07/09/11

Não somos nada disso

É ilusória, deturpada e falsa a ideia de que somos americanos, europeus, asiáticos, africanos ou oceânicos. É enganosa – mais que isso, danosa – a série de divisões e subdivisões geográfico políticas autoritariamente imposta a todos nós. Não somos brasileiros, mexicanos, bolivianos, canadenses, guatemaltecos... Não somos paulistas, cariocas, baianos, acrianos, mineiros, catarinenses... Não somos nada disso.

América, Ásia, Europa, África e Oceania – assim como brasileiros, mexicanos, bolivianos... e paulistas, cariocas, baianos... – são termos convencionalmente criados para denominar milhares de gentes diferentes e únicas. São mais uma tentativa – vitoriosa, sem dúvida – de acabar com a diversidade que nos caracteriza e de nos fazer aceitar realidades que não nossas. Mais que isso: são mais uma tentativa de apagamento das nossas origens mais antigas. Mesmo assim, não dizendo nada que tenha a ver com essas milhares de gentes diferentes e únicas, são termos que estão aí há séculos, conseguindo fazer o maior estrago.

Não somos o que aprendemos na escola e o que os meios de comunicação social fazem questão de enfatizar. Escola e mídia, em geral, divulgam apenas o tipo de ciência bancada por interesses específicos, aliás, bem distantes de nossa história mais profunda. Espalham e defendem saberes que têm a ver, isto sim, com um suposto direito de alguns em delimitar territórios, escolher quem pode ou não pode habitar esse ou aquele território, impor uma língua e um jeito de falar, definir qual deve ser sua principal característica cultural...

Os milhares de grupos humanos espalhados pela terra são essencialmente marcados por particularidades e especificidades que nada têm em comum com aquelas divisões e subdivisões arbitrárias. Cada um desses grupos, por conta da língua e de alguns costumes comuns, tem histórias, trajetórias, objetivos e interesses igualmente diferentes e únicos. Não se parecem – por que teriam que se parecer? Não querem contatos com outros povos – por que teriam que querer? Não se interessam pelas mesmas coisas – por que teriam que se interessar?

Ora, por que, então, há quem se interesse tanto em juntá-los, nomeá-los, defini-los e classificá-los?

A ideia de que somos isso ou aquilo é mais uma das tantas mentiras que, desde crianças, ouvimos e somos levados a acreditar. Infelizmente – e sem pensar – a maioria de nós apenas repete o que aprendeu. E assim, de tanto ouvir e falar, o que foi e é insistentemente dito e repetido fica sendo verdade. Os mapas políticos descrevem pouco ou nada do que realmente tem a ver com as origens dos povos. São apenas e tão somente a expressão de vontades e interesses que, por sua vez, não são as vontades e interesses dos que efetivamente ali nasceram e vivem.

Procure investigar como cada um dos continentes, inclusive a Antártida, recebeu o nome que tem. Observe quem são, de onde são e por quê deram tais nomes a essas terras. Busque saber os porquês dessa divisão e da série de subdivisões. Por que elas são algo assim tão importante? Ou melhor: para quem são importantes essas denominações?

Graças aos discursos dos ignorantes e/ou dos quem se vendem para ludibriar as pessoas, não faltam teses e matérias audiovisuais e impressas visando impor somente um jeito de nos vermos e nos tratarmos. Até quando vamos admitir como verdade um punhado de coisas que, de tanto serem ditas, parecem ser o que, de fato, não são? Por que não duvidamos do que nos é dito? Mais: por que ao menos não suspeitamos do que insistentemente muita gente quer nos dizer e nos convencer?

09/04/11

Tragédia na tela da tevê

Observe como a mídia oficial/comercial trata as tragédias... Em especial as tevês, o que buscam e mostram? Esbanjam cenas carregadas de dor e da tristeza dos outros – os protagonistas de suas esperadas e, mais que isto, aguardadas narrativas.

Quem está mais abatido? Quem está sofrendo mais? Qual o melhor ângulo, o melhor enquadramento? E as coisas, os lugares destruídos, as pessoas – especialmente as pessoas? Onde elas estão concentradas? É fundamental que elas apareçam chorando e desesperadas. [quanto mais, melhor!] Tem alguém revoltado e bravo?...

Há reporter que tem a pachorra de perguntar às vítimas o que sentiram na hora trágica. Embarga a voz e – não importando se são crianças, jovens ou velhas – pede que falem sobre o que elas pensam em fazer daí pra frente... E continua a entrevista emocionada até o momento em que ouve “não há o que fazer”, “é assim mesmo” e “é vontade de deus”... [O máximo! - exatamente o que esperava.] Em seguida, com ar sério e algo preocupado, falam os apresentadores ou âncoras que, em geral, dizem o mesmo que já foi dito e mostrado. Então, tecem alguma consideração que, a rigor, nada acrescenta, para, logo depois, abrirem um sorriso para anunciar a próxima notícia...

É claro que este modo de tratar as desgraças humanas não é uma novidade inventada pela mídia oficial/comercial. Em particular, os jornais televisivos deixam muito a desejar em matéria de... matérias jornalísticas. Por conta do modelo adotado – que, certamente, “vende bem”; caso contrário, seria outro modelo –, quem nele trabalha aceita, concorda, sustenta e mostra a própria cara no que há de pior em termos de tratamento da informação.

