29/04/2017

Duas opções

Quando falamos do que fazer para conseguir o nosso sustento e o daqueles que dependem de nós, você e eu temos duas opções: trabalhar para sustentar o capital ou cuidar do humano. 

Convém lembrar:

  • 1] o termo trabalho vem do Latim ‘tripalium’, o mesmo que instrumento de tortura com três pedaços de madeira; atualmente, há quem diga que ‘todo trabalho é digno’; 
  • 2] ‘sustentar’ é o mesmo que ‘aguentar’, ‘apoiar’, ‘suportar’, ou seja, o que ou quem é sustentado está por cima e quem o sustenta, por óbvio, está por baixo; 
  • 3] ‘cuidar’ é o mesmo que ‘pensar, cogitar’ acrescido de ‘planejar’. ou seja, cuidar de uma situação ou de alguém implica, antes, pensar e planejar o que deve ser feito.

‘Trabalhar para sustentar o capital’ é optar pela sua manutenção. É reconhecer que ele é mais importante que o humano. É aceitar objetiva e subjetivamente que seus valores – em especial, a competição e o consumismo – devem ser aceitos por todos. Mais ainda: é professar publicamente que está de acordo com a concentração da riqueza socialmente produzida.

‘Cuidar do humano’ não é trabalho – nem no sentido original e nem no moderno. Optar pelo ‘cuidar do humano’ é não ter compromisso de sustentar o capital. Capital e Humano se excluem. Competir é um verbo que se conjuga quando o capital é importante. Consumismo é algo contra a natureza e o ser humano. Pensar e planejar o que deve ser feito, portanto, é professar publicamente pelo que se opõe ao capital. 

Entretanto 

Algo estranho acontece com quem se diz interessado em ‘cuidar do humano’ e, de fato, desenvolve ações teoricamente fundamentadas na ideia de que o ser humano é mais importante que o capital:

  • Há quem imagina, por exemplo, humanizar o capital. Acreditam ser possível ‘tornar as relações mais humanas’ em ambientes competitivos, fundados nos princípios da exploração do trabalho humano. Alguns ‘ganham fortunas’ com consultorias e assessorias que, na real, aprofundam ainda mais as diferenças já tão evidentes. A grande maioria dos ‘prestadores de serviços’, certos de que estão contribuindo para o bem de todos, serve, quando muito, tão somente pra justificar os interesses dos servidores do capital. 
  • Há quem esteja certo de que está ‘mudando o mundo’ quando realiza projetos – em especial na área ambiental, mas não só –, contando com as migalhas que recebe do patrocinador – que palavra horrível! Em geral, dependem totalmente da boa vontade de quem decide continuar apoiando ou não as iniciativas para as quais foram contratados. Quando elas minguam ou deixam de existir, bem, mudar o mundo não é mais possível…
  • E há, obviamente, quem financia os que se acreditam portadores de um discurso e uma prática de ‘cuidar do humano’. Quem são eles? Os representantes dos donos do capital. O que querem? Manter o capital o mais distante possível do humano. Mas eles não 'ajudam' – outra palavra horrível – muita gente? Não, eles trabalham para o capital.

Vale dizer

É horrível observar e constatar: em geral, o que se diz e se faz do 'cuidar do humano' é o mesmo que se diz e se faz do ‘trabalho que sustenta o capital’. Em ambos, a ideia e a prática são idênticas: de um lado, trabalhadores operacionais e de outro, os que decidem e fiscalizam; há previsão e cobrança de metas a serem atingidas; o objetivo é o lucro material e/ou imaterial, portanto, acumular a riqueza socialmente produzida... E com um agravante a mais: a terceirização, em especial no ‘cuidar do humano’, que é a expressão mais bem elaborada da precarização.

Não menos horrível, mas sobretudo triste, é perceber o quanto as honestas e boas intenções de pessoas realmente sensibilizadas para com o humano são tratadas – e se deixam tratar pelo capital. Como são enganadas – e se deixam enganar! Como são exploradas – e se deixam explorar!

Mas o que fazer e como fazer para conseguir o nosso sustento e o daqueles que dependem de nós sem trabalhar para o capital? Como sobreviver, isto é, continuar a viver apesar do capital? Como, de verdade, ‘cuidar do humano’ sem ser envolvido e deixar-se envolver pelos que, consciente ou inconscientemente, sustentam justamente um jeito de viver que nos explora?



14/04/2017

Vamos conversar?

Bastam alguns minutos de ‘conversa’ pra perceber o quanto cada um de nós pensa diferente do outro. 

