11/12/2015

Como é possível?

Ou é ignorante – tão ignorante que não enxerga um palmo à frente do seu nariz – ou é quem lucra com o suor e a ignorância do cegueta disponível no mercado.

Afinal, como é possível que alguém 
  • aceite viver e fazer com que seus filhos vivam em condições miseráveis
  • consuma produtos envenenados e os ofereça justamente pra quem ele diz que ama
  • utilize transportes públicos mais que superlotados
  • busque postos de saúde que ou não atendem ou demoram meses pra atender
  • frequente escolas, em geral, geridas por gente que não vê a hora da aposentadoria 
  • procure, implore e aceite trabalhos inumanos e indignos
  • submeta-se a 'ganhar' salários que carimbam na sua cara a figura de babaca
  • esteja de acordo em 'fazer qualquer coisa' em troca de algum dinheiro 
  • disponha-se a participar de um jogo que já sabe que é de cartas marcadas 
  • consiga dormir, sabendo que vive do suor e da ignorância dos outros
  • … 

É possível! E não é de hoje que é possível. E também não é por acaso que seja assim.

Há tempos, é fundamental que o indivíduo não se perceba, não se descubra, não se desenvolva. Caraceterísticas como indivisibilidade, independência e autonomia não podem e não são mais aplicáveis ao termo indivíduo.

De fato, não são mais nem desejáveis e nem suportáveis. O que menos se espera é que cada um de nós sinta, pense e, sobretudo, aja de modo livre e comprometido com o outro. Tudo concorrre para que cada um de nós não seja humano, mas uma coisa manipulável.

O que querem e fazem a família, a escola, a igreja, a empresa, a mídia, o estado? Quantos de nós estão realmente ocupados consigo mesmos? Por que teríamos que nos perceber, nos descobrir e nos desenvolver?

Para que a 'sociedade' seja estruturada, ordenada e organizada, nada mais indicado que os 'acordos' sejam feitos somente entre pessoas. E pessoas são personalidades, isto é, seres que usam máscaras. E máscaras, como sabemos, servem para representar, fingir, imitar. A 'sociedade' é um palco cheio de 'atores' encenando histórias escritas e dirigidas por outros, quaisquer outros.

E assim, de ignorante a 'esperto', o que vemos? Gente que, de 'ator de verdade', não tem nada – não há generosidade alguma nos seus atos. Gente que não interpreta – apenas copia e remeda os outros. Gente, enfim, que torna real e concreto tudo o que, do ponto de vista humano, jamais seria possível – apequenar-se, submeter-se, tornar-se servil em nome do deus-cifrão.

O que estamos fazendo de nós mesmos nos tempos que correm?

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