23/04/2014

Lula na cabeça


É interessante o modo como certas pessoas se referem ao Lula – especialmente as que pertencem ao grupo que 'estudou' ou 'fez uma faculdade'. Quando abrem a boca – e fazem questão disso! – fica evidente que certamente não leram nada ou quase nada, não estudaram nada ou quase nada, não discutiram nada ou quase nada mas, ainda assim, querem dizer que 'sabem o que estão falando' porque 'estudaram'...

Ontem, na padaria, presenciei uma situação típica dessa gente. Um sujeito que se apresentou como sociólogo se enchia de saberes ao falar de política e economia: citou Estados Unidos, Rússia, Cuba, Ucrània, China e Brasil; explanou e comparou países bem de acordo como o que se ouve nos 'meios de comunicação social' e, claro, desceu o cacete na economia e política atual. Mais exatamente, em Lula e Dilma, que devem mexer muito com ele – em particular, o Lula, que possivelmente embaralha seus 'instintos mais primitivos'...

O que faz com que tipos como esse se incomodem tanto com a figura do Lula? O que causa tanta estranheza a essa gente?

Não me interessa fazer e/ou discutir política partidária – há muito não acredito nisso. Não quero e nem devo defender ou atacar o Lula – não tenho e nem quero procuração para tanto. Mas acho, no mínimo, interessante o modo como essa gente se refere a ele: ao mesmo tempo que falam de alguém que poderia ser um deles ali presente na mesa, o Lula é um sujeito que, movido pelas mais absurdas intenções, acabou com o Brasil.

O fato é que, questionado e sentido-se pressionado pela fala de um taxista, que não concordou com ele, o tal indivíduo assumiu a pior postura professoral possível: fazer perguntas 'difíceis' que, supostamente, o 'ignorante' taxista não saiba responder, tentando assim desqualificar sua fala e seu pensamento em meio às outras pessoas. O clima ficou mais tenso quando o taxista levantou-se do banco e frontalmente disse ao sociólogo que ele também ele não sabia nada, que tudo que ele sabia era fazer perguntas.

Ofendido, o homem das ciências sociais aumentou o volume da voz e baixou o nível vocabular, 'humilhando' ainda mais o taxista. Foi quando não resisti e, sem ser convidado, entrei na 'conversa'... e falei um monte. Foi quando também o 'entendedor de economia e política' botou pra fora o sentimento comum de boa parte das pessoas que não se conformam com o fato de Lula ter ocupado o lugar de presidente da república: vieram à tona os malditos preconceitos nojentos desse tipo de gente – prova cabal do quanto são ignorantes e boçais. Miséria total!

Adiantou alguma coisa eu ter entrado na conversa? Claro que não!

Em seguida, cada um pegou seu saquinho de pães, pagou a conta e foi embora, menos o sociólogo, já com sinais de embriagues, que ficou sozinho com seus copos de cachaça e cerveja... e o Lula na cabeça.

Nenhum comentário:

Postar um comentário