31/07/2015

Pessoas não mudam

Se as pessoas inseridas num grupo não 'produzem'... Se essas pessoas, mesmo devidamente recompensadas e continuamente estimuladas, não atendem ao que delas se espera... Se além de recompensadas e estimuladas, são agraciadas com os mais diversos 'presentes'... Se eficiência e eficácia são termos que fazem parte do discurso mas, na prática, não significam nada para elas... é ilusão pensar que haja alguém capaz de fazê-las mudar.

Como assim?

Fomos convencidos de que basta selecionar pessoas [para uma seção, departamento ou turma] e esperar que elas entendam o que lhes cabe fazer e, mais ainda, que respondam positivamente às demandas solicitadas e/ou exigidas.

Acreditamos que basta querer e torcer e se cercar de todos os meios pra que elas cumpram o que foi lhes foi designado. Mais: supomos que, se forem ameaçadas e submetidas à condição de meras cumpridoras de suas funções, qualquer empreendimento alcança seus objetivos.

Há quem pensa e acredita que, como chefe ou líder de qualquer agrupamento de pessoas, é ele – graças à sua experiência, capacidade e habilidade – o responsável pelo eventual sucesso da empreitada. Há também quem cultiva a ideia acompanhada de prática largamente difundida de que as pessoas 'rendem' mais se forem animadas e motivadas. Ledo engano!

Ora, ora!

Pessoas são 'recursos humanos' e, assim como os recursos materiais, ora servem ora não servem, ora se adaptam ora não se adaptam, ora prestam ora não prestam aos propósitos de um ou outro empreendedor dessa ou daquela área. Pessoas são 'capital humano' para ser explorado no mercado, isto é, coisa pra ser usada e abusada e gerar lucro. Pessoas são peças de tabuleiro nas mãos de quem se imagina capaz de juntar e dispor cada uma delas como bem entende ou de acordo com modelos pré-moldados.

Apostar no chefe ou líder como figura maquiada de 'experiente e responsável' – essencialmente falso, portanto – é jogar um jogo perverso: é jogar as fichas num personagem quase sempre investido por um igualmente falso poder sustentado na máxima “manda quem pode e obedece quem tem juízo”.

Pessoas são personagens. Personagem representa. Faz o seu papel: sofre, ri, chora, é pobre ou rico, feio ou bonito, inteligente ou estúpido… Pessoas representam pessoas, portanto, estão longe de ser elas mesmas. Pessoas não são sinceras. Não mudam. Ou mudam para continuar sendo o que são: pessoas, personagens, caricaturas.

Se não 'produzem' o quanto delas se espera é porque elas sabem quem são e o que pretendem os que as contratam.

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