23/06/16

Lidar com a vida

De fato, estamos longe da vida boa, bela e justa, há milênios sonhada e fartamente apregoada no mundo ocidental.

De fato, não sabemos lidar nem com a vida em geral, nem com a vida dos outros - sobretudo os mais próximos e, em especial, os que dizemos que amamos -  e, menos ainda, com a nossa vida individual. 

Ora, se a pessoa não sabe e nem procura saber dela mesma; não se conhece e nem buscar se conhecer; não cuida de si, isto é, não se respeita [respeitar é prestar atenção] e não se ama [amar é gostar de estar perto]... então, como ela consegue saber, conhecer, respeitar e amar o outro?

Ora, se o outro não é visto e tratado como o 'outro que é', mas como complemento ou inferior ou superior ou competidor, portanto, como continuação, falta, menos ou mais do que a pessoa sente e pensa de si mesma... então, como ela e o 'outro dela' vão lidar com o social, a economia, o político?

Ora, se elementos como sociedade, economia e política são importantes para a vida coletiva mas, como se vê, resultam de relações tão ruins entre pessoas que se veem e se tratam como inimigos... então, é claro que este tipo de convivência social que mantemos não faz bem a ninguém.

Tudo indica que a vida – pra ser boa, bela e justa – exige que você e eu aprendamos a lidar com ela não com sonhos e discursos, mas com intensidade e alegria – o que, de fato, só se consegue quando deixamos de ser pessoas [personagens] e optamos por ser indivíduos [seres únicos e indivisíveis], ou seja, exatamente o contrário do que interessa a este tipo de convivência social que insistimos em manter.

19/06/16

As 12 casas

Para a astrologia, o mapa do céu é dividido em 12 casas. Cada uma delas diz respeito a uma área da vida.

O desafio [desfiar os fios e os nós] é entender uma por uma, as relações entre elas e delas com os signos e os planetas, assim como as relações entre eles nessa e/ou naquela casa.

Nada fácil e simples mas, justamente por isso, chama tanto a nossa atenção.

De que tratam?

  • casa 1 - o Eu que se mostra
  • casa 2 - ganhos e coisas materiais
  • casa 3 - comunicação e relações próximas
  • casa 4 - o passado na mochila
  • casa 5 - criatividade, prazer e alegria
  • casa 6 - o trabalho, o dia a dia e a saúde física e mental
  • casa 7 - tipos de parceria
  • casa 8 - perdas, sexo e morte
  • casa 9 - ideias e longas viagens
  • casa 10 - profissão e desafios futuros
  • casa 11 - o outros na vida, amigos e conhecidos
  • casa 12 - o Eu interior

Modalidades

  • casas 1, 4, 7 e 10 formam a cruz da vida, essencialmente marcada pelos signos Cardinais Áries, Câncer, Libra, Capricórnio; regidas por Marte, Lua, Vênus, Saturno, representam os elementos Fogo, Água, Ar e Terra; chamadas de 'casas angulares', têm a ver com a energia vital empregada pra cada um sobreviver, crescer e seguir adiante na empreitada da vida
  • casas 2, 5, 8, 11 falam da estabilidade dos enraizamentos dos signos Fixos Touro, Leão, Escorpião, Aquário, que são regidos por Vênus, Sol, Plutão, Urano, representando Terra, Fogo, Água e Ar; são chamadas de 'casas sucedentes'
  • casas 3, 6, 9, 12: como 'casas cadentes', enfraquecem a ação iniciada nas 'cardinais' e fortalecida nas 'sucedentes'; são dos signos Mutáveis Gêmeos, Virgem, Sagitário, Peixes, regidas por Mercúrio, Mercúrio/Kíron, Júpiter, Netuno e representam Ar, Terra, Fogo e Água

Elementos

  • casas 1, 3 e 9 - corpo, alma, mente/espírito: Fogo
  • casas 2, 6 e 10 - posses, ocupação, reconhecimento público: Terra
  • casas 3, 7 e 11 - irmãos/parentes/vizinhos, associações/relacionamentos íntimos, amigos/relacionamentos sociais: Ar
  • casas 4, 8 e 12 - morte física, transformação morte/vida, fim do que escolhemos sentir, pensar e agir: Água

Ativas e Passivas

  • chamadas Ativas, as casas  1, 3, 5, 7, 9, 11 nos lançam pro mundo
  • chamadas Passivas, as casas 2, 4, 6, 8, 10, 12 dizem da nossa participação nas ações dos outros