Nem melhor, nem pior. Nem bom, nem ruim. Nem certo, nem errado. Nem mais, nem menos. Mas diferente.

Cada um vê o mundo a partir de um ponto de vista. E o ponto que permite a vista de cada um é único. Não tem como ser igual ou parecido com qualquer outro. Nem mais amplo, nem mais diminuto. Nem mais profundo, nem mais superficial. Nem mais, nem menos. Apenas um ponto que permite uma vista.

O ponto de vista do indivíduo é único porque tem a ver com a história de cada um. E o que define o seu ponto de vista é o que cada um fez e faz com o que ouviu e viu no decorrer da vida. É através dele que o indivíduo vê o mundo. Somente ele sabe o que sente em relação ao que aconteceu e acontece à sua volta. 

A não ser o indivíduo, ninguém é capaz de medir e pesar o sentido de cada palavra. Por conta disso, ele não pode e não consegue falar por ninguém. Do mesmo modo, ninguém pode e consegue falar por ele. A visão de mundo do indivíduo, portanto, é única.

Ou seja, qualquer conversa, pelo menos num primeiro momento, é praticamente impossível. Tanto é assim que, o mais comum, em especial entre pessoas que se acreditam próximas, é recorrer ao velho chavão: “assim não dá… é impossível falar com você”. Os muitos e inevitáveis choques dos pontos de vista simplesmente inviabilizam o que poderia vir a ser uma conversa.

Vale dizer

Para que seja possível uma conversa, é preciso que o indivíduo admita a existência do outro, isto é, perceba que, além de si mesmo, outros indivíduos ocupam o mesmo tempo e espaço que ele. Mas é preciso também que reconheça o outro, isto é, perceba que, assim como ele, o outro só consegue ver o mundo do jeito dele.

  • Conversar vem do latim conversare = junto com + voltar-se para. É o mesmo que virar ou voltar-se para o outro. É estar com alguém e prestar atenção no que ele diz.

Tudo indica que se você e eu não aprendermos, individualmente, a conjugar os verbos admitir e reconhecer, o que seria uma ação essencialmente prazerosa – conversar – pode se tornar em algo que só nos faz entristecer e... ficar solitários.

12/04/2017

Filosofia em Guaianases


De abril a novembro de 2017, estarei ministrando mais um Curso Livre de Filosofia, do INSTITUTO GENS. 
Desta vez, em Guaianases, zona leste da cidade de São Paulo.
Serão 7 encontros com duração de 3 horas cada. Os temas propostos são Alienação, Ideologia, Ética, Tipos de conhecimento, Política, entre outros.
Os participantes são "grupos de pessoas que fazem diversas ações em torno da arte, cultura e algumas paralelamente trabalham em serviços das assistência social", diz Sheyla Melo, responsável pelo convite pra realizar o curso e coordenadora dos Encontros de Filosofia em Guaianases.
Estou certo de que será um prazer enorme estar com essas pessoas, que me dão a oportunidade de ser o professor que eu penso que todo professor e toda professora deve ser: juntamente com @s alun@s, os únicos responsáveis pelos conteúdos que querem trabalhar.

03/04/2017

A boa mãe na primeiríssima infância


De que se trata
De um MiniCurso [2 encontros com duração de 3 horas cada], que discute o papel e a importância do ambiente de nascimento e crescimento inicial da criança.
Esta é mais uma atividade do Curso Livre de Filosofia, do INSTITUTO GENS.

Justificativa
Além de fundamental para o desenvolvimento humano, o período que vai da gestação aos três anos é um vetor de justiça social: se os direitos da criança não forem garantidos, tanto ela como o grupo no qual está inserida, assim como toda a sociedade, sofrem as consequências.
Boas intenções e encantamento com a fase inicial da vida, portanto, não bastam. 

É preciso que a mãe, o pai, a família, os profissionais que atuam nessa faixa etária e os adultos em geral busquem se informar sobre a infância e assumam compromissos em favor do desenvolvimento físico, cognitivo e psico-social da criança pequena. Sem a participação efetiva dos que estão direta e indiretamente envolvidos com o nascimento e o crescimento da criança, sem a atenção necessária e o devido cuidado com o período mais frágil da existência humana, a tendência é tornarmos cada vez mais difícil a convivência social.

Convém, então, que nos apropriemos do tema, que o abordemos sob diferentes aspectos, que o tornemos importante e merecedor de nossa atenção.

O MiniCurso 'A boa mãe na primeiríssima infância' propõe avaliar modos atualmente adotados no trato com as crianças - inclusive em outras culturas, apresentar e discutir ideias, propostas e práticas de estudiosos que contribuam para o desenvolvimento saudável da criança pequena.

