22/03/2017

Cáspita!

Quem chegou próximo aos 60 anos viveu, pelo menos duas vezes, todas as fases da vida; é alguém que, com certeza, pode dizer que tem "experiência de vida" e que, teoricamente, sabe o que fala e faz; é alguém que, quando abre a boca, tem o que dizer, e o que diz mereceria um mínimo de atenção e respeito.

Digo mereceria porque, em geral, não é o que acontece. É cada vez mais raro encontrar idos@s com @s quais vale a pena tocar um dedo de prosa.

Mas por que, em geral, isto acontece sobretudo em relação aos mais velhos? Por que o que dizem e fazem é tão igual ao que sempre disseram e fizeram, repetindo o que seus pais e avós também disseram e fizeram? Por que, de fato, em geral, eles não têm o que dizer?
  • Impossível não lembrar o tópico 9 do poema "na trilha", de Plínio Marcos: "cuidado com o papo dos velhos; geralmente, o que dizem é pra justificar a vida miserável que viveram".

Cáspita! Não percebem que o tempo que lhes resta é menor do que o que já viveram? Não se dão conta de que a possibilidade que eles têm de alterar positivamente alguma coisa na vida é menor a cada dia? Ao menos se lembram de que o que falam e fazem nem é em favor de si mesmos, já que em breve estarão mortos e totalmente esquecidos?

Cáspita! Se esse modo de ser e de viver apenas os atingisse poderíamos dizer em alto e bom som "que se fodam'!, que arquem com as consequências dos seus atos miseráveis! Mas infelizmente não é assim. E não é, justamente porque muitos deles, com a conivência de outros, inclusive mais jovens, assumem um tipo de poder que os autoriza a governar a vida das pessoas, metendo o bedelho em tudo o que querem.

Cáspita! Se no decorrer de suas vidas não conseguiram pensar e dizer algo que possa contribuir para as novas gerações, nada que seja diferente da sua 'vida miserável', que tenham a dignidade de não querer que os mais jovens repitam as bobagens que disseram e fizeram. Que assumam que não tiveram capacidade e condições suficientes para mudar o que receberam de seus pais e tenham hombridade para não dificultar a vida dos que virão.

Em tempo


  • Ninguém nasceu ou foi escolhido para ser isto ou aquilo, assim como sobre ninguém pesa a obrigação de sentir, pensar e ser o que qualquer outro quer que ele sinta, pense e seja.
  • Exceto a criança e a pessoa física e mentalmente impossibilitada de decidir por si mesma, cada um é o que quer, consegue e pode ser; portanto, cada um e cada uma é suficientemente capaz de responder pelo que fala e faz.
  • Se desde muito pequenos, temos opiniões, fazemos escolhas e decidimos o que julgamos ser o melhor pra nós e, por vezes, acertamos ou nem tanto, também temos a vida inteira para re-ver e re-avaliar avanços e retrocessos. 
  • Dificultar e/ou inviabilizar a vida dos mais jovens como forma de justificar a 'vida miserável' que levou é coisa de canalha e, portanto, não merece nenhum respeito. 

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