12/05/2018

Astrofilosofia e Terapia

Quero partilhar com vocês os resultados de estudos que há tempos realizo em filosofia e astrologia, em especial com relação à Saúde como integração de mente, corpo e convívio social.


Comumente se diz que isto tem a ver com Temperamentos, ou seja:

  • Quente e Frio, Seco e Úmido são qualidades primordiais que formam o Fogo, a Terra, o Ar e a Água que, por sua vez, formam os corpos
  • cada corpo é uma mistura desses elementos e resulta no que chamamos individualidade
  • mas, no decorrer da vida, des-temperamos e re-temperamos o original, resultando no que denominamos personalidade
  • restam, então, duas opções: des-cobrir a individualidade ou re-forçar a personalidade

Pois bem. O mapa astral indica os elementos e sugere terapias que contribuem para o conhecimento de si mesmo.

Caso lhe interesse, entre em contato comigo [ver box ao lado] ou pelo zap 11 99458-0677.

10/02/2018

Estupidez | ferida da infância

– Você é burro!
– Fala direito, moleque. 
– Vê se aprende a falar, menina.
– Você não sabe nada!
– Não entendi nada do que você falou.
– Aprenda com seu irmão.
– Cala a boca!
– Não sei quando você vai aprender.

Se a criança ouve palavras como estas, dentro dela abre uma ferida enorme. É o mesmo que ser chamada de estúpida ou não inteligente porque ainda não consegue se expressar de forma inteligível. É uma provocação que causa dor profunda como a chaga, uma lesão que não cicatriza.

Isso acontece quando os adultos que convivem com a criança na primeira infância não são capazes de ouvir e dar a devida atenção a ela. Não respeitam o seu tempo e o seu jeito de ser. Não são minimamente sensíveis às suas reais condições naquele momento. Não entendem que não é porque essa e aquela criança ‘se comunica direitinho’ que toda criança tem que se comunicar igual. 

Na vida adulta, essa ferida aberta e a dor profunda causada por ela tendem a levar a pessoa ao medo de expressar seus sentimentos e pensamentos, especialmente se eles desagradam os outros. 

De fato, ela tem medo de não conseguir se explicar, de ser clara e objetiva. Então, busca palavras e conceitos, fala demais tentando racionalizar tudo, mas o que quase sempre consegue é tão somente repetir o senso comum, o acho-que-achei-que-tinha-achado. É possível, inclusive, que tenha necessidade de mentir, especialmente para si mesma, na tentativa de sobreviver à pressão mental.

Vale dizer: a pessoa acredita que só será amada se conseguir ter e dar uma explicação pra tudo.

03/02/2018

Injustiça | ferida da infância

Quando a criança vive num ambiente em que os adultos mais próximos são duros e frios, ela conta com todos os ingredientes necessários para crescer com uma ferida enorme causada por injustiça.

Vale dizer: ela é continuamente desrespeitada.

Crescer com adultos autoritários é sentir e, de fato, ser perseguida o tempo todo: `cala a boca`, `engole o choro`, `não faça isso, não faça aquilo`, `não vá nesse ou naquele lugar`… A criança é sistematicamente provocada. Cabe a ela nada mais que obedecer e cumprir ordens.

Como a primeira infância é o momento marcado pela necessidade ou carência ou dependência, a criança ainda não consegue reagir a tanta provocação. Quando consegue, expressa o sofrimento através do choro, da manha, da birra… Mas nada disso comove o meio autoritário em que vive.

Desafiada o tempo todo a demonstrar capacidade de reagir às provocações, de dar conta do que ainda não consegue, a tendência é que ela venha a nutrir sentimentos de impotência e, pior ainda, de inutilidade. Vai ficando claro pra criança que não merece ser amada, já que não é capaz de responder aos mandos e desmandos.