Objetivo

Contribuir para que adultos em geral compreendam a criança e, em especial, a importância e a dimensão de suas ações no trato com a primeiríssima infância.

Público

Mães, pais, avós, ti@s, prim@s, amig@s, vizinh@s, cuidador@s e outr@s profissionais de educação e saúde.

Conteúdos

1] Apresentação do conceito "mãe suficientemente boa", do pediatra e psicanalista Donald Woods Winnicott [1896-1971]: o ambiente facilitador promovido por quem cuida de crianças respeita as necessidades de cada uma delas, possibilitando a adaptação e o amadurecimento individual.
2] Outras modalidades de atenção à criança pequena.

Vagas

15 participantes

Quando

11 e 13 de abril, das 14 às 17 horas

Onde

Rua Henrique Schaumann, 125 - PInheiros - São Paulo, SP [próximo à Av. Rebouças]

Responsável

Donizete Soares, professor de filosofia do iGENS

Como participar

1] Realizar depósito ou transferência no valor de R$ 130,00 (cento e trinta reais) para
Banco do Brasil
Agência 1201.7
Conta 2779.0
em nome de INSTITUTO GENS - CNPJ 059.394.247/0001-82

2] Enviar comprovante para igens@portalgens.com.br

3] Preencher e enviar ficha de inscrição.

22/03/2017

Cáspita!

Quem chegou próximo aos 60 anos viveu, pelo menos duas vezes, todas as fases da vida; é alguém que, com certeza, pode dizer que tem "experiência de vida" e que, teoricamente, sabe o que fala e faz; é alguém que, quando abre a boca, tem o que dizer, e o que diz mereceria um mínimo de atenção e respeito.

Digo mereceria porque, em geral, não é o que acontece. É cada vez mais raro encontrar idos@s com @s quais vale a pena tocar um dedo de prosa.

Mas por que, em geral, isto acontece sobretudo em relação aos mais velhos? Por que o que dizem e fazem é tão igual ao que sempre disseram e fizeram, repetindo o que seus pais e avós também disseram e fizeram? Por que, de fato, em geral, eles não têm o que dizer?
  • Impossível não lembrar o tópico 9 do poema "na trilha", de Plínio Marcos: "cuidado com o papo dos velhos; geralmente, o que dizem é pra justificar a vida miserável que viveram".

Cáspita! Não percebem que o tempo que lhes resta é menor do que o que já viveram? Não se dão conta de que a possibilidade que eles têm de alterar positivamente alguma coisa na vida é menor a cada dia? Ao menos se lembram de que o que falam e fazem nem é em favor de si mesmos, já que em breve estarão mortos e totalmente esquecidos?

Cáspita! Se esse modo de ser e de viver apenas os atingisse poderíamos dizer em alto e bom som "que se fodam'!, que arquem com as consequências dos seus atos miseráveis! Mas infelizmente não é assim. E não é, justamente porque muitos deles, com a conivência de outros, inclusive mais jovens, assumem um tipo de poder que os autoriza a governar a vida das pessoas, metendo o bedelho em tudo o que querem.

Cáspita! Se no decorrer de suas vidas não conseguiram pensar e dizer algo que possa contribuir para as novas gerações, nada que seja diferente da sua 'vida miserável', que tenham a dignidade de não querer que os mais jovens repitam as bobagens que disseram e fizeram. Que assumam que não tiveram capacidade e condições suficientes para mudar o que receberam de seus pais e tenham hombridade para não dificultar a vida dos que virão.

Em tempo


  • Ninguém nasceu ou foi escolhido para ser isto ou aquilo, assim como sobre ninguém pesa a obrigação de sentir, pensar e ser o que qualquer outro quer que ele sinta, pense e seja.
  • Exceto a criança e a pessoa física e mentalmente impossibilitada de decidir por si mesma, cada um é o que quer, consegue e pode ser; portanto, cada um e cada uma é suficientemente capaz de responder pelo que fala e faz.
  • Se desde muito pequenos, temos opiniões, fazemos escolhas e decidimos o que julgamos ser o melhor pra nós e, por vezes, acertamos ou nem tanto, também temos a vida inteira para re-ver e re-avaliar avanços e retrocessos. 
  • Dificultar e/ou inviabilizar a vida dos mais jovens como forma de justificar a 'vida miserável' que levou é coisa de canalha e, portanto, não merece nenhum respeito. 

19/02/2017

Convite

Car@s!

Este vídeo é um convite para o Curso Livre de Filosofia do INSTITUTO GENS, do qual sou um dos responsáveis.

