14/03/2015

“velhaco, trapaceiro, enganador”

Ontem, 21 de novembro, ficamos sabendo de mais um dos tantos crimes cometidos contra o povo do nosso país. Desta vez, um médico da cidade de Ananindeua, Grande Belém, Pará, exigindo pagamento por um serviço público. 

Como qualificar um sujeito que prestou concurso público, passou (?!), sabe quais são as condições de trabalho, recebe um salário, usa o espaço público para exercer sua profissão e se envolve em falcatruas como essa? Estará ele sozinho na “jogada”? Muito provavelmente, não.

É claro que não se pode generalizar. Não é verdade que todo servidor público se mete em situações como a do médico, acusado de estelionatário ou, como diz o Houaiss, de “velhaco, trapaceiro, enganador”, envolvido numa situação de “fraude praticada em contratos ou convenções, que induz alguém a uma falsa concepção de algo com o intuito de obter vantagem ilícita para si ou para outros”. Qualquer generalização é uma estupidez; costumo sempre dizer que “todo mundo é muita gente”.

Mas, cá entre nós, quantos servidores você conhece que agem com seriedade, compromisso e respeito ao público? Quantos realmente prestam um bom serviço à população que, simplesmente, lhes paga o salário? É evidente que estas exigências não são exclusivas do serviço público, mas de toda e qualquer atividade exercida por todo e qualquer cidadão.

Falcatruas como as do médico são recorrentes na maioria – senão em todas – das categorias profissionais, não importando se quem as comete atua no setor público, privado ou no chamado não-governamental. A história horrível desse médico, a história que o torna conhecido por todo o país, é a mesma história horrível de tanta gente que, por não re-pensar e por não re-ver o que faz com o que pensa, acaba por repetir a máxima: o que vale mesmo é “levar vantagem em tudo”.

Quando a corrupção aparece ou explode em um setor da organização – da família ao Estado, passando pela escola, empresa, hospital etc – não há dúvida de que o tecido das relações sociais está deteriorado, em estado de putrefação.

A corrupção não cai do céu; ela nasce das ações inescrupulosas de quem corrompe e de quem se deixa corromper. Não há corrupto; há corruptos. [23/11/06]


ET: Corrupto (Callichirus major, Stimpson, 1866) é um crustáceo decápode cavador, que pertence a família Callianassidae, apresenta indivíduos maiores atingindo aproximadamente 20 centímetros de comprimento, tendo o abdome com coloração amarelada. Possuem garras em forma de pinças sendo uma delas bem maior que a outra. Deve-se tomar cuidado com os espécimes de maior tamanho, já que sua garra pode causar pequenos ferimentos. São apelidados de Corruptos, pois são muitos, não "aparecem" e são difíceis de capturar. [http://pt.wikipedia.org/wiki/Corrupto]

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