24/02/2011

Sobre fome e miséria

No vídeo abaixo, um médico todo empolgado fala dos avanços da saúde no mundo. Entre outras coisas, ele tem a pachorra de dizer que “assistimos a 200 anos de progresso notável”...
Fico pensando em que mundo esse “médico” (interessante notar que o termo médico quer dizer pensador...) vive, com quem ele conversa, que tipo de coisa lê (se é que lê alguma coisa) etc. Certamente é mais um arremedo (mais uma caricatura ridícula) de ideólogo dessa sociedade estúpida que insistimos em manter...
Veja o vídeo e depois leia dados oficiais sobre a miséria (e fome) no mundo e no Brasil:

Tomando como base uma população mundial de 6,8 bilhões de pessoas, são estes os dados:
  • 1,02 bilhão têm desnutrição crônica (FAO, 2009)
  • 2 bilhões não têm acesso a medicamentos (www.fic.nih.gov)
  • 884 milhões não têm acesso a água potável (OMS/UNICEF 2008)
  • 924 milhões de "sem teto" ou que vivem em moradias precárias (UN Habitat 2003)
  • 1,6 bilhão não tem eletricidade (UN Habitat, “Urban Energy”)
  • 2,5 bilhões não tem acesso a saneamento básico e esgotos (OMS/UNICEF 2008)
  • 774 milhões de adultos são analfabetos (www.uis.unesco.org)
  • 18 milhões de mortes por ano devido à pobreza, a maioria delas de crianças com menos de 5 anos (OMS)
  • 218 milhões de crianças, entre 5 e 17 anos, trabalham em condições de escravidão ou em tarefas perigosas ou humilhantes, como soldados, prostitutas, serventes na agricultura, na construção civil ou na indústria têxtil (OIT: A Eliminação do Trabalho Infantil: Um Objetivo a Nosso Alcance, 2006)
  • entre 1988 e 2002, os 25% mais pobres da população mundial reduziram sua participação na riqueza global de 1,16% para 0,92%, enquanto que os 10% mais ricos acrescentaram mais riquezas, passando de 64,7 para 71,1% da riqueza produzida mundialmente
  • os 6,4 % de aumento da riqueza dos mais ricos seriam suficientes para duplicar a renda de 70% da população da Terra
No Brasil (Pesquisa de Orçamentos Familiares (POF) 2008/2009)
  • 9,2% dos brasileiros “normalmente” não comem o suficiente
  • 26,3% “às vezes” passam fome
  • 64,5% “sempre” comem o suficiente
  • no Norte e Nordeste, cerca de 50% das famílias se referiram a insuficiência na quantidade de alimentos consumidos
  • no Sudeste, pouco acima de 29%
  • no Sul, próximo de 23%
  • no Centro-Oeste, 32%
  • 51,8% das famílias afirmaram que os alimentos consumidos nem sempre eram do tipo preferido
  • 65% declararam algum grau de insatisfação com o tipo de alimento que consomem

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