Dia e noite

  • casas 1, 2, 3, 4, 5 e 6 são consideradas Noturnas: como o Sol [individualidade] não está visível, são a base para, mais tarde, ele brilhar; de uso pessoal e privado, baseiam-se nas emoções e nos sentimentos
  • casas 7, 8, 9, 10, 11 e 12 são consideradas Diurnas: de uso social e público, têm a ver com mundo do trabalho, carreira e status; têm como base interesses sociais e profissionais

Não por acaso, a astrologia é uma das mais antigas formas de conhecimento que o homem inventou e, há milênios, vem elaborando. Também não por acaso,  há algum tempo, eu também venho mergulhando nesta invenção.

13/06/16

Uma pergunta

Tendo em vista o cenário – certamente construído por quem veio antes de nós, mas mantido e atualizado por nós – no qual atuamos como personagens de tantas histórias – certamente não inventadas por nós e nem por nós dirigidas – que somente recebem os aplausos do público se cumprirem direitinho o roteiro escrito, aprovado, testado e comprovado;

considerando que a platéia é formada sobretudo por crianças – que, como tal, precisam ver e aprender conosco o modo como sentimos, pensamos e agimos para, então, decidirem o que farão com suas vidas – é urgente e necessário fazer uma pergunta: 

é possível ser humano num sistema regido pelo
signo do deus-cifrão?


Observe

Grande parte das pessoas é, de fato, ignorante, isto é, ainda não tem informação suficiente sobre o modelo econômico que sustenta esse tipo de convivência social. Não entende e nem busca entender, por exemplo, o que faz com alguns sejam tão ricos enquanto a maioria é pobre. Não consegue ligar os pontos: se há riqueza, então há pobreza; se há miséria, então há luxo; se há quem acumula algo, há quem fica sem parte dele... 

  • A ignorância, além da falta de informação, é uma forma de comodismo. Comportar-se de modo a deixar tudo como sempre esteve, afastar-se e não assumir qualquer responsabilidade é uma estratégia sempre certeira, tanto para o ignorante quanto para o 'ilustrado'.

Outra parte, devidamente informada sobre como as coisas funcionam, aceita fazer parte do jogo – mesmo sabendo de antemão quem é vencedor e quem é perdedor. Parece convencida, por conveniência, de que não vale a pena qualquer alteração no modelo. Egoísta, não quer correr o risco de perder o pouco que acha ter conseguido submetendo-se, por exemplo, a um emprego que, ainda que lhe renda salário, não lhe dá nenhuma satisfação pessoal, profissional e... econômica.

Alguns tentam não entrar no campo de jogo – e, não raro, pagam caro. Não aderem às regras do mercado de trabalho, evitam o consumismo, buscam o que se convenciou chamar 'vida simples'. E pagam caro porque tentam viver no mesmo espaço em que a maioria está munida de instrumentos e técnicas que primam por não aceitá-lo e respeitá-lo, mas vencê-lo. É o caso, por exemplo, de alguém que se recusa a  vestir-se como todos do seu grupo, ir aos mesmos lugares que eles, ouvir a mesma música que ouvem, enfim, evita sentir e pensar e agir como os que lhe são próximos sentem, pensam e agem.

Sendo assim

Querendo ou não, conscientes ou não, gostando ou não, o fato é que mantemos um jeito de convivência social em que ser humano tem pouco ou nenhum valor. O que realmente importa é que você e eu sejamos alunos, estagiários, funcionários, empregados, crentes, pacientes, clientes, destinatários, profissionais, sócios, consumidores, cidadãos.

Pra isso somos preparados, aguardados, reconhecidos e remunerados. Se formos coisas-que-fazem-coisas, tarefeiros que obedecem ou mandam, objetos de uso e de troca seremos, então, somos aplaudidos. Caso contrário, somos algo que definitivamente não convém.

A família gera, a escola prepara, a midia incentiva, e empresa enriquece, a igreja abençoa e o estado agradece. 


Mas quem está ocupado em ser humano?

04/06/16

Coxinha & Mortadela


chamar o outro e/ou aceitar ser chamado de coxinha e/ou de mortadela é, antes e sobretudo, despotencializar o humano


Há quem diga que a famosa coxinha surgiu na cidade de São Paulo, durante a industrialização do século 19, como alternativa às coxas de frango vendidas aos operários nos portões de fábrica.