Muito antes dos negócios mídia oficial/comercial, a igreja católica tratou de “capitalizar” as tragédias e as inevitáveis dores humanas; e não somente ela, mas todas as outras que aparecem a todo momento nas ruas, praças e becos do país. Afinal, com escola tão boa e eficiente, como não aprender? Com exemplos tão edificantes, como não se tornar especialista na cada vez menos sorrateira capacidade de explorar o outro, sobretudo quando ele mais precisa da solidariedade dos seus iguais? Você conhece alguma igreja que, mesmo pregando o tempo todo a preocupação com o homem, não explora justamente a fragilidade humana, em especial a dor provocada pela tragédia? Não dizem elas que o céu não é pra qualquer um, mas somente para os que sofrem sem deixar de frequentá-las e, claro, contribuir com a tal 'obra do criador'? [O que não dizem e fazem para encher a sacolinha?!]

Mas o que pretendem as empresas que controlam a mídia oficial/comercial? Seguramente, nada que tenha a ver com solidariedade – termo, aliás, que não cabe no vocabulário empresarial. Ao contrário, o que sustenta o sistema econômico que, juntos, mantemos é justamente a exploração do homem pelo homem. No máximo, falamos em 'ajudar' o outro, nos moldes do que a igreja católica difundiu como 'caridade'. Nada mais que isto! Ora, como são empresas [nos tempos mais recentes, as igrejas também funcionam como empresas], ou seja, são formas de investimento de dinheiro, isto é, capital – e capital, se não for transfomado em mais capital, isto é, em lucro, simplesmente desaparece –, a única coisa que interessa é o lucro, o aumento do capital. Portanto, tudo vale. Vale tudo! [A dor é um grande negócio!!!]

Há muito, sabemos o quanto a dor e a desgraça do outro nos chamam a atenção. É dura e triste essa constatação, mas há como dizer o contrário? Geralmente, as expressões de alegria e felicidade incomodam e geram reações contrárias às expressões de dor e tristeza. Gostamos de festa, mas o que nos envolve e comove mesmo é o luto... Quantos de nós, gratuitamente, nos alegramos com a alegria do outro? O mesmo não ocorre com relação à sua dor; não raro, sofremos com os seus sofrimentos, choramos com ele, não importando se é alguém próximo ou não. Aprendemos a ser solidários na tristeza.

O fato é que tanto as igrejas como as empresas de mídia sacaram bem essa nossa fragilidade. Mas, sobretudo, contaram e contam com o consentimento da sociedade para operarem dessa maneira. Não fosse assim, as segundas não teriam aprendido tão bem como aprenderam as lições das primeiras e, ambas, não alcançariam o sucesso que se renova a cada dia. São muito parecidas tanto nos propósitos quanto nos resultados... Não partilham os mesmos espaços, buscando o mesmo público? Não vendem as mesmas ideias, produtos e serviços? Não disputam a tapa os mesmos consumidores? Direta e indiretamente, não visam e obtém lucros?

Há quem diga que a gente se vê na tela da tevê. É possível, já que na tela da tevê muitos se deixam (ou fazem questão de) mostrar, expondo os efeitos da tragédia que resulta da nossa dificuldade de ver a nós próprios como meros consumidores de ideias e valores. Tão embaçadas de água benta, nossas vistas se contentam em contemplar as tragédias na tela da tevê...

04/03/11

Quando falta o apoio mútuo

Há sempre alguém que, pelas mais variadas razões, precisa do outro. Pelos mais diferentes motivos, aceitáveis ou não, há quem dele necessite até morrer. Veja as mães cujos filhos são portadores de grave deficiência física e/ou mental e/ou emocional: quantas delas, várias com idade avançada, não carregam no colo ou nas costas seus filhos adultos em busca de atendimento médico! Como são fortes essas mulheres! De onde tiram tanta energia? Como lutam pela vida dos filhos! Seriam, conforme certos darwinistas, os perdedores na competição pela vida? Seriam os indivíduos mais fracos da espécie?

Há pessoas que não precisam dos outros por tanto tempo. Mas necessitam – algumas vezes, necessitam bastante – por algum tempo. Não são dependentes de assistência, mas carecem de cuidado e atenção, ao menos durante um período. Caso não sejam atendidos, caso não encontrem a solidariedade, caso falte o apoio mútuo, aí, então, tudo fica muito difícil...

Restam, então, poucas saídas, dentre elas, a agressão, o sofrimento e a morte.

Utilizar-se de toda e qualquer forma de agressão ao outro é muito comum a quem se vê – e realmente se encontra – sozinho no mundo. Poderia ele dizer: por que não intimidar, roubar, machucar e até acabar com a vida do outro, já que ninguém liga pra mim? Ou então: por que respeitar quem quer que seja se absolutamente ninguém me respeita? É possível que não haja maior tristeza e solidão do que viver com a certeza de não ser aguardado e querido por alguém... de que tanto faz existir ou não... É possível também que sejam poucos os sentimentos humanos de alguém que é tratado como coisa qualquer.

Qual é o tamanho do sofrimento para quem o sentir-se humano é coisa rara ou até mesmo um sentimento inexistente? Quanto suporta o corpo e a mente de alguém que se vê como um ser que não é percebido? Sofrimento é o mesmo que miséria, penúria, padecimento; é o mesmo que dor. E nada pode ser pior que a dor dor física e/ou emocional provocada pelo total esquecimento. A dor paralisa e impede qualquer reação.

Morrer, então, é a última e única saída, é despedir-se de um lugar para o qual nunca foi bem recebido, é dizer adeus a quem jamais percebeu sua existência. Nessas condições, morrer é, sobretudo, ato de descanso para quem o tempo de viver não foi o tempo da convivência humana. Infelizmente!

