

  • A ignorância, além da falta de informação, é uma forma de comodismo. Comportar-se de modo a deixar tudo como sempre esteve, afastar-se e não assumir qualquer responsabilidade é uma estratégia sempre certeira, tanto para o ignorante quanto para o 'ilustrado'.

Outra parte, devidamente informada sobre como as coisas funcionam, aceita fazer parte do jogo – mesmo sabendo de antemão quem é vencedor e quem é perdedor. Parece convencida, por conveniência, de que não vale a pena qualquer alteração no modelo. Egoísta, não quer correr o risco de perder o pouco que acha ter conseguido submetendo-se, por exemplo, a um emprego que, ainda que lhe renda salário, não lhe dá nenhuma satisfação pessoal, profissional e... econômica.

Alguns tentam não entrar no campo de jogo – e, não raro, pagam caro. Não aderem às regras do mercado de trabalho, evitam o consumismo, buscam o que se convenciou chamar 'vida simples'. E pagam caro porque tentam viver no mesmo espaço em que a maioria está munida de instrumentos e técnicas que primam por não aceitá-lo e respeitá-lo, mas vencê-lo. É o caso, por exemplo, de alguém que se recusa a  vestir-se como todos do seu grupo, ir aos mesmos lugares que eles, ouvir a mesma música que ouvem, enfim, evita sentir e pensar e agir como os que lhe são próximos sentem, pensam e agem.

Sendo assim

Querendo ou não, conscientes ou não, gostando ou não, o fato é que mantemos um jeito de convivência social em que ser humano tem pouco ou nenhum valor. O que realmente importa é que você e eu sejamos alunos, estagiários, funcionários, empregados, crentes, pacientes, clientes, destinatários, profissionais, sócios, consumidores, cidadãos.

Pra isso somos preparados, aguardados, reconhecidos e remunerados. Se formos coisas-que-fazem-coisas, tarefeiros que obedecem ou mandam, objetos de uso e de troca seremos, então, somos aplaudidos. Caso contrário, somos algo que definitivamente não convém.

A família gera, a escola prepara, a midia incentiva, e empresa enriquece, a igreja abençoa e o estado agradece. 


Mas quem está ocupado em ser humano?