Desde então, farinha e recheio [pedacinhos] de frango temperados e fritos compõem o salgadinho que 'mata' a fome de meio mundo.  

Já a mortadela, de origem italiana, teria sido trazida pelos imigrantes no começo do século 20. Pedaços de carne de boi, de porco, de galinha, além de gordura e pimenta, formam o embutido. Mas há quem diga que era feita da parte que o boi leva a pancada ou martelada de morte no abatedouro. Com ou sem pão, a mortadela igualmente 'sacia' outros tantos.

Atualmente, sabedeus de quê e como são feitas!!! Sabedeus de quê e como são feitos os produtos industrializados em nossas cozinhas e em nossos pratos!!! Sabedeus como estão nossos corpos e nossas cabeças!!!
 

Bem, o fato é que coxinha & mortadela são muito apreciadas por gente de todo lado...

duas observações

A primeira é que coxinha & mortadela são feitas de pedaços ou aproveitamento de carne e otras cositas. São imitação ou substituição barata de alimentação. Foram inventadas para dar lucro a alguns e enganar o estômago, o corpo e as ideias de muitos outros. São, portanto, pura enganação.

A segunda tem a ver com a infeliz associação da mortadela e da coxinha a posicionamentos político-partidários de pessoas a favor ou contra esse ou aquele governo. Infeliz, porque é mais desastrosa do que engraçada.


Associar o ser humano a algo que, se bem manipulado, gera altos ganhos pra uns e grandes perdas pra maioria é coisificá-lo.
É transformá-lo em massa de manobra.
É enfraquecê-lo.

26/05/16

Para ler o mapa do céu

Antes de anotar os dados e traçar sua carta natal, penso que é fundamental prestar atenção a duas situações – difíceis, sem dúvida, mas necessárias. Caso não consigamos dar conta delas, convém encaminhá-las, dada a importância que têm no que chamo astrofilosofia.


A primeira:
  • o que faz você supor que os milenares saberes da astrologia têm algo a dizer sobre seu modo de ser e de agir? 
  • que sentido tem pra você a interpretação de símbolos portadores de múltiplos significados?
  • o que você espera do exercício de leitura, compreensão e interpretação do texto denominado mapa astral?
Se as respostas levarem ao campo da curiosidade, há um caminho interessante a percorrer. Enveredar pelas tramas das narrativas míticas é uma coisa muito gratificante. Diga-se o mesmo das interpretações possíveis das relações entre os corpos celestes. Saber das coisas é fundamental para conhecer o mundo.

Se as respostas levarem ao domínio do conhecimento de si mesmo, os caminhos são mais complexos, pois trilhar as veredas do eu, além de gratificante, é surpreendente. Tomar a si mesmo como objeto de conhecimento é o mesmo que moldar a argila e, ao mesmo tempo, perceber-se como algo já moldado. Para saber de si mesmo é necessário mergulhar na própria história.


A segunda tem a ver comigo:
  • expor com clareza o que pretendo
  • o tipo de abordagem que faço e 
  • como posso colaborar com você, trazendo informações sobre sua carta natal.
Tenho como objetivo contribuir com as pessoas para o conhecimento de si mesmas. Vejo e trato os saberes milenares de modo astrofilosófico, isto é, como produções humanas e racionais – bem distante, portanto, das interpretações históricas da filosofia que consideram, por exemplo, o mítico como pré ou anterior ao conhecimento filosófico. Entendo que estudar e 'ler o mapa astral' de alguém é apresentá-lo como um texto racional e crítico, que pode contribuir pra que a gente se perceba como indivíduo [único e indivisível] capaz de tornar-se sujeito da própria história. 

Então, caso tenha interesse em 'fazer filosofia', como bem pontua Kant, e queira tomar como referência o oráculo de Delfos no templo de Apolo – 'conhece-te a ti mesmo' –, esteja certo de que, para mim, será um prazer navegar pelas anotações, há milênios coletadas, sobre nossas florestas, campos, jardins, montanhas, mares e oceanos interiores e, assim, trazer à tona informações que, se a gente quiser, podem alterar substancialmente nosso presente. Afinal, é isto que vale: o momento presente. 

Meu endereço é donizetesoares@gmail.com

25/05/16

Música popular ou de 'entretenimento'

Quando pensamos e nos posicionamos de modo crítico, quando colocamos sob suspeita ou em dúvida a fala, a idéia, a música... então, qualquer conversa fica diferente da que estamos acostumados.