24/02/11

Sobre fome e miséria

No vídeo abaixo, um médico todo empolgado fala dos avanços da saúde no mundo. Entre outras coisas, ele tem a pachorra de dizer que “assistimos a 200 anos de progresso notável”...
Fico pensando em que mundo esse “médico” (interessante notar que o termo médico quer dizer pensador...) vive, com quem ele conversa, que tipo de coisa lê (se é que lê alguma coisa) etc. Certamente é mais um arremedo (mais uma caricatura ridícula) de ideólogo dessa sociedade estúpida que insistimos em manter...
Veja o vídeo e depois leia dados oficiais sobre a miséria (e fome) no mundo e no Brasil:

Tomando como base uma população mundial de 6,8 bilhões de pessoas, são estes os dados:
  • 1,02 bilhão têm desnutrição crônica (FAO, 2009)
  • 2 bilhões não têm acesso a medicamentos (www.fic.nih.gov)
  • 884 milhões não têm acesso a água potável (OMS/UNICEF 2008)
  • 924 milhões de "sem teto" ou que vivem em moradias precárias (UN Habitat 2003)
  • 1,6 bilhão não tem eletricidade (UN Habitat, “Urban Energy”)
  • 2,5 bilhões não tem acesso a saneamento básico e esgotos (OMS/UNICEF 2008)
  • 774 milhões de adultos são analfabetos (www.uis.unesco.org)
  • 18 milhões de mortes por ano devido à pobreza, a maioria delas de crianças com menos de 5 anos (OMS)
  • 218 milhões de crianças, entre 5 e 17 anos, trabalham em condições de escravidão ou em tarefas perigosas ou humilhantes, como soldados, prostitutas, serventes na agricultura, na construção civil ou na indústria têxtil (OIT: A Eliminação do Trabalho Infantil: Um Objetivo a Nosso Alcance, 2006)
  • entre 1988 e 2002, os 25% mais pobres da população mundial reduziram sua participação na riqueza global de 1,16% para 0,92%, enquanto que os 10% mais ricos acrescentaram mais riquezas, passando de 64,7 para 71,1% da riqueza produzida mundialmente
  • os 6,4 % de aumento da riqueza dos mais ricos seriam suficientes para duplicar a renda de 70% da população da Terra
No Brasil (Pesquisa de Orçamentos Familiares (POF) 2008/2009)
  • 9,2% dos brasileiros “normalmente” não comem o suficiente
  • 26,3% “às vezes” passam fome
  • 64,5% “sempre” comem o suficiente
  • no Norte e Nordeste, cerca de 50% das famílias se referiram a insuficiência na quantidade de alimentos consumidos
  • no Sudeste, pouco acima de 29%
  • no Sul, próximo de 23%
  • no Centro-Oeste, 32%
  • 51,8% das famílias afirmaram que os alimentos consumidos nem sempre eram do tipo preferido
  • 65% declararam algum grau de insatisfação com o tipo de alimento que consomem

05/02/11

Meu livro


Editora: INSTITUTO GENS
Autor: Donizete Soares
Ano: 2011
Páginas: 106
Formato: 14 X 21


"CONSIDERAÇÕES INICIAIS
O que você vai encontrar aqui é uma série de ideias sobre deus, religião, política, governo, indivíduo, sociedade, amor, revolução, relações humanas...
Só que as ideias que você vai encontrar aqui são bem diferentes das que estamos acostumados a ouvir desde crianças.
Diferentes, porque partem de pessoas que ousaram pensar diferente. De gente que, embora adestrada assim como você e eu, resolveu sair do cercadinho e não reproduzir o pensamento pensado, aprovado e apresentado como oficial e verdadeiro.
Pensar diferente é buscar compreender o mundo a partir de outros modos. É mudar o ponto de vista. É entender que mudar o ponto é também mudar a vista.
É deslocar-se constantemente. É olhar os outros, a natureza, a sociedade e a si mesmo de outro modo. Isto é pensar diferente.
Depois de apresentar o que se entende, aqui, por ideias Libertárias, o texto aborda, de modo livre, alguns temas levantados estudados por autores como Godwin, Stirner, Proudhon, Bakunin, Thoreau, Tolstoi, Kropotkin, Malatesta e Emma Goldman.
Quem são (ou foram) essas pessoas? São pensadores e ativistas, entre outros, que fazem (fizeram) severas críticas aos modos de organização social, econômica, política e cultural que se apóiam em qualquer forma de governo, poder e autoridade.
Suas ideias são verdadeiros convites para que as pessoas (você e eu) jamais se esqueçam que, antes e acima de tudo, são indivíduos e, como tal, nunca devem deixar de ser considerados.
Mais ainda: são pensadores e ideias que em nenhum momento perdem a esperança no ser humano.
Ao contrário, apostam fortemente na razão e na capacidade do homem superar a ignorância, o egoísmo, o individualismo, e optar pela fraternidade e pela solidariedade."

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Para receber o livro via correio, envie seu endereço completo e o comprovante de depósito no valor de R$ 20,00 (taxa inclusa) na conta 2779.0 / agência 1201.7 / Banco do Brasil, em nome do INSTITUTO GENS DE EDUCAÇÃO E CULTURA, para gens@portalgens.com.br

Caso esteja em São Paulo, você pode retirá-lo na Av Henrique Schaumann, 125 - mas é preciso agendar o horário, uma vez que não tem gente lá o dia todo... Neste caso, o preço é R$15,00

Para entrar em contato comigo, escreva para donizetesoares@gmail.com

01/02/11

Penso (e sinto) assim também

“Se você não concordar
não posso me desculpar
Não canto pra enganar,
vou pegar minha viola
Vou deixar você de lado,
vou cantar noutro lugar”

Disparada
Geraldo Vandré


Veja e entrevista de Geraldo Vandré, depois de décadas: http://globonews.globo.com/Jornalismo/GN/0,,MUL1620961-17665-337,00.html

21/01/11

Não fosse a solidariedade...