Na vida adulta, esse sentimento de injustiça - se não foi ou se não é trabalhado - explode num fanatismo pela casa em ordem, pela roupa indefectível, pela mania de cada coisa em seu lugar... A pessoa busca um possível perfeccionismo, tentando minimizar erros e cobranças exageradas na infância. Junte-se a isso a enorme dificuldade ou mesmo incapacidade de tomar decisões, das mais simples às mais difíceis.

Puro sofrimento!

21/01/2018

Traição | ferida da infância

Tudo o que uma criança precisa é ser acolhida. 

Tudo o que a criança necessita é ser aceita. 

Tudo o que a criança quer é ser tratada como alguém que está chegando num mundo ‘pronto’, e ainda não sabe qual é o ‘seu lugar’.

Roupa, brinquedo e a tralha toda de quinquilharia é coisa de adulto. Ser tratada como ‘princesa’ ou como ‘campeão’, por exemplo, não quer dizer absolutamente nada pra ela. Esse modo de lidar com a criança têm a ver, isto sim, com desarranjos de gente grande que transfere pra ela suas carências e seus sonhos. 

O fato é que ser acolhida é muito mais do que receber casa, comida, presente... Ser acolhida é ser considerada, tratada e aceita como criança. É ser atendida em sua necessidade real. Caso isto não aconteça, o que ela desenvolve é um sentimento de traição. 

É possível que toda criança sofra e/ou sinta vários tipos de traição nos primeiros anos de vida. Mas quando elas são intensas e recorrentes, quando são muitas as decepções cotidianas, a criança traduz esse comportamento do adulto como manifestação de desamor. 

Ou seja, se o adulto promete e não cumpre, se diz que vai fazer e não faz, se mente para a criança, pode acontecer dela desenvolver algo como desconfiança e, pior ainda, o sentimento de que ela não merece o que lhe foi prometido. Daí para a inveja é um passo, já que a experiência de não ter sido atendida pode levá-la a não se sentir digna de ter o que os outros têm. 

Vivenciar muitas situações de desamor pode levar a pessoa adulta a querer controlar tudo e todos à sua volta, tentando evitar, como no passado, ser esquecida e injustiçada. Ela desenvolve um permanente e constante medo de ser traída no decorrer da vida.

O sofrimento causado pela traição é uma ferida bem difícil de tratar.

12/01/2018

Abandono | ferida da infância

Em geral, os adultos não percebem. Afirmam que é só brincadeira. Acham graça. Morrem de rir. 

Não compreendem que a noção de tempo e espaço é algo que está sendo construída. E que a criança não diferencia fantasia de realidade – pelo menos não do jeito deles. 

Não entendem que, na infância, ausência pode se o mesmo que abandono.

Quando se escondem e dizem, por exemplo, que ‘papai ou mamãe foi embora porque ficou triste com você’, a criança chora e, de verdade, sofre muito. Quando ameaçam deixá-la sozinha porque fez isto ou aquilo, ela acredita que é isto mesmo que vai acontecer. Quando ‘esquecem’ de buscá-la ou demoram pra ir ao seu encontro, a sensação que ela tem é que, realmente, foi abandonada.

De fato, o abandono é um dos medos mais frequentes na infância.

Mesmo quando os pais e os mais próximos compreendem que, nesta fase da vida, fantasia e realidade se confundem e a noção de tempo é algo que está sendo construída, a situação não é nada simples. Se a criança foi ou é abandonada – ou se é isto que ela sentiu ou sente – é muito difícil o que tende a acontecer daí pra frente. A negligência [ou falta de cuidado ou desleixo ou desmazelo ou preguiça] marca profundamente o corpo e a mente da criança.

Na vida adulta, o medo da solidão e da rejeição levam ao desespero quando não conta com a presença física das pessoas que ama. Ou então, com medo de ser abandonada outra vez, ela tende a se reservar, não se liga a nada e a ninguém. 

07/01/2018

Rejeição | ferida da infância

Sabe aquela sensação de quem não está agradando? De estar num lugar em que os outros ficam incomodados com sua presença? De sentir que não é uma pessoa bem vinda?

