08/08/2015

Pessoas são 'recursos humanos'*

O sucesso de um empreendimento, sobretudo quando envolve muita gente, está diretamente relacionado ao modo como se estabelecem as relações entre as pessoas que nele trabalham.

Funciona assim: quanto mais máscaras, melhor; quanto mais 'artistas' no palco, mais suntuoso o espetáculo; quanto mais 'colaboradores' transformados em personagens, mais aplausos e reconhecimento público; quanto mais personagens  representando seus papéis – e somente os seus papéis –, mais 'redondo' o espetáculo.

Ou seja: quanto mais desumanas forem as relações entre as pessoas nos departamentos, seções ou turmas, mais profissional e/ou acadêmico será o empreendimento que, não por acaso, faz questão de publicar que conta somente com 'especialistas' [mestres e doutores] e/ou 'profissionais qualificados'.

A melhor representação dessa situação está nos organogramas. O que eles mostram senão cargos e como esses cargos devem se relacionar? E os nomes das pessoas que ocupam esses cargos, por que não aparecem? Ora, ora… isto é o que menos importa!  Qualquer um ou qualquer uma pode ocupá-los, não é?

  • [Aliás, a palavra organograma, que vem do grego 'organon' = instrumento, algo que funciona e 'ergon' = trabalho, significa algo que, em termos de trabalho ou ação humana, realmente dá certo.]
'Ação humana que realmente dá certo' – pronto! É somente isto que interessa a qualquer empreendimento unicamente ocupado com lucro e sucesso.
 

E as pessoas? São importantes – desde que se comportem como 'recursos humanos'. Ou melhor: pessoas são fundamentais desde que sejam vistas e tratadas do mesmo modo como são vistos tratados os recursos materiais, recursos financeiros, recursos tecnológicos...
 

Afinal, não é comum ouvirmos que a instituição e o empreendimento são maiores e mais importantes do que as pessoas que atuam neles?

[*] este texto integra a série 'Quem precisa de líder' 

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