26/01/2008

Nós da Educação Escolar no Brasil

São muitos os nós da educação escolar em nosso país. São tantos e tão mal feitos que, seguramente, não sabemos quanto tempo será necessário para desfazê-los e/ou refazê-los.

O mais importante deles, o eixo sobre o qual se movimenta essa máquina chamada escola e, portanto, a educação escolar é, sem dúvida, o profissional de educação – o professor e a professora. É esse sujeito, com seu envolvimento, interesse e comprometimento, principalmente com seus alunos, quem faz a escola ser assim ou assado. Efetivamente, é ele quem dá o tom da educação escolar.

Quando esse indivíduo é mal formado ou mal intencionado, aí, então, as coisas se complicam. Se for do segundo tipo (trabalha na Educação, mas não agüenta mais a escola; diz que é professor ou professora, mas simplesmente não suporta aluno; como profissional, retira mensalmente seu salário por um trabalho que efetivamente não realiza; numa palavra, vive à custa dos mais jovens...), não há o que fazer - a não ser esperar que morra...

Sim, porque quando qualquer profissional chega ao ponto de dizer coisas parecidas com essas sobre a atividade escolhida e/ou aceita por ele é sinal de que se esgotaram todas as possibilidades de alteração do seu modo de ver e tratar o que lhe garante o sustento. Quando esse profissional é o professor, a professora, e ele ou ela chegou ao ponto de não ver a hora de chegar o fim de semana ou o feriado – não porque é realmente um trabalho cansativo, mas porque não suporta mais o que diz que faz – nada mais resta a dizer senão que esse professor ou essa professora somente ocupa espaço. Pior: impede que outros façam o que deve ser feito.

Se, ao contrário, for mal formado, então, a conversa é outra. O resultado de seu trabalho deixa a desejar, não porque ele é desonesto consigo mesmo, com o seu aluno e com a sociedade, mas porque lhe falta formação, conteúdo. Não raro, falta-lhe o essencial em termos de conhecimentos formais. Quantos professores e professoras tiveram ou têm formação teórica minimamente decente no Brasil?

Teoricamente, são os Institutos de Ensino Superior os principais responsáveis por essa formação. São as centenas e centenas de Faculdades espalhadas pelo país, muitas delas faturando muito dinheiro, inclusive com projetos bancados pelo dinheiro público administrado por governos dos três níveis, as instituições que devem responder pela qualidade de formação dos profissionais de educação.

Ocorre, todavia, que muitas dessas Instituições estão longe de oferecer o mínimo que seja. Tão ocupadas com o negócio educação, em geral, não gastam nem mesmo tempo com os formadores dos profissionais de educação. Não investem em suas equipes de professores. Há instituições que se recusam – veja se tem cabimento! – a pagar reuniões dos professores para que eles discutam os conteúdos trabalhados em aulas, as atividades a serem realizadas com os alunos, enfim, o que há e o que deveria haver de pedagógico em suas ações.

Mais: muitos professores que atuam no Ensino Superior, na realidade, não são professores. Quer dizer: não têm formação de professores. Podem entender dos seus respectivos assuntos, podem ser grandes pesquisadores – e muitos, certamente, o são –, mas professores mesmo, gente suficientemente competente para transmitir um determinado saber, seguramente, são poucos. Pouquíssimos, na verdade. Uma coisa é entender (e pesquisar) ciência e outra, divulgar (ensinar) ciência.

É evidente que uma não é mais ou menos importante do que a outra. Ou melhor, é evidente para alguns e, claro, nada evidente para muitos desses pesquisadores. Tanto é assim que não dão a menor bola para o aluno. Costumam dizer “dou minha aula; quem entendeu, entendeu e quem não entendeu, bem, que se vire”.

Quando, por sua vez, esse aluno assume uma sala de aula para lecionar, por exemplo, matemática, ciências, história, língua portuguesa, filosofia, física etc. a tendência é ele repetir o que aprendeu do jeito que aprendeu. A probabilidade de tratar o seu aluno do mesmo modo que foi tratado pelo seu professor é muito grande. Mesmo cursando alguns semestres da tal “licenciatura”, ou mesmo a “complementação pedagógica”, não é simples transformar-se em professor ou professora um aluno ou aluna que tenha passado 4 ou mais anos tendo “aulas” com “professores” nada envolvidos com seus alunos.

Claro, essa relação não é direta e nem definitiva. Há casos em que o novo professor esforça-se para atuar junto aos seus alunos de uma forma que é exatamente oposta àquela dos seus antigos professores. E conseguem. E se dão bem como profissionais, sendo reconhecidos e queridos pelos seus alunos.

Isso mostra, mais uma vez, o quanto é importante e sério o papel desse profissional. Tão sério que, por toda a vida, serve de referência pro seu aluno. Será lembrado como “ótimo professor”, “excelente professora” ou como alguém cujo perfil é exatamente o contrário do que ele quer para si mesmo, aquele de quem se tem “péssimas lembranças”.

2 comentários:

  1. tbm acho Donizete, muitas vezes falta envolvimento dos professores e tbm dos alunos, em querer envolver com algum assunto, ou melhor algo que os motive, os conteudos são jogados(vomitados é melhor) para que nos alunos tenhamos uma única visão de um especifico assunto e ficamos a mercer de que o que os "Profesores" dizem é a total verdade sobre qualquer assunto ou especificidade que ele supostamente tenha estudado ou pesquisado.

    Um amigo meu que fez Unesp, dizze qeu teve um professor dele que era tão pilantra qeu pega artigos de outros caras mudava o nome, inventava paginas em revistas cientificase tudo mais pra encher o curriculo, da pra acreditar? Um Doutor!

    é duro de acreditar!

    valeu

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  2. Anônimo02:01

    Pois é, meu caro!!!
    Há muita coisa pra mudar nesse nosso Brazilzão..........

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