Quem de nós já não passou por momentos difíceis na vida? Quantas vezes vivenciamos situações que pareciam não deixar nenhuma saída? Felizmente, a maioria de nós consegue, de alguma forma, se livrar dessas encruzilhadas, se equilibrar e seguir adiante. Nem todos, contudo, podem dizer o mesmo. Há os que chegam ao fundo do poço, e por muito pouco não sucumbem...

Embora os meios de comunicação social prefiram fazer shows com a miséria humana, escrevendo, falando e mostrando o que há de mais baixo, tacanho e enfadonho que pode chegar um ser humano, há pessoas generosas que não medem esforços no sentido de amenizar o sofrimento de muita gente. Conseguindo olhar além de si mesmas, dos seus próprios umbigos, essas pessoas verdadeiramente salvam (nada a ver com o discurso igrejeiro) a vida de seus iguais.

Não falo, evidentemente, dos que exploram o trabalho de seus funcionários e não pagam impostos sobre suas riquezas, por exemplo, e depois, para aliviar a consciência, praticam a tal caridade cristã. Também não me refiro aos que, para se mostrarem bonzinhos, fazem doações (vultuosas ou não) para instituições de caridade ou ONG's que acalmam – para não dizer reprimem – as possíveis reações dos que vivem em situações miseráveis, quase sempre provocadas justamente por eles. Seguramente, a miséria social e econômica a que milhares de seres humanos estão submetidos não é menor que o nível de miséria humana almejado e sustentado por quem consegue pegar para si próprio a riqueza que é produzida pela grande maioria...

Mas, voltando aos solidários, o que os mobiliza? Que sentimento é esse que faz com que alguém deixe de lado os próprios interesses para se interessar pelos outros, não importando, sobretudo, quem são esses outros? O que o leva a deixar de “ganhar dinheiro” com suas habilidades e seu profissionalismo, e dedicar parte do seu tempo ao outro sem pensar e querer nada em troca?

A resposta é uma só e tem a ver com o sentimento mais antigo que o homem desenvolveu: o apoio mútuo, o que há de verdadeiramente nobre na história da humanidade, a razão pela qual o ser humano conseguiu sobreviver durante tanto tempo na terra. Se desde o princípio tivéssemos que enfrentar o tipo de sociedade que hoje mantemos, muito provavelmente a espécie não existiria.

Enganam-se, pois, os que afirmam que a competição é a mola mestra da sociedade – interpretação tendenciosa da teoria da evolução do Darwin. São, no mínimo, falaciosas as afirmações de que a vida em sociedade é uma contínua competição, que somente os “melhores” vencem, que o mercado é o campo ideal pra vencer na vida... Enganados, destratados e dilacerados por dentro, não são poucos os que repetem, sem pensar, afirmações como estas.

Faz sentido, isto sim, a o que disse o geógrafo Kropotkin: nenhuma espécie sobreviveria – a humana, inclusive – se, a princípio, os iguais não se juntassem e, assim, se fortalecessem. Não fosse o sentimento de estar junto, de uns apoiarem os outros, a necessidade de ser gregário, isto é, de viver em grupo e coletivamente enfrentar as adversidades naturais e os animais muito mais fortes e maiores que os humanos, certamente não habitaríamos a face da terra há muito tempo.

23/08/10

Democracia Representativa

No começo do fim do mundo grego, os atenienses inventaram a democracia como forma de governo: nada de rei, nada de um legislador, nada de um mandar e os outros obedecerem. O governo, diziam, deve ser de todo o povo; o poder deve estar distribuído na sociedade.

Na época, cerca de 2500 anos atrás, entendia-se por sociedade o grupo dos senhores (homens adultos) que não precisava trabalhar para sobreviver. Quem os mantinha vivos eram os escravos, 1/3 da população, que girava em torno de 300 mil habitantes.

Como se vê, uma situação bastante confortável para 10% dos habitantes que podiam discutir e decidir sobre os rumos da sociedade. Tinham plenos poderes políticos e não representavam ninguém, a não ser a si próprios. Para manter seus interesses, utilizavam-se de discursos muito bem elaborados e, dessa forma, convenciam (ou não) os outros cidadãos.

Essa forma de governar inspirou os burgueses de há pouco mais de 200 anos, quando conseguiram tirar os poderes da igreja católica e dos reis. Diziam que não era justo todos terem de acatar as ordens de alguém que herdou poderes simplesmente porque era filho ou neto ou bisneto de alguém que, outrora, foi reconhecido como todo poderoso. Ou então que tais poderes tinham origem na vontade divina.

Estavam certos de que a forma de governo ideal era a que os gregos haviam inventado. Muito boa essa ideia de “governo do povo, pelo povo e para o povo”, diziam e continuam dizendo. O povo é soberano, sabe o que quer, é sábio; a voz do povo é a voz de Deus – não se cansavam e não se cansam de repetir.

Mas como eram e são outros os tempos, e considerando o fato de que há coisas que mudam e coisas que não mudam, a forma de governo, embora devesse e deva ser a mesma, não podia e não pode ser exatamente igual. Era e é preciso manter e, ao mesmo tempo, mudar: manter o discurso, mas mudar a prática que decorre do discurso. Em muitos aspectos, precisava e precisa ser bem diferente.

