19/02/2017

Convite

Car@s!

Este vídeo é um convite para o Curso Livre de Filosofia do INSTITUTO GENS, do qual sou um dos responsáveis.

Se puderem participar, será um prazer a gente se conhecer e/ou se reencontrar!

Sou muito grato também se puderem compartilhar esta informação com amig@s, colegas de trabalho...





Todas as informações estão disponíveis aqui: goo.gl/QzDyGh e o formulário de inscrição, aqui: goo.gl/9GQAxN

31/01/2017

Conhece o Busiris?

Claro que conhece!

Talvez não com este nome, mas você conhece. Diria até que você sabe muito bem quem é ele... ou ela. Mais ainda: é possível que você @ tenha [ou teve] como alguém que merece [ou mereceu] toda sua confiança. Tanto é que acredita [ou acreditou] bastante nele ou nela. 

Talvez dedique tempo, dinheiro e, sobretudo, se dedique [ou se dedicou] ao que el@ sempre quis e quer de você.

Busiris é o nome de um dos tantos personagens das narrativas míticas dos aedos ou cantadores de grandes feitos humanos na antiguidade grega. Eram o que chamamos hoje de contador@s de histórias.  

O tal Busiris seria filho de Netuno, rei no Egito. Em suas terras, as pessoas passavam fome porque não chovia há muito tempo. Teria ele sido informado, então, que, se matasse os estrangeiros, as terras voltariam a produzir alimentos e, assim, estaria resolvida a difícil situação em que vivia seu reino. Assim, procurar e matar qualquer um que não tivesse nascido em suas terras era o que mais Busiris fazia.

Nesse contexto se deu uma das façanhas de Héracles [ou Hércules, como é mais conhecido]. Ele encontrou ou foi encontrado por Busiris, que também era conhecido pela sua habilidade de enganar as pessoas, apresentando-se e falando como se fosse um sábio. Teria ele dito a Héracles [um estrangeiro em suas terras] que era conhecedor da verdade correta, que tinha respostas às suas perguntas e que, se Hércules ficasse com ele e o seguisse, seguramente estaria no caminho certo... e blá, blá, blá…

Héracles caiu na sua lábia, aceitou o que ele dizia e fez tudo o que ele mandou. Apaixonou-se pelo rei enganador a tal ponto que, sem perceber, foi amarrado e mantido preso por Busiris. Após um tempo, Héracles começou a entender o que estava acontecendo e, então, rompeu as amarras que o prendiam, pegou o rei pelo pescoço e o colocou no mesmo lugar em que havia sido acorrentado. Foi embora e deixou o enganador preso.  

Ou seja, ao acatar a fala de Busiris, Hércules apenas ouviu. Deixou de escutar. Não prestou atenção no que ouvia, não processou a informação, não questionou as respostas que o rei enganador dava às sua perguntas. Vale dizer: Héracles acreditou na lorota e no lero-lero de Busiris, e parou de pensar por si mesmo. Ao invés de investigar por conta própria e agir de acordo com suas conclusões, correndo os riscos de se equivocar e aprender com seus erros, preferiu acreditar e confiar justamente naquele que não tinha outro interesse a não ser acabar com ele.

Felizmente, Héracles percebeu a enrascada em que se metera e agiu rapidamente: desvencilhou-se de quem e do que o prendera, lutou com quem o enganara e o deixara amarrado em suas próprias correntes no mesmo lugar que ocupara. E mais: caiu fora. Afinal, não havia motivo algum pra dirigir a palavra a quem estava unicamente interessado em usá-lo para resolver pendências que não conseguia dar conta sozinho.

E então? conhece ou não conhece o tal Busiris? É difícil reconhecê-lo na família, na escola, na igreja, na empresa, na rua, na mídia...?

O fato é que, em geral, estamos buscando fora de nós mesmos as respostas às nossas perguntas. Ainda não percebemos que tudo é de dentro pra fora, que conhecimento não se adquire. Quantos de nós entendemos que o que é realmente importante a gente aprende, mas ninguém ensina?

A propósito, veja uma cena do episódio 17 da quarta temporada da série Vikings. Tudo a ver!

video



  

23/01/2017

Héracles e seus crimes

Vale considerar o aspecto punitivo das Façanhas de Héracles, mesmo sabendo que a origem de sua trajetória tenha sido definida por Hera, que tudo o que queria era acabar com ele.
‘De fato’, possuído pela loucura, ele matou seus filhos e, para se redimir, submeteu-se a 12 trabalhos impossíveis de serem realizados. Mas saiu vitorioso em todos. 