Não somente olhamos, falamos e ouvimos de outra maneira, mas nos posicionamos tanto frente a nós próprios como frente ao mundo de outra maneira: mudamos o ponto e, então, mudamos a vista.

 
Sobre a música popular ou de 'entretenimento', por exemplo, há muito que pensar e dizer. Num tipo de convivência social como o nosso, em que tudo gira em torno do deus cifrão, o que pretendem os negociantes de algo que agrada a maioria das pessoas? O que há ou pode haver de tão interessante – leia-se lucrativo – na atual produção e comércio dos cantadores de samba, rock, gospel, sertanejo, musiquinha de corno etc?
 
Vale ler o que escreveu Theodor Adorno, filósofo alemão que viveu no século passado, em meio às duas guerras e o nazismo de Hitler:

  • Ao invés de entreter, parece que tal música contribui ainda mais para o emudecimento dos homens, para a morte da linguagem como expressão, para a incapacidade de comunicação. A música de entretenimento preenche os vazios do silêncio que se instalam entre as pessoas deformadas pelo medo, pelo cansaço e pela docilidade de escravos sem exigências.(...) A música de entretenimento serve ainda — e apenas — como fundo. Se ninguém mais é capaz de falar realmente, é óbvio também que já ninguém é capaz de ouvir.[*]

A grande maioria dos hitizinhos que rolam por aí, nacionais ou internacionais, não é somente um gênero musical; vai muito além: simboliza um processo de comercialização de atitudes, idéias e comportamentos. São práticas que realizam ideias extremamente favoráveis a um grupo social. Fazem parte do que pode ser chamado 'indústria cultural'.
 
Ou seja, assim como a indústria cria e fabrica bens materiais, tipo roupas, comidas, remédios, carros e tantas quinquilharias altamente rentáveis, a indústria cultural  preserva ou cria bens simbólicos ou imateriais. Esses bens, igualmente rentáveis, representam coisas que, atendendo necessidades ou carências e sonhos ou fantasias, servem justamente para escravizar as pessoas.
 
Não por acaso, a lógica da produção dos dois tipos de indústria é a mesma: se produzir milhares de carros com a mesma estrutura e apenas mudar a lanterna, a maçaneta e o painel significa baratear a produção e aumentar o lucro das montadoras, o mesmo acontece com a indústria da música popular: a indústria cultural definiu a estrutura: letra + música, duração, tipos de instrumentos, temas a serem explorados, timbre de voz mais adequado, 'artistas' que devem se apresentar dessa ou daquela maneira... e pronto! Quem não estiver de acordo, fica fora. Quem fizer o que 'o mestre mandou', faz sucesso. E, claro, o lucro aumenta.

Vale dizer: o que importa mesmo é que os hitizinhos cumpram o seu papel: fazer circular os bens simbólicos que convém aos que não querem saber de posicionamento crítico algum.

[*] In: O fetichismo na música e a regressão da audição. Os pensadores. São Paulo: Abril Cultural, 1980

11/05/16

Palavras e ações

Ações realizam ideias.
Ideias são formadas por palavras.
Bem ditas ou mal ditas, as palavras criam pensamentos.
Pensamentos dirigem ações.
 


 Imagina o cenário
  • uma terra pantanosa
  • cavalos selvagens e éguas ferozes botando o maior terror e procriando sem cessar
  • pessoas trêmulas de medo e desesperadas

Pra esse lugar 'tranquilo', Héracles foi enviado, uma vez que, há tempos, quem vivia por alí não tinha nenhum sossego, não sabendo mais o que fazer para não morrer.

Héracles devia capturar as éguas porque, além de antropófagas, geravam cavalinhos igualmente selvagens. Claro que não geravam sozinhas, mas se fossem apartadas dos cavalos, a terra pantanosa se veria livre do mal que a devastava.

Inteligente e estrategista, Héracles traçou os planos, convidou um amigo e partiram pra realizar a ação. Passaram pelos cavalos,  localizaram e prenderam as éguas. Trancafiadas e acorrentadas e não tendo como se mexer, alí ficaram. Os amigos, por sua vez, fizeram festa pelo sucesso da empreitada.

Tão animado e satisfeito consigo mesmo, Héracles achou que não deveria levar as éguas para o dono da terra pantanosa, uma vez que o mais importante – capturá-las – ele já tinha feito. Decidiu, então, que o amigo fizesse, por ele, o que a ele cabia. Acontece que o amigo não era suficientemente forte e corajoso e, por isso, não deu conta do serviço: as éguas o mataram e fugiram.