Se puderem participar, será um prazer a gente se conhecer e/ou se reencontrar!

Sou muito grato também se puderem compartilhar esta informação com amig@s, colegas de trabalho...





Todas as informações estão disponíveis aqui: goo.gl/QzDyGh e o formulário de inscrição, aqui: goo.gl/9GQAxN

31/01/2017

Conhece o Busiris?

Claro que conhece!

Talvez não com este nome, mas você conhece. Diria até que você sabe muito bem quem é ele... ou ela. Mais ainda: é possível que você @ tenha [ou teve] como alguém que merece [ou mereceu] toda sua confiança. Tanto é que acredita [ou acreditou] bastante nele ou nela. 

Talvez dedique tempo, dinheiro e, sobretudo, se dedique [ou se dedicou] ao que el@ sempre quis e quer de você.

Busiris é o nome de um dos tantos personagens das narrativas míticas dos aedos ou cantadores de grandes feitos humanos na antiguidade grega. Eram o que chamamos hoje de contador@s de histórias.  

O tal Busiris seria filho de Netuno e rei no Egito. Em suas terras, as pessoas passavam fome porque não chovia há muito tempo. Teria ele sido informado, então, que, se matasse os estrangeiros, as terras voltariam a produzir alimentos e, assim, estaria resolvida a difícil situação em que vivia seu reino. Assim, procurar e matar qualquer um que não tivesse nascido em suas terras era o que mais Busiris fazia.

Nesse contexto se deu uma das façanhas de Héracles [ou Hércules, como é mais conhecido]. Ele encontrou ou foi encontrado por Busiris, que também era conhecido pela sua habilidade de enganar as pessoas, apresentando-se e falando como se fosse um sábio. Teria ele dito a Héracles [um estrangeiro em suas terras] que era conhecedor da verdade correta, que tinha respostas às suas perguntas e que, se Hércules ficasse com ele e o seguisse, seguramente estaria no caminho certo... e blá, blá, blá…

Héracles caiu na sua lábia, aceitou o que ele dizia e fez tudo o que ele mandou. Apaixonou-se pelo rei enganador a tal ponto que, sem perceber, foi amarrado e mantido preso por Busiris. Após um tempo, Héracles começou a entender o que estava acontecendo e, então, rompeu as amarras que o prendiam, pegou o rei pelo pescoço e o colocou no mesmo lugar em que havia sido acorrentado. Foi embora e deixou o enganador preso.  

Ou seja, ao acatar a fala de Busiris, Hércules apenas ouviu. Deixou de escutar. Não prestou atenção no que ouvia, não processou a informação, não questionou as respostas que o rei enganador dava às sua perguntas. Vale dizer: Héracles acreditou na lorota e no lero-lero de Busiris, e parou de pensar por si mesmo. Ao invés de investigar por conta própria e agir de acordo com suas conclusões, correndo os riscos de se equivocar e aprender com seus erros, preferiu acreditar e confiar justamente naquele que não tinha outro interesse a não ser acabar com ele.

Felizmente, Héracles percebeu a enrascada em que se metera e agiu rapidamente: desvencilhou-se de quem e do que o prendera, lutou com quem o enganara e o deixara amarrado em suas próprias correntes no mesmo lugar que ocupara. E mais: caiu fora. Afinal, não havia motivo algum pra dirigir a palavra a quem estava unicamente interessado em usá-lo para resolver pendências que não conseguia dar conta sozinho.

E então? conhece ou não conhece o tal Busiris? É difícil reconhecê-lo na família, na escola, na igreja, na empresa, na rua, na mídia...?

O fato é que, em geral, estamos buscando fora de nós mesmos as respostas às nossas perguntas. Ainda não percebemos que tudo é de dentro pra fora, que conhecimento não se adquire. Quantos de nós entendemos que o que é realmente importante a gente aprende, mas ninguém ensina?

A propósito, veja uma cena do episódio 17 da quarta temporada da série Vikings. Tudo a ver!

video



  

23/01/2017

Héracles e seus crimes

Vale considerar o aspecto punitivo das Façanhas de Héracles, mesmo sabendo que a origem de sua trajetória tenha sido definida por Hera, que tudo o que queria era acabar com ele.

‘De fato’, possuído pela loucura, ele matou seus filhos e, para se redimir, submeteu-se a 12 trabalhos impossíveis de serem realizados. Mas saiu vitorioso em todos. 