O mais importante desses aspectos, quer dizer, aquele que garante a alteração de todos os outros, é que os membros das sociedades atuais não podem, eles mesmos, defender seus interesses. Não pode ser possível, não daria certo – afirmavam e ainda afirmam. Por quê? Ora, porque nem todos possuem as condições necessárias para discutir e decidir sobre o que é mais importante para a vida social. Além de despossuída, a maioria é desqualificada, ou melhor, incapacitada para o exercício do poder que exige, sobretudo, espírito público. Nem todos estão preparados para uma ação tão nobre e desprendida, ação que tem como objetivo principal lutar pelo bem de todos...

Filósofos, políticos, escritores etc. trataram de escrever milhares de teses, artigos e discursos pra dizer que você e eu somos incompetentes pra discutir e decidir sobre as nossas vidas. Mais: que nós devemos escolher pessoas mais aptas, mais corretas, mais justas e mais sábias, a fim de que elas, com o nosso consentimento, digam o que podemos e devemos fazer conosco mesmos.

Foi assim que nasceu a tal “democracia representativa”. O discurso é o mesmo, mas a prática decorrente dele é outra coisa: através do voto, o sujeito escolhe (em alguns lugares, como no Brasil, escolhe obrigatoriamente) alguém para, com a sua autorização, discutir e decidir o que é melhor para todos. Mais: embora o faça secretamente junto a urna que afirmam ser inviolável, o sujeito deixa claro, publicamente, que ele próprio é desqualificado e incapaz de discutir e decidir sobre o presente e o futuro de todos os membros da sociedade.

03/08/10

Que história, não?

Triste, doloroso, infeliz, desgraçado, medíocre, desprezível, baixo, deplorável – que outros adjetivos há para qualificar o que o homem tem feito de si mesmo e do outro no decorrer dos tempos?

Uma breve consulta aos textos de história geral dá todos os elementos para qualquer um de nós afirmar que a história do homem é a história da exploração do homem pelo homem. Aliás, o que chamamos história da humanidade é a constatação de não haver limites para esse tipo de exploração. Nada, mas nada mesmo, impediu e impede esse ser, que chamamos humano, de desgastar e esgotar outro ser igual a ele.

O interessante, contudo, é que o homem, na medida em que submete o outro, torna-se submisso de quem aceita a submissão, estabelecendo entre eles um tipo de relação que é lamentável. Longe da condição de sujeitos que realizam ações, não passam de objetos sofrendo ações decorrentes das condições que ambos definiram para si mesmos. Os laços que criam são correntes que os mantém interna e externamente dependentes um do outro.

Mais uma vez, tem razão Marx, quando diz que ainda não saímos da pré história da humanidade.

07/06/10

Copa do Mundo! Que canseira, não?

Chega a ser entediante toda essa falação sobre a copa do mundo de futebol. Rádio, tevê, jornal, revista... todos querem dar aquela informação que estava escondida no bolso de quem esteve em algum lugar que só ele sabia e que somente agora vem a público... Estatísticas, então, aparecem de tudo quanto é possível contar: de gols, evidentemente, mas também de quantas vezes a bola quicou na frente, atrás, do lado desse e daquele jogador; de quantos passos o árbitro se valeu para anotar uma infração; de erros de passes a quanto cada um deu de cusparada no chão...

Que coisa chata!

Levantam as mais incríveis histórias de não sei quem, comparam, condenam, elogiam. Falam do braço quebrado de um jogador, assim como falam da pinta que um outro sujeito tem lá onde (até hoje) não pode ser mostrado. Contam a história do rasgo da bola e como os cravos influenciam o chute certeiro ou errado do atacante. E por aí vai...

E o mais chato ainda é um repórter, jornalista, apresentador – sei lá como chamar essa gente! – inevitavelmente repetir o que o outro já disse. Esteja certo de que o você ler, ouvir ou ver numa mídia, você vai ler, ouvir e ver na outra, exatamente como diz Bourdieu em “sobre a televisão”: a imprensa escreve para a imprensa... As mesmas notícias neste canal (rádio, tevê, mídia impressa) estarão repetidas em todos os outros.

Que canseira, não?

Definitivamente, não estou nem um pouco preocupado se o time do Dunga vai ser campeão ou não. Sempre gostei e continuo gostando de futebol. Joguei muito antes de, numa partida, me estourarem o joelho – razão pela qual há muito não sei, na prática, o que é correr entre as quatro linhas em direção às traves do gol.

Era um outro tempo, claro! Não tinha cartola, não tinha jogos politiqueiros, não tinha grana, prêmio ou coisa que o valha. Eram apenas jogos, brincadeira séria em que ganhar ou perder era tão somente uma consequência óbvia do jogo...

Não, isto não é saudosismo. Nada a ver! É crítica mesmo a esse nosso tempo em que as únicas coisas que importam – tanto no futebol como na vida – são competir e ganhar. Só isto!!!

Jogar e brincar são coisas do passado. “Não estão de acordo com os novos tempos”, dizem os “comentaristas” do “esporte” atual. Tudo entre aspas mesmo, porque de minimamente sério e crítico essa gente, com raras exceções, não tem nada. Assim como os “professores” (não é assim que os jogadores chamam os “técnicos”?), são meros e pobres funcionários dos donos da grana, esta sim os grandes ganhadores dos “esportes” oficiais do nosso tempo.

Pra mostrar serviço que justifique seus salários (às vezes, altos salários, mas incomparavelmente menores aos lucros que geram os seus serviços), enchem o saco da gente com um monte de informação que, a rigor, não serve absolutamente para nada.