Triste, abatido, cheio de dor – e sem perceber que deixara o amigo morto no chão – Héracles foi em busca dos cavalos e os prendeu e os levou para que fossem domesticados. 

E o povo, claro, reconheceu, agradeceu e o aplaudiu pelo grande feito. Nada disso, entretanto, deixou Héracles alegre e feliz, afinal foi ele o responsável pela morte do amigo.

Considere
  • toda ação começa na cabeça
  • alimentada pelos pensamentos, a mente 'funciona' o tempo todo
  • palavras mal ditas geram ideias destrutivas e ações que promovem a morte

07/05/16

Baixando a bola

 

Denunciar, acusar e condenar o outro é fácil. Experimente se olhar no espelho. 


 

Há momentos na vida das pessoas em que seus medos, inseguranças e outros sentimentos saem sabedeus de onde. Explodem e botam pra fora o que habita suas entranhas. É quando, por exemplo, alguém próximo da gente cometeu um delito muito grave e a gente diz: 'ninguém acredita que ele [ou ela] tenha sido capaz de fazer isso'.

Mas foi e fez! Do mesmo modo que qualquer um de nós, vivendo situações semelhantes, pode fazer. E fazer mais e mais e pior e pior.

Quando isto acontece, não raro, causa os maiores danos nas vidas das pessoas. Delas e nas nossas. Elas sofrem muito, assim como as que lhes são próximas e, de resto, todos nós sofremos com elas. Não por acaso, somos todos feitos da mesma matéria e, portanto, tanto quanto elas, qualquer um de nós é capaz de promover todo tipo de estrago.

Ou seja,

  • não dá pra ninguém se achar o máximo – somente os estúpidos se consideram cobertos de razão
  • não dá pra enaltecer quem quer que seja – somente os muito ingênuos colocam a mão no fogo por alguém
  • não dá pra desprezar seja lá quem for – somente os babacas não percebem que, quando apontam um dedo pro outro, há outros três dedos da própria mão apontando pra ele mesmo [veja isto]

Convém, então, baixar a bola. Nada de chutão. O jeito é aprender a quicar baixinho. 

27/04/16

Democracia brasileira

Estamos longe, mas muito longe mesmo, da ideia e das práticas de democracia. Da ideia, porque a maioria de nós ainda não resolveu pensar o conceito e investigar sua história. Das práticas, porque as experiências que vivenciamos têm se mostrado lamentáveis.

O máximo de democracia que temos é votar a cada dois anos. Obrigados a exercer o direito de votar, os eleitores, em geral, fazemos o nosso papel e voltamos pros nossos afazeres, pouco nos importando com as decisões que acabamos de tomar. Por sua vez, os eleitos, grande parte deles sem votos suficientes e, portanto, desconhecidos, são 'puxados' por candidatos 'populares'. Ora, sem reais compromissos assumidos, por que se interessariam pela população? E os eleitores, sem reconhecê-los, por que se importariam com eles? Há também uns e outros que ocupam espaços de poder há décadas. O que não é raro, inclusive, é avô, filho e neto terem o mesmo nome e sobrenome pra, digamos assim, 'lembrar' seus eleitores nas próximas eleições. Pois é! E ainda há quem diga que o coronelismo é coisa do passado!

Ora, ora, se são políticos profissionais, então democracia é o que menos lhes interessa. Não é?

Em sendo assim, ao que parece, não há como evitar que façam conchavos, acertos, negociatas etc. É possível que qualquer um, ocupando o lugar deles, também fizesse ou faça o mesmo. É possível também que haja quem não queira se agrupar, jure seriedade pra si mesmo e pros seus eleitores, mas o fato é que é muito difícil construir e sustentar discursos e práticas minimamente coerentes nesse cenário. Se adicionarmos o peso e a força dos partidos financiados por empresas ou por quem quer que seja, então, os ideiais de 'liberdade, igualdade e fraternidade', que bancam o ideário da democracia moderna, não têm a menor condição de um dia se tornar realidade.
 
Ou seja, tudo indica que o sistema representativo brasileiro foi implantado para funcionar assim mesmo: promover discursos democráticos e realizar práticas avessas à democracia.

Talvez isso mude quando decidirmos pensar o conceito, investigar sua história e, juntos, assumirmos nosso destino.

