04/03/2011

Quando falta o apoio mútuo

Há sempre alguém que, pelas mais variadas razões, precisa do outro. Pelos mais diferentes motivos, aceitáveis ou não, há quem dele necessite até morrer. Veja as mães cujos filhos são portadores de grave deficiência física e/ou mental e/ou emocional: quantas delas, várias com idade avançada, não carregam no colo ou nas costas seus filhos adultos em busca de atendimento médico! Como são fortes essas mulheres! De onde tiram tanta energia? Como lutam pela vida dos filhos! Seriam, conforme certos darwinistas, os perdedores na competição pela vida? Seriam os indivíduos mais fracos da espécie?

Há pessoas que não precisam dos outros por tanto tempo. Mas necessitam – algumas vezes, necessitam bastante – por algum tempo. Não são dependentes de assistência, mas carecem de cuidado e atenção, ao menos durante um período. Caso não sejam atendidos, caso não encontrem a solidariedade, caso falte o apoio mútuo, aí, então, tudo fica muito difícil...

Restam, então, poucas saídas, dentre elas, a agressão, o sofrimento e a morte.

Utilizar-se de toda e qualquer forma de agressão ao outro é muito comum a quem se vê – e realmente se encontra – sozinho no mundo. Poderia ele dizer: por que não intimidar, roubar, machucar e até acabar com a vida do outro, já que ninguém liga pra mim? Ou então: por que respeitar quem quer que seja se absolutamente ninguém me respeita? É possível que não haja maior tristeza e solidão do que viver com a certeza de não ser aguardado e querido por alguém... de que tanto faz existir ou não... É possível também que sejam poucos os sentimentos humanos de alguém que é tratado como coisa qualquer.

Qual é o tamanho do sofrimento para quem o sentir-se humano é coisa rara ou até mesmo um sentimento inexistente? Quanto suporta o corpo e a mente de alguém que se vê como um ser que não é percebido? Sofrimento é o mesmo que miséria, penúria, padecimento; é o mesmo que dor. E nada pode ser pior que a dor dor física e/ou emocional provocada pelo total esquecimento. A dor paralisa e impede qualquer reação.

Morrer, então, é a última e única saída, é despedir-se de um lugar para o qual nunca foi bem recebido, é dizer adeus a quem jamais percebeu sua existência. Nessas condições, morrer é, sobretudo, ato de descanso para quem o tempo de viver não foi o tempo da convivência humana. Infelizmente!

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