Se o torneio da copa do mundo, assim como os nossos campeonatos nacionais, fossem decididos no campo de futebol, eu não escreveria nada disso.

16/05/10

Borba Gato na Virada Cultural???

Será que os organizadores da Virada Cultural paulistana conhecem um pouquinho só da história do nosso país?

SE conhecem, é uma lástima terem colocado aquela estátua do Borba Gato no vale do Anhangabaú. Lástima, não! Um desrespeito ao nosso povo...

Eu e muita gente ficamos indignados com a presença daquela coisa enorme em meio a tantas outras certamente interessantes e que nos “enchem a alma de alegria”. Vimos um grupo de três rapazes fazendo apresentações circenses, que desopilam o fígado da gente de tanto rir com as coisas simples que faziam num pequeno palco diante de dezenas de pessoas, muitas delas crianças... Uma delícia!!! Andamos um pouco mais e, ao belo som do jazz, presenciamos outras pessoas fazendo painéis bonitos. Mais à frente, grandes insetos mecânicos, coloridos e iluminados eram seguidos por uma pequena multidão com câmeras e celulares registrando tudo. Interessante!

De repente, uma estátua que ora estava num lugar, ora noutro. Não demoramos perceber de quem era... “Mas o que é isto?” Ora, ninguém mais que um dos grandes matadores de índios e negros que, não faz muito tempo, habitavam esta terra. Os primeiros, porque vivam por aqui há milhares de anos e os segundos, porque – cada vez menos de nós sabem – eram de outras terras e para cá foram trazidos como escravos; muitos foram mortos porque fugiam dos açoites e da vida miserável a eles reservada...

Agora, SE os organizadores não conhecem a história desse homem (poderá ser chamado de homem quem mata outros homens?), sugiro que pesquisem um pouco. Basta abrirem um livrinho qualquer de história do Brasil, quando fala dos Bandeirantes e, com um pouquinho só de crítica, leiam o que dizem sobre 'homens' como o Borba Gato.

Pois é este o sujeito que a Virada Cultural paulista quer homenagear? Como assim?

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ET: caso não tenham tempo para pesquisas mais profundas, leiam este breve texto que achei na internet:

Os Bandeirantes foram os homens valentes, que no princípio da colonização do Brasil, foram usados pelos portugueses com o objetivo de lutar com indígenas rebeldes e escravos fugitivos.

Estes homens, que saiam de São Paulo e São Vicente, dirigiam-se para o interior do Brasil caminhando através de florestas e também seguindo caminho por rios, o Rio Tietê foi um dos principais meios de acesso para o interior de São Paulo. Estas explorações territoriais eram chamadas de Entradas ou Bandeiras. Enquanto as Entradas eram expedições oficiais organizadas pelo governo, as Bandeiras eram financiadas por particulares (senhores de engenho, donos de minas, comerciantes).

Estas expedições tinham como objetivo predominante capturar os índios e procurar por pedras e metais preciosos. Contudo, estes homens ficaram historicamente conhecidos como os responsáveis pela conquista de grande parte do território brasileiro. Alguns chegaram até fora do território brasileiro, em locais como a Bolívia e o Uruguai.

Do século XVII em diante, o interesse dos portugueses passou a ser a procura por ouro e pedras preciosas. Então, os bandeirantes Fernão Dias Pais e seu genro Manuel Borba Gato, concentraram-se nestas buscas desbravando Minas Gerais. Depois outros bandeirantes foram para além da linha do Tratado de Tordesilhas e descobriram o ouro. Muitos aventureiros os seguiram, e, estes, permaneceram em Goiás e Mato Grosso dando início a formação das primeiras cidades. Nessa ocasião destacaram-se: Antonio Pedroso, Alvarenga e Bartolomeu Bueno da Veiga, o Anhanguera.

Outros bandeirantes que fizeram nome neste período foram: Jerônimo Leitão (primeira bandeira conhecida), Nicolau Barreto (seguiu trajeto pelo Tietê e Paraná e regressou com índios capturados), Antônio Raposo Tavares (atacou missões jesuítas espanholas para capturar índios), Francisco Bueno (missões no Sul até o Uruguai).

Como conclusão, pode-se dizer que os bandeirantes foram responsáveis pela expansão do território brasileiro, desbravando os sertões além do Tratado de Tordesilhas. Por outro lado, agiram de forma violenta na caça de indígenas e de escravos foragidos, contribuindo para a manutenção do sistema escravocrata que vigorava no Brasil Colônia.


http://www.suapesquisa.com/historia/bandeirantes/

20/03/10

Para vender mais

Há uma pesquisa no site da bbc perguntando aos internautas o que eles pensam sobre o fato de que algumas empresas querem entrar nos cérebros dos consumidores para saber como eles respondem aos anúncios publicitários. Afirma que elas estão utilizando a "electroencefalografia", técnica até agora usada para o diagnóstico de doenças como a epilepsia. Desse modo, sabendo dos gostos e costumes dos consumidores, fica mais fácil para elas criarem produtos personalizados...

Que coisa, não?!

Penso que convém avaliarmos nossos conceitos e falas, não raro, carregados por um "otimismo tecnológico", particularmente em relação à internet. Se procurarmos saber sua origem (onde e quando) e, sobretudo, quem tem tanto interesse em que ela seja isto que já é - além do que vem por aí - muita coisa certamente vai ficar clara...