Quando se é adulto, alternativas não faltam diante de situações como essas: sair fora, esquecer quem está ali, ir pra outro lugar, desencanar… Há quem faça isso 'numa boa' e deixa pra lá. Outros sofrem muito: o que não falta é gente carregando potes de mágoa e tristeza por se sentirem rejeitados! 

Mas quando se é criança, a situação é diferente: sair fora é impossível; esquecer, menos ainda. O único jeito é chorar e sofrer de modo profundo.

O medo da rejeição provoca uma ferida bem difícil de ser curada – se é que é possível ser curada! –, sobretudo quando sabemos que muitos filhos não foram desejados e que boa parte dos profissionais de educação, de fato, não gosta de criança.

O fato é que não se sentir suficientemente amada e acolhida, ser desvalorizada e depreciada, não receber a devida atenção na infância faz a pessoa criar dentro de si a imagem de alguém que não merece afeto e que não tem lugar num grupo social. Sentir-se como alguém que não é bem vindo fere mais do que violência física!

Criança que se sente rejeitada, ou adulto que se sentiu rejeitado na infância, tende a não se valorizar, a se depreciar o tempo todo, a ser uma pessoa super insegura. E mesmo quando consegue algum tipo de sucesso, é alguém que não aguenta ouvir a menor crítica. Então, foge, fica agressivo ou se recolhe. Em qualquer situação, sofre muito.

O medo de ser criticado tem tudo a ver com o medo de ser rejeitado.

03/01/2018

Humilhação | ferida da infância

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Como sabemos, ferida é um corte. É algo que separa o que estava junto. 

No corpo, é no tecido, ou seja, num conjunto de células que tem uma importante função no organismo. 

A ferida pode ser superficial ou profunda, simples ou complexa e ser causada por ene motivos…

Mas a ferida pode ser também emocional ou psicológica. É quando tem a ver com experiências que nos fizeram sofrer muito no decorrer da vida, principalmente num tempo em que ainda não entendíamos com clareza o que ouvimos das pessoas, especialmente daquelas que acreditávamos piamente que gostavam da gente.  

Vale dizer: a infância é um tempo bem difícil, porque a criança está chegando num ‘mundo já pronto’, definido pelos adultos, portanto, um espaço e um tempo compreensível para os adultos, mas totalmente novo pra criança. Ela tem muito o que aprender e a cobrança é enorme... 

Nesse tempo, uma das feridas mais doloridas na nossa vida é a humilhação: quando sentimos que os outros, em especial os adultos mais próximos, nos desaprovam e nos criticam. Ser chamado de burro ou estúpido ou mau ser comparado com outras crianças chamadas de boazinhas, por exemplo, é algo que destrói a criança, acaba com sua autoestima.

Crescer num ambiente assim pode ter consequências bem tristes: adultos exageradamente dependentes ou verdadeiros ‘tiranos’, em geral, são pessoas que, como mecanismo de defesa, vivem de humilhar os outros como forma de se sentirem valorizadas.

02/01/2018

Pobre não existe. Rico não existe.

Duvido que alguém encontre em toda a história da humanidade ao menos uma pessoa que tenha nascido rica ou que tenha nascido pobre. Duvido que em algum lugar do planeta alguém possa afirmar que é rico ou pobre de nascença.

Pobreza e riqueza são categorias de uma certa antropologia historicamente comprometida com certa visão de mundo segundo a qual viver em sociedade implica diferenciar os homens entre si…

O que existe é pouca gente enriquecida e muita, mas muita gente empobrecida. O que existe é concentração de riqueza e distribuição de pobreza. O que existe, de fato, é que alguns se acham no direito de acumular para si mesmos o que, de fato, é de todos. 

  • A vida é abundante! Não falta terra, não falta ar, não falta água, não falta calor. Toda e qualquer tentativa de controlar a vida é abuso de um lado e ignorância de outro.


