08/03/2007

Nada de comemoração


Dia dos pais, das mães, do professor, da secretária, do defunto, da mulher, de são joão, da primavera, de natal... Sempre achei – e continuo achando – um saco essas datas comemorativas!!! E pelo jeito, este meu acho vai continuar por muito tempo...

Em cada um dos 12 meses do ano, há pelo menos uma dessas datas que, longe, mas muito longe do que dizem comemorar, tem apenas um objetivo: movimentar o comércio.


Claro! Vender é preciso! Claro! Consumir é preciso! Claro! Nada mais é preciso!!!


Como expressar que gosta de alguém? Como dizer que ama alguém em especial? Como saber se é querido, gostado, amado ou querida, gostada, amada? Ora, ora, comprando algo pra ele ou pra ela... Ora, ora, ganhando presente dele ou dela...


E dá-lhe oferta, facilidades de pagamento, parcelamentos... carnê – substituto da famosa e antiga caderneta e do também famoso e atual cartão de crédito...


Não interessa se o sujeito vai pagar ou não, se tem ou não tem como pagar. Isto é uma outra história, uma outra página. O que é fundamental é que ele tem que comprar, mas o que é absolutamente fundamental e necessário é que ele leve pra casa o carnê.


Na realidade, o que importa mesmo, o que justifica a propaganda, o que dá o tom das falas emocionadas e apelativas sobre tais datas é tão somente... o carnê.


Faz um bom tempo, estou convencido de que não dá nem pra falar em liberdade, cidadania, cobrança dos direitos a isso e aquilo... quando se tem um carnê pra pagar.


Toda a capacidade e força de alguém – alguém responsável, evidentemente - pra dizer não, pra questionar uma decisão do patrão, por exemplo, ou colocar em xeque a afirmação ou atitude de um outro de quem ele dependa de alguma forma, deixam de existir, são sufocadas, reprimidas, sucumbidas, deixadas de lado porque, afinal, ele precisa do salário com o qual paga o tal do carnê...


Taí uma das mais bem boladas formas da nossa sociedade controlar o indivíduo, de adestrá-lo como se faz com elefantes e pulgas, de torná-lo manso e humilde de coração e de mente e de pés e de mãos, de educá-lo para que se torne um sujeito cumpridor dos seus compromissos de cidadão contribuinte.


Um carnê é, sem dúvida alguma, uma forma de prisão...

2 comentários:

  1. Anônimo10:07

    Edu escreve...

    Mas há sem dúvida alguma uma tendência dos mais 'pobres' consumirem cada vez mais roupas, perfumes, bolsas de grife ou celulares de última geração movidos por campanhas publicitárias com objetivo único vender mais para uma sociedade cada vez mais consumista, vai uma pergunta que pobreza é essa....

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  2. Anônimo15:43

    A mídia tem um apelo tão forte que consegue imprimir cifras até mesmo nas relações humanas!
    Compram-se sorrisos e agradecimentos a perder de vista, em suaves prestações...
    E essa figura tosca do Papai Noel?
    Uma figura criada para uma propaganda de refrigerantes se tornou o maior símbolo do mês de dezembro, com seu pijamão de gosto duvidoso e seu saco de presentes!
    O infeliz do assalariado compra seus presentinhos a perder de vista e esse americano pop é quem leva a fama de "bom velhinho"!
    Ao invés de encomendar presentinhos do papai noel,não seria mais fácil fazê-lo diretamente com o lojista da 25 de março?
    Ah, mas em dezembro o,povo se entope de cidra(comprada no cartão) e não tem cabeça para pensar em mais nada,pelo menos até chegar janeiro, quando o carnê começa a vencer!E aí vem o carnaval e tome carnê para a fantasia do folião e tome cartão para o churrascão.E o comércio agradece a preferência, com um sorriso amarelo de OBRIGADO E VOLTE SEMPRE!(porque sabe que o infelz volta, ah volta)!
    Ana Paula Offenstein Teles

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