E os cientistas, ou melhor, certos cientistas que colocam seus saberes – quase sempre adquiridos em universidades públicas, portanto bancadas por toda a população – em favor de quem nos vê e nos trata apenas como meros consumidores?

É claro que as redes sociais, por exemplo, são fantásticas, e temos mais é que participar delas. Triste e preocupante é saber que é justamente sobre elas que recaem os interesses e pesquisas sobre como podemos ser mais e melhores compradores das quinquilharias que as empresas querem nos enfiar goela abaixo...

13/03/10

Ética e Conhecimento

Nos enganamos quando entendemos e praticamos uma educação para o conhecimento. Seria diferente se entendêssemos e praticássemos uma educação para a ética.

Estamos certos de que quanto mais sabemos isto e aquilo, mais estamos em condições de decidir sobre nossas vidas e sobre as vidas dos outros... Acreditamos nos ideais do Iluminismo, que garantia os saberes fundados na razão como absolutamente fundamentais para o crescimento do homem e das sociedades. Acalentamos a ideia de que quanto mais conhecimentos o homem detém, mais ele sabe discernir o que o leva e o que não o leva ao caminho da felicidade.

Tudo tem indicado, contudo – e a história confirma! –, que esse engano tem nos levado, isto sim, a tomar decisões cujos desdobramentos provocam os mais diversos tipos de dissabores, tristezas, dores... devidamente acompanhados das mais diferentes formas de violência.

Definitivamente, não temos conseguido ser felizes! Ou é possível ser feliz convivendo com a corrupção dentro de casa, na escola, na empresa, no trabalho, na rua, nos governos? Dá pra ser feliz sabendo do quanto nossas crianças são maltratadas pelos próprios pais e professores? Tem como ser feliz quando é preciso inventar leis para proteger os idosos? Podemos falar em felicidade se temos medo de andar na rua, de ser assaltado, violentado e morto, uma vez que o que vale mesmo é quanto dinheiro temos no bolso e no banco?...

Houve um tempo que a educação do homem era, antes, para a ética e, depois, para o conhecimento. Primeiro, formava-se a criança para o que é mais importante na vida: nascer, viver e morrer com dignidade – era isto o que efetivamente interessava e importava. Depois, ensinava-se os saberes necessários para a vida individual e coletiva.

Faz tempo que isso mudou. De tão ansiosos, carentes e satisfeitos com as novidades, nos esquecemos do nosso passado; quantos de nós ainda se dão ao trabalho de estudar nossa história?

É claro que nem todos os que formavam o que chamamos de povo grego se ocuparam com a ética. É claro que nascer, viver e morrer com dignidade não eram verbos conjugados com a existência da maioria daquelas pessoas. Mas uma coisa é certa: não foi por acaso que a civilização grega se tornou o grande paradigma do mundo ocidental; não foi por acaso o fato de que foram eles, uns poucos gregos, os criadores da maioria das coisas que admiramos, como a arte, a matemática, a arquitetura, a filosofia, a democracia...

09/03/10

Preconceito não se discute

E ponto final. Simplesmente porque não há o que discutir.

Ora, se é pré-conceito, algo sobre o qual tudo o que se tem a dizer é “acho que”, o mais indicado é ficar quieto. Quando não se tem o menor conhecimento sobre algum tema, convém mesmo é fechar boca e deixar burilar o pensamento. “Em boca fechada, não entra mosquito”, não é assim? E nem sai besteiras, podemos completar.

Pois que elas fiquem pra lá e pra cá dentro de nossas cabeças até se transformarem em algo que faça algum sentido, ou que se juntem às outras tantas que vez ou outra nos lembramos e logo esquecemos...

Que importância pode ter uma opinião sem fundamento? Merece respeito alguém que diz algo sem pensar racionalmente, simplesmente repetindo o que o outro disse? Pode ser levado a sério quem não se dá o trabalho de rever e repensar o que lhe foi ensinado e o que efetivamente ele aprendeu?

Qualquer tipo de preconceito expressa ignorância, isto é, agnosia ou desconhecimento, desinformação, incompreensão... Numa palavra: estupidez. Vale dizer: ausência de inteligência, de bom senso, de discernimento.

Então, dá pra discutir preconceito?

13/02/10

Brasilia é a cara do Brasil

Evidentemente, não há prazer algum em afirmar isto. Ao contrário, é triste e vergonhoso! Mas, pelo que tudo indica, parece que é isto mesmo...

Aliás, é sempre assim: o pai e/ou a mãe é a cara da sua família; a escola é cara do seu diretor ou diretora; a sala de aula é a cara do professor ou da professora; qualquer instituição, pública ou privada, tem a cara do seu corpo diretivo, em especial de quem responde publicamente por ela...

O mesmo acontece com os governos municipal, estadual e federal.

É claro que nem todos os que, de uma forma ou de outra, participam de qualquer uma dessas organizações são condescendentes e partilham das opiniões e ações de seus "líderes". Mas, o que vale, o que vinga e o que é socialmente conhecido (e reconhecido) são justamente o pensamento e a ação dos seus "representantes"...

Pois é! Coisas da democracia representativa...

Chato, né?

09/02/10

Eu tenho valor

Vasculhando os arquivos do meu computador, encontrei o texto abaixo.

Veja que interessante, sobretudo numa época em que o indivíduo é, ao mesmo tempo, totalmente desvalorizado e enaltecido como nunca. Ou melhor: como gente, como ser humano, ele tem muito pouco valor; como consumidor e, portanto, comprador de tudo quanto é quinquilharia, é ótimo, aceito e bem recebido em qualquer lugar...

Leia o texto e não deixe de comentar.


