13/03/2010

Ética e Conhecimento

Nos enganamos quando entendemos e praticamos uma educação para o conhecimento. Seria diferente se entendêssemos e praticássemos uma educação para a ética.

Estamos certos de que quanto mais sabemos isto e aquilo, mais estamos em condições de decidir sobre nossas vidas e sobre as vidas dos outros... Acreditamos nos ideais do Iluminismo, que garantia os saberes fundados na razão como absolutamente fundamentais para o crescimento do homem e das sociedades. Acalentamos a ideia de que quanto mais conhecimentos o homem detém, mais ele sabe discernir o que o leva e o que não o leva ao caminho da felicidade.

Tudo tem indicado, contudo – e a história confirma! –, que esse engano tem nos levado, isto sim, a tomar decisões cujos desdobramentos provocam os mais diversos tipos de dissabores, tristezas, dores... devidamente acompanhados das mais diferentes formas de violência.

Definitivamente, não temos conseguido ser felizes! Ou é possível ser feliz convivendo com a corrupção dentro de casa, na escola, na empresa, no trabalho, na rua, nos governos? Dá pra ser feliz sabendo do quanto nossas crianças são maltratadas pelos próprios pais e professores? Tem como ser feliz quando é preciso inventar leis para proteger os idosos? Podemos falar em felicidade se temos medo de andar na rua, de ser assaltado, violentado e morto, uma vez que o que vale mesmo é quanto dinheiro temos no bolso e no banco?...

Houve um tempo que a educação do homem era, antes, para a ética e, depois, para o conhecimento. Primeiro, formava-se a criança para o que é mais importante na vida: nascer, viver e morrer com dignidade – era isto o que efetivamente interessava e importava. Depois, ensinava-se os saberes necessários para a vida individual e coletiva.

Faz tempo que isso mudou. De tão ansiosos, carentes e satisfeitos com as novidades, nos esquecemos do nosso passado; quantos de nós ainda se dão ao trabalho de estudar nossa história?

É claro que nem todos os que formavam o que chamamos de povo grego se ocuparam com a ética. É claro que nascer, viver e morrer com dignidade não eram verbos conjugados com a existência da maioria daquelas pessoas. Mas uma coisa é certa: não foi por acaso que a civilização grega se tornou o grande paradigma do mundo ocidental; não foi por acaso o fato de que foram eles, uns poucos gregos, os criadores da maioria das coisas que admiramos, como a arte, a matemática, a arquitetura, a filosofia, a democracia...

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