07/06/2010

Copa do Mundo! Que canseira, não?

Chega a ser entediante toda essa falação sobre a copa do mundo de futebol. Rádio, tevê, jornal, revista... todos querem dar aquela informação que estava escondida no bolso de quem esteve em algum lugar que só ele sabia e que somente agora vem a público... Estatísticas, então, aparecem de tudo quanto é possível contar: de gols, evidentemente, mas também de quantas vezes a bola quicou na frente, atrás, do lado desse e daquele jogador; de quantos passos o árbitro se valeu para anotar uma infração; de erros de passes a quanto cada um deu de cusparada no chão...

Que coisa chata!

Levantam as mais incríveis histórias de não sei quem, comparam, condenam, elogiam. Falam do braço quebrado de um jogador, assim como falam da pinta que um outro sujeito tem lá onde (até hoje) não pode ser mostrado. Contam a história do rasgo da bola e como os cravos influenciam o chute certeiro ou errado do atacante. E por aí vai...

E o mais chato ainda é um repórter, jornalista, apresentador – sei lá como chamar essa gente! – inevitavelmente repetir o que o outro já disse. Esteja certo de que o você ler, ouvir ou ver numa mídia, você vai ler, ouvir e ver na outra, exatamente como diz Bourdieu em “sobre a televisão”: a imprensa escreve para a imprensa... As mesmas notícias neste canal (rádio, tevê, mídia impressa) estarão repetidas em todos os outros.

Que canseira, não?

Definitivamente, não estou nem um pouco preocupado se o time do Dunga vai ser campeão ou não. Sempre gostei e continuo gostando de futebol. Joguei muito antes de, numa partida, me estourarem o joelho – razão pela qual há muito não sei, na prática, o que é correr entre as quatro linhas em direção às traves do gol.

Era um outro tempo, claro! Não tinha cartola, não tinha jogos politiqueiros, não tinha grana, prêmio ou coisa que o valha. Eram apenas jogos, brincadeira séria em que ganhar ou perder era tão somente uma consequência óbvia do jogo...

Não, isto não é saudosismo. Nada a ver! É crítica mesmo a esse nosso tempo em que as únicas coisas que importam – tanto no futebol como na vida – são competir e ganhar. Só isto!!!

Jogar e brincar são coisas do passado. “Não estão de acordo com os novos tempos”, dizem os “comentaristas” do “esporte” atual. Tudo entre aspas mesmo, porque de minimamente sério e crítico essa gente, com raras exceções, não tem nada. Assim como os “professores” (não é assim que os jogadores chamam os “técnicos”?), são meros e pobres funcionários dos donos da grana, esta sim os grandes ganhadores dos “esportes” oficiais do nosso tempo.

Pra mostrar serviço que justifique seus salários (às vezes, altos salários, mas incomparavelmente menores aos lucros que geram os seus serviços), enchem o saco da gente com um monte de informação que, a rigor, não serve absolutamente para nada.

Se o torneio da copa do mundo, assim como os nossos campeonatos nacionais, fossem decididos no campo de futebol, eu não escreveria nada disso.

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