EU TENHO VALOR

APXSAR DX NOSSA MÁQUINA DX XSCRXVXR
SXR UM MODXLO ANTIGO, FUNCIONA BXM,
COM XXCXÇÃO DX UMA TXCLA.
HÁ 42 TXCLAS QUX FUNCIONAM BXM,
MXNOS UMA, X ISSO FAZ GRANDX DIFXRXNÇA.

TXMOS O CUIDADO PARA QUX
NOSSA XQUIPX NÃO SXJA COMO
XSSA MÁQUINA DX XSCRXVXR
X SXUS MXMBROS TRABALHAM COMO DXVXM.

COMPRXXNDXMOS QUX,
PARA UM GRUPO PROGRXDIR XFICIXNTXMXNTX,
PRXCISA DX PARTICIPAÇÃO ATIVA
DX TODOS OS SXUS MXMBROS.

SXPRX QUX VOCX PXNSAR
QUX NÃO PRXCISAM DX VOCX,
LXMBRX-SX DA MINHA VXLHA MÁQUINA DX
XCRXVXR X DIGA A SI PRÓPRIO:

XU SOU UMA DAS TXCLAS IMPORTANTXS
NAS NOSSAS ATIVIDADXS
X OS MXUS SXRVIÇOS SÃO MUITO NXCXSSÁRIOS”.

20/01/10

O valor do prêmio

Nada pode ser mais contrário, oposto, negativo, perverso e sacana do que qualquer tipo de prêmio.

Claro! Este princípio vale pra qualquer atividade que se diz e se apresenta como humanista – o contrário, portanto, de todo e qualquer jogo do mercado... Neste caso, simplesmente vale tudo!!!

Ora, quando se pensa e fala em prêmio, o que mais importa não é o ganhador, mas quem o doa. A rigor, não importam nem a ação ou o conjunto de ações, se tem ou tiveram alguma importância na vida das pessoas, mas a ação de doar. A festa é de quem premia. Os ganhos também, assim como o reconhecimento, sobretudo, dos seus iguais. 

É impressionante como poucos pessoas percebem isso! O sujeito ou a instituição fica feliz, faz questão de exibir o troféu, o diploma, o certificado, o papelzinho ou um símbolo qualquer, e acha que isto é ser recompensado e, portanto, exemplo e modelo para os outros. Não vê que está fazendo parte de um jogo que tem como objetivo dividir e separar os bem intencionados melhoradores da humanidade...

Prêmio, concurso, campeonato etc. tem como princípio a competição. Nada mais interessa! Não atendeu a todos os objetivos? Não fez o que devia ser feito do jeito que devia ser feito? Não soube achar uma saída – quem sabe até trapacear? Não conseguir deixar os outros pra trás? Azar o seu!!!

“O melhor” “O mais” “O único” serve, isto sim, para aprofundar o desrespeito e a desconsideração entre as pessoas. Solidariedade? Companheirismo? Fraternidade? Nada disso – muito embora estes valores, não raro, façam parte dos discursos dos premiadores... e também dos premiados... Que triste!!!

Interessante, não?

10/01/10

Educomunicação não é profissão

Este é o título de um texto meu.

Trata-se de uma crítica à profissionalização da Educomunicação.

Para acessá-lo, clique aqui.

O que você pensa sobre isto?

08/01/10

Cala-boca já morreu - porque nós também temos o que dizer

O título deste post é o nome de um projeto criado pelo INSTITUTO GENS em 1995.

Trata-se de uma proposta de Educação pelos Meios de Comunicação, um trabalho na perspectiva da Educomunicação.

É também o nome da Metodologia de Educomunicação, atualmente adotada em vários projetos espalhados pelo nosso país, que nasceu da vivência do projeto.

Para saber mais sobre esta metodologia, não deixe de ler o texto "Detalhamento da Metodologia Cala-boca já morreu", de Grácia Lopes Lima, fundadora e diretora do GENS. O texto é parte da tese de doutorado em educação defendida pela autora em 2009, na Faculdade de Educação da USP.

02/01/10

Festas de fim de ano: um saco!!!

Estas festas de fim de ano me chateiam. Acho que são mesmo insuportáveis...

Soa falso esse monte de mensagens, em especial os recados animados que povoam a internet e enchem, além do saco, a caixa de email e de mensagens do orkut, por exemplo.

Faz tempo que tomei uma decisão: mando todas para o lixo sem o menor constrangimento. Por quê? Simplesmente porque copiar o que alguém escreveu e enviar pra todas as pessoas não tem valor algum. Pra mim, não faz sentido. Então, lixo... Ora, se alguém quer mandar uma mensagem, que escreva do seu jeito. Aí, sim! Faço questão de responder a cada uma delas...


Soa falso também todo esse auê: trocar presentes, amigo secreto, Feliz Natal, pular onda no mar, soltar fogos etc, etc, etc. Cansa!!!

Quem não se cansa é a mídia oficial, para quem o ato de alimentar essa baboseira toda significa bem mais do que ganhar dinheiro para, dessa forma, ganhar mais dinheiro ainda. O que interessa mesmo é alimentar esse sentimento de que “amanhã será melhor”, “não foi dessa vez, mas não perca as esperanças”, “ano novo renova as forças” e coisas do tipo... Assim, jogando tudo pra depois, esquece-se o presente, adia-se decisões, espera-se que algo aconteça...

Ora, isso enfraquece o homem e o torna ainda mais dependente de tudo e de todos, menos dele próprio. Ano novo começa e acaba todo dia. Cada dia é um novo dia. E somente isto interessa.