Observe:
  • sempre atuando juntas, 3 três divindades puniam crimes contra a família, a sociedade e a moral:  Aleto [a que não deixa esquecer], Tisífone [a que uiva e berra, não deixando dormir] e Megera [a que divide]
  • chamadas de Erínias [o mesmo que perseguir com furor], conhecidas como as Fúrias, eram aladas, usavam chicotes, tochas de fogo, tinham o corpo coberto de serpentes, e o que tinham de fazer era executar a vingança divina
  • percorriam a Terra atormentando os mortais culpados de ações que haviam perturbado a ordem, provocando remorso e angústia sem fim
  • agiam também no mundo subterrâneo, torturando almas por terem cometido crimes de impiedade [falta de respeito aos deuses] e perjúrio [falso testemunho]
  • junto delas atuava também Nêmesis, que tinha como objetivo recompor o equilíbrio universal quando ocorria um descomedimento [ou hybris]: enquanto as Erínias perseguiam o culpado, Nêmesis fazia com que ele, embora sofrendo, voltasse para onde jamais deveria ter saído

Penso que os ‘trabalhos de Hércules’ são uma busca de compreensão do ser humano. Os caminhos que ele percorre – decorrentes da punição por crime contra a família, a convivência social e a moral – o levam para o lugar de onde veio: o mundo humano.

Aprender a ser humano é o grande desafio.

Hércules entende que é humano, compreende o que isto significa e o interpreta, isto é, decide o que fazer da vida. Busca o conhecimento de si, do outro, do mundo e assume responsabilidades perante aos outros. Suas façanhas o conduzem no sentido de aprender a viver com e para a humanidade, de deixar a condição de animal para se fazer humano.

14/01/2017

Imagens dos 12 signos

Caso ainda não conheça, sugiro que dedique um tempo a cada uma das imagens abaixo.  São criações especiais de um pintor holandês chamado Johfra Bosschart, que viveu entre 1919 e 1998.

Mitologia e Astrologia são as áreas que, de acordo com os estudiosos de sua obra, ele explora na maturidade. Nos anos 1974 e 1975 ele produziu uma série de pinturas sobre os 12 signos do zodíaco. Suas obras têm a ver com estudos de psicologia, religião, referências bíblicas, astrologia, antiguidade, magia, feitiçaria, mitologia e ocultismo.

Leia o que ele diz sobre esse trabalho em 1981: 
  • "Quando recebi a incumbência de pintar pôsteres dos doze signos astrológicos da Verkerke produções, em 1973, eu sabia que seria inútil adicionar ainda mais exemplos para as muitas centenas de representações que já existiam. Então eu decidi fazer emergir todas as possíveis facetas dos signos através de uma breve meditação e contemplação da figura básica, a qual se torna o principal ponto de concentração. Os diversos símbolos relacionados a um determinado signo, reunidos juntos em uma composição harmoniosa, dariam a cada pintura mais profundidade; eles ofereceriam mais possibilidades ao observador para suas próprias livres associações."

Vale parar e contemplar, principalmente porque tod@s nós temos todos os signos em nossa carta natal. Então, deleite-se!!!












03/01/2017

Mito, razão e autoconhecimento

As narrativas fantásticas - ou mitos - que a humanidade inventou e inventa no decorrer da história buscavam e buscam compreender de onde viemos, o que estamos fazendo aqui e para onde vamos.

São uma forma interessante que conseguimos elaborar na tentativa de explicar e entender a nós mesmos e o tempo em que vivemos. Estudá-las, portanto, é mais que exercitar a natural curiosidade que nos caracteriza. Compreendê-las é uma necessidade, posto que falar sobre elas é dizer de cada um de nós.

público
Especialmente destinado a jovens e adultos, os encontros tratam com profundidade uma série de temas importantes para quem está em busca e/ou já envolvido em processos de busca do conhecimento de si mesmo ou de individuação, conforme Jung.

objetivo
Estabelecer relações entre a trajetória do herói grego e os doze signos.

conteúdos

controle da mente
natureza dos desejos
conhecimento de si próprio
desenvolvimento da intuição
aprender a utilizar o poder e a coragem
consciência de si mesmo
compreensão/integração: equilíbrio dos opostos
controle e superação dos desejos
fim das tendências: uso do pensamento destrutivo
elevação da personalidade
serviço de limpeza e purificação com água
transcendência da animalidade

duração
12 horas divididas em 4 encontros de 3 horas cada

coordenação
Donizete Soares, professor de filosofia

responsável
INSTITUTO GENS [desde 1988]

inscrições
clique aqui

dia 10 de janeiro, terça, apresentação gratuita do curso

O curso acontecerá nos dias 17, 19, 24 e 26 de janeiro, das 19h30 às 21h30

31/12/2016

Lua, oh! lua!