Caso contrário, nada se altera. A tendência, portanto, é que, no máximo, a democracia brasileira continue a ser o que é. 

25/04/16

Parece, mas não é

Claro que 'mapa não é território'. Território é 'real', de 'verdade', 'o que existe'. 

Mapa, por sua vez, é ideia, aproximação, representação ou algo de 'mentirinha' como, não raro, se diz.

Pois bem. Consideremos os 'representantes' dos 'cidadãos' brasileiros 'eleitos' nas últimas eleições de 2014. Consideremos, em especial, os deputados federais.


São eles o 'mapa' de um 'território'? Ou não?

Observe que eles não representam a maioria dos eleitores. Apenas 36 dos 513 forem eleitos para ocupar cadeiras no parlamento. Como são 'puxadores de votos', levaram com eles nada menos que 477 'eleitos' que, efetivamente, não receberam votos suficientes para 'representar' eleitores. Sem dúvida, uma prática político-partidária que, seguramente, não convém ser divulgada pelos seus idealizadores. Afinal, está dando super certo! Se quiser, confira aqui

Sendo assim, quantos daqueles homens e mulheres, que nos custam bilhões de reais por ano, têm legitimidade pra tomar as decisões que tomam – se nem ao menos eles sabem quem os 'elegeu'? Quem, efetivamente, cada um deles 'representa'? Serão capazes de olhar na cara de seus 'eleitores' e afirmar que estão atendendo aos seus interesses, os dos eleitores?

Por outro lado, observe os que os apóiam – um tanto quanto constragidos, é verdade – sobre a admissibilidade do processo de impedimento do executivo, por exemplo. [Não! Juro que não falo  dos 'argumentos' dos votos deles!!!] Salta aos olhos o que aparece nas redes sociais: em relação ao momento atual de indefinição político-administrativa do país, infelizmente, o que não falta é zemané e nem mariajoana. Quem são eles?



BBC Brasil
Sabedeus! Em geral, o que fazem é xingar e falar mal dos outros. Se alguém veste uma cor, é porque é isto; se veste outra, então é aquilo. Se torna público o que pensa, é porque é bicha, puta, coxinha, mortadela, fascista, ditador... Se não fala nada, é porque está em cima do muro... Quase sempre, o que publicam é o que alguém já publicou, não importando se realmente tem a ver ou não, desde que a publicação seja um reforço do que eles defendem.

Não dizem nada por eles próprios e, se dizem, não têm a menor ideia do que estão falando. Em geral, repetem o que o rádio, o jornal e a tevê martela o tempo todo. E como não se dão ao trabalho de conferir se o que estão ouvindo, lendo e vendo, não percebem que são palavras, tons e imagens escolhidas a dedo por empresas que, há tempos, têm papel importante na vida econômica, política, social e cultural do Brasil. Entende por que o que não falta é zemané e nem mariajoana?

Ou seja, se mapa não é território – e realmente não é –, também não é de mentirinha. Os  'representantes' de certos eleitores brasileiros retratam muito bem um tipo de gente que 'optou' por pensar e agir de um jeito que, sem perceber, faz parte de um jogo que parece uma coisa, mas não é.

Por que 'optou' e o que é que 'parece, mas não é'?

Não sou eu nem qualquer outro que tem que responder. Somente você, car@ leitor@, depois de pesquisar, investigar, perguntar, conversar com quem já estudou o assunto, somente você deve responder. Mas cuidado: ande por  conta própria e não acredite no primeiro, segundo, terceiro... sempre prontos pra dizer o que você deve pensar e reproduzir. Convém, duvidar sempre! Aliás, não conseguimos ser humanos se não adotamos a dúvida como princípio de pensamento e vida.


Claro que é um longo caminho, mas possivelmente a única forma de você eu evitarmos a via rápida do 'inocente, puro e besta' ou como se dizia não faz muito tempo: 'inocente útil'.



Em Tempo

Leia a história do Brasil ou, pelo menos, a história da república no Brasil. Nem precisa procurar por esse ou aquele título ou por esse ou aquele autor. Procure saber, antes, quem escreveu – isto é fundamental para entender o quê ele escreveu. Aprenda a comparar. Converse com outras pessoas. Você verá que a coisa é tão flagrante, tão óbvia e tão repetitiva, que não tem como esconder. Aqui mesmo, na internet, há excelentes textos.
Não boicote sua inteligência.