Observe:
  • sempre atuando juntas, 3 três divindades puniam crimes contra a família, a sociedade e a moral:  Aleto [a que não deixa esquecer], Tisífone [a que uiva e berra, não deixando dormir] e Megera [a que divide]
  • chamadas de Erínias [o mesmo que perseguir com furor], conhecidas como as Fúrias, eram aladas, usavam chicotes, tochas de fogo, tinham o corpo coberto de serpentes, e o que tinham de fazer era executar a vingança divina
  • percorriam a Terra atormentando os mortais culpados de ações que haviam perturbado a ordem, provocando remorso e angústia sem fim
  • agiam também no mundo subterrâneo, torturando almas por terem cometido crimes de impiedade [falta de respeito aos deuses] e perjúrio [falso testemunho]
  • junto delas atuava também Nêmesis, que tinha como objetivo recompor o equilíbrio universal quando ocorria um descomedimento [ou hybris]: enquanto as Erínias perseguiam o culpado, Nêmesis fazia com que ele, embora sofrendo, voltasse para onde jamais deveria ter saído

Penso que os ‘trabalhos de Hércules’ são uma busca de compreensão do ser humano. Os caminhos que ele percorre – decorrentes da punição por crime contra a família, a convivência social e a moral – o levam para o lugar de onde veio: o mundo humano.

Aprender a ser humano é o grande desafio.

Hércules entende que é humano, compreende o que isto significa e o interpreta, isto é, decide o que fazer da vida. Busca o conhecimento de si, do outro, do mundo e assume responsabilidades perante aos outros. Suas façanhas o conduzem no sentido de aprender a viver com e para a humanidade, de deixar a condição de animal para se fazer humano.

14/01/2017

Imagens dos 12 signos

Caso ainda não conheça, sugiro que dedique um tempo a cada uma das imagens abaixo.  São criações especiais de um pintor holandês chamado Johfra Bosschart, que viveu entre 1919 e 1998.

Mitologia e Astrologia são as áreas que, de acordo com os estudiosos de sua obra, ele explora na maturidade. Nos anos 1974 e 1975 ele produziu uma série de pinturas sobre os 12 signos do zodíaco. Suas obras têm a ver com estudos de psicologia, religião, referências bíblicas, astrologia, antiguidade, magia, feitiçaria, mitologia e ocultismo.

Leia o que ele diz sobre esse trabalho em 1981: 
  • "Quando recebi a incumbência de pintar pôsteres dos doze signos astrológicos da Verkerke produções, em 1973, eu sabia que seria inútil adicionar ainda mais exemplos para as muitas centenas de representações que já existiam. Então eu decidi fazer emergir todas as possíveis facetas dos signos através de uma breve meditação e contemplação da figura básica, a qual se torna o principal ponto de concentração. Os diversos símbolos relacionados a um determinado signo, reunidos juntos em uma composição harmoniosa, dariam a cada pintura mais profundidade; eles ofereceriam mais possibilidades ao observador para suas próprias livres associações."

Vale parar e contemplar, principalmente porque tod@s nós temos todos os signos em nossa carta natal. Então, deleite-se!!!












03/01/2017

Mito, razão e autoconhecimento

As narrativas fantásticas - ou mitos - que a humanidade inventou e inventa no decorrer da história buscavam e buscam compreender de onde viemos, o que estamos fazendo aqui e para onde vamos.

São uma forma interessante que conseguimos elaborar na tentativa de explicar e entender a nós mesmos e o tempo em que vivemos. Estudá-las, portanto, é mais que exercitar a natural curiosidade que nos caracteriza. Compreendê-las é uma necessidade, posto que falar sobre elas é dizer de cada um de nós.

público
Especialmente destinado a jovens e adultos, os encontros tratam com profundidade uma série de temas importantes para quem está em busca e/ou já envolvido em processos de busca do conhecimento de si mesmo ou de individuação, conforme Jung.

objetivo
Estabelecer relações entre a trajetória do herói grego e os doze signos.

conteúdos

controle da mente
natureza dos desejos
conhecimento de si próprio
desenvolvimento da intuição
aprender a utilizar o poder e a coragem
consciência de si mesmo
compreensão/integração: equilíbrio dos opostos
controle e superação dos desejos
fim das tendências: uso do pensamento destrutivo
elevação da personalidade
serviço de limpeza e purificação com água
transcendência da animalidade

duração
12 horas divididas em 4 encontros de 3 horas cada

coordenação
Donizete Soares, professor de filosofia

responsável
INSTITUTO GENS [desde 1988]

inscrições
clique aqui

dia 10 de janeiro, terça, apresentação gratuita do curso

O curso acontecerá nos dias 17, 19, 24 e 26 de janeiro, das 19h30 às 21h30