...tu que vagas por muitos lugares sagrados e és objeto de tantos ritos diferentes — tu, cuja luz feminil ilumina os muros de todas as cidades, cuja radiância nebulosa embala as bem-aventuradas sementes sob o solo, tu que controlas o curso do Sol e o próprio poder de seus raios — eu te imploro, por todos os teus nomes, todos os teus aspectos, todas as cerimônias em que condescendes em ser invocada... dá-me repouso e paz…”  
[Lúcio Apuleio, escritor romano – século II d.C]

Quando observamos a Lua na carta de nascimento, encontramos muitas informações preciosas. Dentre elas:
  • a lua funciona como algo que recebe tudo o que vivenciamos; tudo converge para o ‘útero da Lua’ ou, quisermos, para a memória: tudo o que vivemos e nos lembramos de agradável ou nem tanto está guardado no que podemos chamar de ‘caldeirão da deusa’
  • a lua representa nossos sentimentos, hábitos, coisas que fazemos sem pensar; o sub e o inconsciente pessoal carregado de padrões de sentimentos e ações que, em geral, dirigem o que sentimos e como agimos no presente
  • a lua simboliza a mãe, a mais importante relação sentimental que experienciamos
  • a lua tem a ver com o útero, o modo como fomos criados no início da vida e, portanto, com o amor que recebemos ou deixamos de receber, em especial, da mãe
  • a lua nos diz sobre a primeira parte de nossas vidas
  • a lua refere-se à formação dos instintos inconscientes que, sabendo ou não da existência deles, regem nosso comportamento
  • a lua representa a rede de sentimentos inconscientes
Observá-la, compreendê-la e, sobretudo, interpretá-la contribui – e muito – para o conhecimento de nós mesmos.

24/12/2016

O mito Jesus

Comemoração é o mesmo que ação de um grupo de pessoas que, juntas, re-lembram um fato importante. O nascimento de Jesus é um deles.

O que leva o grupo dos cristãos a se lembrar dessa data é o natal ou nascimento de um homem que, depois de saber de si e de constituir-se como indivíduo, foi capaz de doar sua própria vida em favor dos outros. Ou seja, a certeza de que houve alguém que desenvolveu a capacidade de pensar e agir para além de si mesmo.

Teoricamente, esta é a razão pela qual muita gente comemora o natal de Jesus. Ou melhor, seria este o motivo que levaria as pessoas fazerem festa, já que de uma forma ou outra são tocadas pelas ideias e ações daquele homem.

Seria e levaria, mas não é. E não porque eu não queira ou ache que não é. Não é porque, em geral, o que sabemos e vemos são pensamentos e ações totalmente opostos ao que disse e fez o aniversariante.

A história comprova que, desde o surgimento do cristianismo – ou conjunto de ideias e ações que serve a interesses econômicos, políticos, sociais e culturais muito mais que a interesses religiosos –, o ideal ‘doar a própria vida em favor dos outros’ sequer é ao menos lembrado. Tudo indica que seus líderes e seguidores que, em geral, decoraram essa ou aquela passagem de sua vida, não se lembram da mais importante – e revolucionária – mensagem.

Há algo mais perverso, por exemplo, do que justificar a escravidão de milhões de negros durante séculos no Brasil? De dizer que, como não tinham alma, era permitido que fossem espoliados, maltratados e mortos? E os inúmeros casos de pedofilia comprovadamente praticados pelos padres e congêneres? E a mercantilização das igrejas atuais, que vivem de vender missas, batizados, bençãos, cd’s, shows e outros serviços? O que, afinal, coisas como essas têm a ver com o nascimento do Jesus?

É inevitável constatar mas, a rigor, não há sentido algum comemorar o natal. Sei que é pesado dizer isto mas, a não ser pra reunir a família e os amigos – o que, a princípio, é sempre bom e saudável – pra que serve essa ‘festa’ se, de fato, não há o que comemorar? Comer, beber, atualizar fofocas e lembrar ‘coisas engraçadas’ que aconteceram preferencialmente com os outros, em especial, os que eles se deram mal – é isto o que tem pra ser comemorado?

