26/03/2007

Gosto não se discute – há quem diga


Mas isso certamente é um exagero, porque a opção por isso ou aquilo é definida por uma série de variáveis que independem de um possível e desejável sentido puro.

A escolha do prato preferido, do estilo musical ou do tipo de obra de arte, por exemplo, são opções perpassadas por elementos que vão da origem familiar à quantidade de dinheiro que se tem no bolso.

Isto quer dizer que antes, durante e depois de tudo o que possa se referir ao gosto, opção ou preferência por qualquer coisa que seja, necessariamente tem a ver com o meio no qual se está envolvido. Ao mesmo tempo, o indivíduo altera, altera-se e é alterado por outros indivíduos, conforme as circunstâncias que cria ou nas quais se encontra.

Gosto, então, se discute sim. Opções e preferências não caem do céu ou brotam puras em algum lugar. São, ao contrário, construções históricas. São produções coletivas definidas por situações que, juntamente com outros indivíduos, envolvem necessidades e interesses diversos e inevitavelmente conflitantes.

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