A propriedade privada, lembra Rousseau, surgiu quando alguém, depois de convencer uma minoria de que era ‘diferente’ deles, disse “isto é meu”. Como não encontrou quem reagisse – talvez por surpresa mas, certamente, pela força e violência dos ‘convencidos’ –, ele se apropriou do espaço e da riqueza que sempre foi de todos.

  • Desde então, ‘morrer rico’ é o sonho de muita gente. Que miséria!!!

Seus herdeiros, por sua vez, continuam construindo mausoléus pros seus pais nos cemitérios, ao mesmo tempo que, cada vez mais, contam com a ‘surpresa’ e a ‘força’ de quem os mantém na condição de ‘igualmente diferentes’ dos demais. Que pobreza!!!

Ninguém nasce pobre. Ninguém nasce rico. Cada um de nós ou nasce enriquecido ou nasce empobrecido. Sair ou permanecer nessa ou naquela condição tem a ver com acumular ou não acumular para si o que é de todos.

  • A vida é farta. Cultivar a miséria – seja concentrando riqueza, seja admitindo que ela seja concentrada – tem o nome de morte.

24/12/2017

Jesus é um mito

Não tenho nenhuma dificuldade em aceitar a ideia de que Jesus é um mito. 

Ou seja, ele nunca existiu: de verdade, não nasceu na manjedoura, não viveu fazendo pregação e nem morreu na cruz. Tudo isso teria sido inventado por muita gente durante sabedeus por quanto tempo… Ou então, segundo alguns, essa história toda foi criada ou por um pequeno grupo de pessoas interessadas, isto sim, em dar sustentação a mais uma religião – uma mistura de judaismo, helenismo e cristinanismo.

O fato é que as narrativas em torno da figura de Jesus nada mais são do que versões aproximadas de outros mitos, entre eles Krishna, Osíris, Mitra, Héracles… Todas elas tratam da vontade [e necessidade] humana de que o mundo criado pelos humanos [você e eu, portanto] seja mais interessante do que este que temos criado e, principalmente, do que temos feito de nós mesmos.

Gosto muito do mito Jesus!

12/12/2017

Escolhas

A vida ensina que, frente a cada um dos momentos difíceis, a gente tem algumas possibilidades de pensamento e ação. É possível que as mais importantes sejam encarar ou fugir. 

Fugir é mais fácil. Aparentemente, é mais seguro. Parece mais conveniente sair fora, fingir que nada aconteceu e deixar pra lá. É comum a gente dizer que “é assim mesmo”, “não há o que fazer”, “as pessoas não aprendem”, “não vale a pena se desgastar”….

Sem dúvida, é uma saída válida. Não raro, é a única coisa que a gente consegue pensar e fazer. E sinceramente penso que deva ser considerada e até mesmo respeitada. Naquele momento é tudo que é possível fazer.

Mas tudo muda o tempo todo. Ainda bem! Tudo acontece num segundo e, logo em seguida, é outro segundo e outro e outro. O tempo anda, nunca para. A vida segue, a vida flui. E o que a gente pensou e decidiu num segundo não vale mais. Perdeu todo o sentido. Só ficou numa parte da nossa cabeça.

Por outro lado, encarar cada um desses momentos é mais difícil. Parece impossível! Tudo indica que não dá mais…

Pois é! Mas é justamente aí que está a questão: encarar a situação é encarar-se frente a situação. É ter que se re-ver diante dela. É re-viver o segundo. É re-visar o que pensou e fez.

E quando a gente faz isto, percebe que não são poucas as inevitáveis besteiras e bobagens que a gente fala de sopetão, assim como são muitas as coisas que a gente fez e faz sem pensar antes. 

Só que pra agir dessa forma, é preciso ter coragem. É preciso ser humano. É preciso ter compaixão, primeiro consigo mesmo pra, então, compreender o outro. É preciso admitir-se para, depois, admitir o outro.

Nada fácil, como se vê! Mas também nada mais saudável e prazeroso! 

A vida é bem maior que a gente! Nossas “decisões”, especialmente as “definitivas”, são mesquinhas demais se comparadas às boas e gostosas risadas!