Infelizmente, ainda estamos longe da real possibilidade de fazer de nossas vidas um serviço a quem quer seja. Ainda olhamos, pensamos e agimos muito em função do que esperam e querem de nós mesmos – o que, certamente, não tem nada a ver com o que pensamos e queremos pra nós mesmos.

Em outros tempos, e assim como em outras culturas, celebrar o mito era e é uma forma de cada um se fortalecer e, ao mesmo tempo, fortalecer o outro pra que, juntos, dessem e dêem conta da força e da coragem que tinham e têm pra serem senhores de si mesmos para, então, caso fosse ou seja necessário, doar a própria vida pra que o outro viva.

10/11/2016

E sua vocação, qual é?

La aurora, 1885 by Camille Claudel
Vocação quer dizer chamado; vem do latim 'vox', o mesmo que voz, grito, fala. Mas não chamado de alguém, como deus, família, 'sociedade' ou mercado. Vocação não é chamado de fora pra dentro. Não tem a ver com profissão e nem com fazer algo para o outro, a fim de favorecê-lo ou 'ajudá-lo'.

Esta ideia equivocada, aliás, é uma daquelas que serve, isto sim, para a pessoa fugir do que, inevitavelmente, todos nós ouvimos de nós mesmos desde a mais tenra idade: 'por quê e pra quê você nasceu?', 'o que você está fazendo aqui?', 'que sentido tem a sua vida?'.

Vocação tem a ver com chamado interior, de mim para mim, de você para você. É o mesmo que ouvir-se e prestar atenção em si mesmo. Atender a esse chamado é dar conta de uma necessidade interna, isto é, dar atenção a uma carência [algo que falta] que é somente minha, sua, de cada um. Ou seja: ouvir o chamado interior é atender a uma necessidade individual, é atender a um chamado de dentro pra fora. Somente assim será possível, então, ouvir e atender aos apelos do outro, seja ele quem for.

Caso você e eu não atendamos à nossa vocação, podemos até ganhar dinheiro, fama, reconhecimento... mas nas poucas vezes em que nos encontrarmos conosco mesmos, é bem possível que não seja algo bom. Sim, porque atender ao que os outros querem, responder ao que eles perguntam, servir aos interesses deles, seguramente, deixa qualquer um aparentemente realizado, rico, famoso... mas simplesmente insuportável na convivência diária justamente com quem, supomos, sejam as pessoas que mais amamos. E o que é pior: profundamente infeliz.

***

A leitura, compreensão e interpretação do mapa astral dá pistas pontuais sobre quem somos, de onde viemos e, se quisermos, pra onde podemos ir. Indica áreas da vida em que somos potencialmente fortes pra agir e outras nem tanto. Sugere o que pensar e como abordar o mais desconhecido de todos os seres: este que cada um de nós imagina que é.

01/11/2016

Apresentando-me

Olá! Meu nome é Donizete Soares. Moro na cidade de São Paulo. Sou professor de filosofia e co-responsável pelo INSTITUTO GENS.

Fiz graduação em filosofia na segunda metade dos anos de 1970. Desde então, trabalho com Educação e Filosofia. Fui professor em vários colégios, faculdades e universidades. Ultimamente, tenho atuado em educação não formal.

Decidi trabalhar com Filosofia e Astrologia. Isto mesmo! Juntei duas áreas de conhecimento, em geral, apresentadas como diferentes e até mesmo contraditórias. Optei por entender, diferente dos 'acadêmicos', que Mito não antecede Razão: o primeiro não é menos que o segundo; ambos expressam a capacidade humana de inventar e alterar o mundo. Dessa junção, resultou o que chamo e entendo por Astrofilosofia. Contei o desenrolar desse processo aqui.

Penso que distanciar áreas do conhecimento é mais uma das tantas bobagens de gente que, de tão fora de si mesma, ocupa-se mais em dividir do que somar, separar do que juntar, trapacear do que esclarecer... coisas de um tempo em que as pessoas, em geral tão necessitadas de acumular coisas e ideias, esquecem-se que viver é o tempo de conhecer, de saber de si, do outro, do mundo. Sobretudo, é tempo de compreender por que nasceu, o que está fazendo aqui e o que pode fazer.

Dessas coisas me ocupo. É com isso que trabalho. Ideias como essas habitam minha cabeça. Com elas vivo, e disseminá-las é o meu propósito: divulgar essa real possibilidade como estética da existência é o que me interessa nos anos que me restam. Entendo que colar pensamento e vida é o grande desafio!

