14/03/2015

Num bar e restaurante

No entorno do Teatro Municipal, num dos tantos pequenos bares que servem cachaça, suco, prato feito, salgados e um bocado de outras coisas, o balconista tenta acompanhar a reapresentação da novela Rei do Gado na tevê.

Num dos raros momentos em que ele consegue parar, já que o movimento é intenso o tempo todo, e depois trombar várias vezes com o colega no estreito espaço entre o balcão e a parede, ele fala, pra si mesmo e pra quem quiser ouvir, que a bela atriz em close é ou era a mulher de um político lá de Fortaleza. Um cliente, que tomava cerveja bem debaixo da tevê com volume altíssimo, resolve comentar a fala dele e diz que a mulher era e ainda continua muito bonita, linda mesmo.

O balconista, então, afirma com veemência que televisão é ilusão. Diz que aquela atriz não é tudo isso que aparece, que o rosto dela tem muita maquiagem, que a televisão engana a gente. E conta que, por ali, já viu muitos desses artistas e que eles não são como aparecem na tela da tevê. Até mesmo os jogadores de futebol: eles são muito mais baixos e menos fortes do que quando estão na tela; muitos deles parecem bonitos, mas são feios. A televisão aumenta tudo...

E assim, falando rápido e sem dar tempo do cliente dizer alguma coisa, ele afirma taxativamente: é por isso que eu não assisto mais televisão... não vejo novela, não vejo programa... não vejo futebol... não vejo nem filme. Isso tudo é ilusão. A única coisa que assisto é o jornal nacional.

O cliente, então, se apressa e fala: mas você não disse que a televisão aumenta tudo? O balconista levanta a sobrancelha e ameaça dizer alguma coisa, mas é interrompido por outro cliente que pede 'aquela cachaça'.[04/03/2015]

Nenhum comentário:

Postar um comentário