13/01/2016

Admirável matador

Enorme, assustador, aterrorizante – mas também muito bonito, admirável, formoso e...solitário!

Cheio de si, sabedor de sua força e de seu poder, vivia no alto do morro e dele somente descia pra gerar insegurança, mal estar, desespero e morte.

De tanto medo, as pessoas não saiam de casa, não cultivavam a terra, não se encontravam. Por necessidade e desespero, os mais fortes até que tentavam desafiar o animal, mas seus esforços resultavam inúteis. Os mais fracos – sobretudo crianças, velhos e doentes – sequer tinham condições físicas para qualquer ação. Sem forças pra lutar e sem ter a quem reclamar, já que quem deveria ouví-los também não sabia o que fazer frente às cada vez mais insistentes investidas do terrível leão, a população de Neméia não tinha mais esperança de continuar existindo.

Foi quando, a mando do rei, Héracles ouviu que deveria se dirigir praquele lugar e enfrentar a fera. Ciente do perigo, da força e do poder do leão, e sabendo que a luta seria tensa e intensa, armou-se tanto quanto possível e seguiu seu caminho.

Andou e pensou muito em como encarar e lidar com aquela situação que, tudo indicava, não seria nada fácil. Confiante, corajoso e certo do que devia fazer, chegou ao pé do morro e, ao iniciar a subida, percebeu que seu corpo estava muito pesado, que aquela armadura, ao contrário do que tinha pensado, tornava ainda mais difícil a caminhada. Decidiu, então, se desvencilhar da armadura e contar somente com sua própria força e sua capacidade racional. Assim que alcançou o topo do morro, avistou o leão, que também notou sua presença e, de imediato, rugiu ameaçadoramente, mas foi surpreendido pelo incomum grito forte, alto e destemido da inesperada visita.

Assustado, o leão afastou-se e correu pra sua toca. Depois de muito procurar, e próximo de encontrá-lo, Héracles viu que ele saiu do esconderijo e entrou numa caverna. Héracles o seguiu e fez o mesmo. Para não ser capturado, saiu pela outra entrada e repetiu algumas vezes a mesma estratégia. Héracles, então, fechou com pedras a primeira e, em seguida, dentro da caverna, fechou a segunda, ficando somente ele e a fera no interior do lugar totalmente escuro.

Quanto tempo durou a luta, ninguém sabe. O que se sabe é que Héracles agarrou o leão pelo pescoço e o matou com suas próprias mãos. E que, após sair da caverna, desceu o morro com a cabeça do leão sobre a sua cabeça e somente a pele do animal tocando suas costas. Por fim, sabe-se que, depois de aplaudido e agradecido pela população, voltou para onde estava quando foi incumbido de salvar aquela gente do admirável matador.

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