Caso tenha interesse neste tipo de conversa, que não é outra coisa senão iniciar e/ou aprofundar processos de conhecimento de si mesmo [ou de individuação, como diz Jung], me disponho a, juntos, fazermos Leitura, Compreensão e Interpretação de sua carta natal [ou mapa astral] e ministrar aulas particulares, encontros e cursos de filosofia para pequenos grupos.

Um dos temas que considero especialmente interessante é Os trabalhos de Héracles – uma relação entre a trajetória do herói grego e os doze signos. Outro é estudar cada um dos pré, socráticos e pós do período grego sem desconsiderar, é claro, tantos outros que antes de nós teceram memoráveis considerações sobre eles. Mergulhar nas representações da Lua sobre a formação e manutenção da nossa personalidade, assim como em cada um dos corpos celestes é, sem dúvida, muito gratificante.

Enfim, o que quero é fazer filosofia, isto é, tratar temas como esses de modo racional e crítico e, assim, contribuir para que cada um descubra em si mesmo o ser que quer, pode e consegue ser.

É isto!

ET: leia também Pra ler o mapa do céu

20/10/2016

Educação não é educação escolar

Educação e educação escolar são coisas distintas. Uma não tem nada a ver com a outra.   

Educação é fenômeno social, isto é, expressão das necessidades e sonhos de cada um dos inúmeros e diferentes grupos humanos espalhados no planeta.

Tem a ver com  adultos e jovens recuperando, inventando, traçando e seguindo caminhos que lhes permitam viver do jeito que querem. Nada parecido, portanto, com algo normatizado, regido e avaliado. Educação é muito mais do que, equivocadamente, é chamado de educação escolar.

Escola ou skholé foi mais uma invenção interessantíssima dos gregos antigos. Era um lugar pra 'não fazer nada', espaço de lazer, de bater papo, de longas conversas. Lugar de encontro de homens livres ocupados com questões mais importantes do que comer, beber, dormir, cagar... e comprar. A skholé era lugar pra pensar a vida e os modos de viver. Lugar de fazer filosofia. Nada parecido, portanto, com a escola atual, que se confunde com espaço destinado a prender, vigiar e controlar – em especial, crianças, adolescentes jovens – para que não conversem, que façam silêncio, que sejam 'comportados' e, sobretudo, que não pensem por si próprios.

Ora, reduzir Educação à educação escolar é participar de um jogo perverso. É não perceber que os sistemas de ensino – longe de estarem ocupados com o que dizem estar e mais distantes ainda do que a maioria das pessoas imagina e acredita – atendem a interesses de apenas um grupo social. É não entender que a educação escolar – independemente desse ou daquele governo, ou dessa ou daquela pedagogia, ou desse professor e daquela professora – forma pessoas adequadas a um único modo de viver que, assim como a vida, não deve ser questionado. É não compreender que a escola atual – qualquer que seja sua orientação ideológica – tem compromisso não com a formação de indivíduos, mas de técnicos seguidores de manuais preparados por 'especialistas' tão controlados quanto eles. Ilusão pensar que a educação escolar forma cidadãos!

Ora, ora, sem filosofia, isto é, sem exercício racional e crítico sobre a vida e os modos de viver, não há Educação.

 
Em tempo


Penso que é importante fazermos essa distinção entre Educação e educação escolar. Compreendê-la pode alterar significativamente o modo lidamos conosco mesmos e com os jovens, em especial os que nos são mais próximos. O que nos faz acreditar que um mesmo tipo de educação seja indicado e válido para todos e cada um de nós? Quem disse que a educação escolar é a redentora da sociedade? O que significa afirmar que, em nosso contexto, somente a 'educação' pode levar o país ao desenvolvimento?

Sei o quanto é chato constatar que a educação escolar não tem o menor compromisso com o desenvolvimento individual das pessoas, embora sejam muitos os professores e as professoras que, inadvertidamente, afirmem ser essa sua intenção. Pior ainda é constatar que as escolas, incluindo recursos materiais e humanos pagos com dinheiro da população, servem apenas para manter e dar sustentação aos interesses de um grupo social.

Contudo, se ainda não nos demos conta disso, e nem sabemos como alterar esse quadro, sei também que são reais as possibilidades que, juntos, retomarmos o princípio da skholé enquanto espaço de conversa. Desde que não façamos o jogo perverso da pedagogia tecnicista, que ensina fazer coisas mas não pensar sobre elas, tanto a casa como a escola podem, se quisermos, ser espaços de conversação sobre a vida e os modos de viver. Mais: de fazer filosofia porque, sem ela, não há Educação.