28/11/2006

Morte às crianças e adolescentes

Segundo o IBGE, em 1980, morriam 47 a cada 1000 crianças nascidas vivas. Em 2004, este número caiu para 26,60.

Avanço importante, sem dúvida. Resultado de investimento público e da ação de muita gente comprometida com a vida, espalhada pelo país afora.

De acordo com o livro "Homicídios de Crianças e Jovens no Brasil, 1980 a 2002", do Núcleo de Estudos da Violência da USP, observe alguns dados sobre o número de homicídios entre crianças e adolescentes de 0 a 19 anos no país, conforme matéria publicada em Adital:

* 16% dos assassinatos cometidos no Brasil foram a pessoas dessa faixa etária
* 14% foram das violações foram cometidas contra crianças e adolescentes
entre 15 e 19 anos, é maior o número de mortes por homicídios do que por acidente de trânsito
* comparando dados coletados em 20 estados brasileiros e em 20 capitais, em 1980 e, nos mesmos locais em 2002, não houve baixa ou tendência de queda nas taxas de homicídio
em São Paulo, as execuções sumárias são a maioria, geralmente em lugares abertos ou públicos, principalmente em vias públicas
* no Rio de Janeiro, predominam os casos de violência policial em favelas
* em Recife (PE) e Vitória (ES) é maior o crescimento na taxa de homicídio
* 55% sofrem violência policial; 86% são do sexo masculino
* a partir dos 10 anos, começam a aparecer casos de linchamento e o número de execuções supera o número de mortes por violência policial: as execuções totalizam 53%

Sabemos que, menos por razões humanitárias, e mais por razões econômicas e políticas, baixar os índices de mortalidade infantil é uma das exigências impostas aos países do chamado terceiro mundo ou em desenvolvimento.

Pois bem, diante desses dados alarmantes, erramos se dissermos que, por falta de políticas públicas realmente efetivas, o que temos feito é tão somente adiar a morte dessa garotada?

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