25/11/2006

Educação? Não!

Por que uma novela consegue a façanha de ser vista em até 90% dos televisores ligados no país?

Por que o futebol é o esporte mais apreciado por milhões e milhões de brasileiros?


Por que as igrejas evangélicas, em pouco mais de 20 anos, atraem cerca de 20% da população do nosso país?

A resposta para qualquer uma dessas perguntas é a mesma: mídia. O que faz o futebol, a novela, a igreja etc adquirirem e manterem o papel e a importância que têm é a mídia, ou melhor, as mídias.

Emissoras de rádio, tevês, jornais e revistas tratam sistematicamente – cientificamente, eu diria – desses temas em diversos horários ou páginas. Especialistas abordam situações, personagens e atletas, detalham as reações das pessoas frente a milagres operados...

Conseqüentemente, porque são temas que estão presentes todos os dias na vida do povo brasileiro, não são poucos os que entendem – e muito - de futebol, de novela ou das coisas do reino dos céus e outras coisas mais.

Ora, isto quer dizer, entre muitas outras coisas, que a Educação só não é importante pro nosso povo porque os responsáveis e os trabalhadores da chamada grande mídia não a consideram como tal. “É um assunto que não tem retorno” ou “É um tema que não produz impacto” – diriam, provavelmente.

Isto também explica a pouca importância que a Educação tem para o povo brasileiro. Já que é um tema que não aparece com freqüência – como o futebol, a novela, o culto – certamente é porque não deve ter ser relevante; talvez nem deva merecer nossa atenção – dirão muitos, provavelmente.

(Conforme pesquisa do IBOPE, publicada no último dia 17 de novembro, a Educação ocupa o 7º lugar entre as prioridades do país; apenas 15% da população entendem que a Educação é problemática no Brasil.)

Ora, ora! Nada disso é por acaso...

Penso que esse modo das mídias tratarem a Educação – ou falando pouco dela ou, quando fala, destacando seus desacertos e suas deficiências – é um modo de evitar que as pessoas, uma vez ocupadas com a Educação do nosso povo, deixem de consumir os badulaques que elas querem vender e os valores que elas insistem em impor como verdadeiros.

Pergunto: há uma estratégia mais efetiva do que usar o esporte, a novela e a religião para atender tais objetivos?

Um comentário:

  1. Anônimo13:26

    Porque a novela, o futebol e esses circos religiosos são transmitidos no horário nobre e aos programas de caráter educativo resta um horário em que, sabidamente o tão disputado telespectador se encontra nos braços de Morfeu ( alta madrugada)?
    Porque um povo alienado é facilmente manipulado,afinal qual o papel da novela senão vender ideologias? Qual o papel do futebol, senão vender produtos e deixar o indivíduo desligado de todo o mar de lama que assola o país? Aqui se sabe até quando o Fenômeno perdeu seus dentes de leite, mas não se lembra em quem se votou na eleição passada!
    E esse charlatanismo que parece se alastrar como praga na programação televisiva?
    Até a denominação de irmão cedeu lugar a de sócio-colaborador! Capitalizaram a fé!
    A tv se transformou na corda que manipula o marionete com que brincam esses porcos detentores do poder.
    Nessa república de carnaval, indivíduos exibem aparelhos de tv como se fossem falos ( medidos em polegadas e aquele que tiver o maior será o maioral).É para serem ludibriados com som stéreo e em alta definição!
    O único espaço para se educar a grande massa continua sendo a escola, e a qualquer falha desta, o cidadão assistirá no telejornal que é transmitido antes daquela novelinha imperdível que a culpa é dos professores, essa classe que não se importa com a educação!
    Ana Paula Offenstein Teles

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