31/03/2016

Golpista e Golpeiro

Se eu [assim como você] fosse herdeiro das riquezas na época do Brasil imperial – de 1922 ate 1889 e, depois, Brasil república até hoje – muito provavelmente seria golpista.

E com razão, afinal, estaria correndo o risco de perder tudo que herdei para um bando de pobretões desgraçados que, de acordo com o que aprendi, sobretudo da igreja católica, tem que se conformar com a vida que tem, já que esta é a vontade de Deus.

Se eu [assim como você] fosse herdeiro de bens materiais conseguidos graças às benesses concedidas pelas ditaduras que vingaram no Brasil – de 1937 a 1945 e de 1964 a 1985 –, muito provavelmente seria golpista.

E também com razão, afinal, estaria correndo risco e, ainda que muito pouco, perdendo frente às mal e parcas políticas sociais dos últimos tempos. Sim, porque pegar a riqueza nacional, isto é, o que é produzido por todos e distribuir umas migalhas a alguns dos milhões de brasileiros roubados durante séculos, definitivamente, é muito pouco.

Agora, se eu [assim como você] somos herdeiros do nada, isto é, nossos pais, avós e bisavós estão entre os que jamais foram proprietários de alguma terra; se eles não estão entre os que se beneficiaram dos negócios das ditaduras; se eles nunca ganharam nada com as inúmeras tramoias de muitos políticos que, mesmo ficando  com migalhas, legislaram e ainda legislam em favor de interesses que não são interesses do Brasil, então, não há melhor nome ou adjetivo para mim [assim como para você] do que golpeir@.

Ou, bem a propósito, zémané, mariajoana, tont@, 'inocente, puro e besta'...

Golpeir@ é, sobretudo, ignorante, sem noção. Não tem o menor respeito por si mesmo, não se dá ao trabalho de saber onde ele veio e nem de, minimamente, pesquisar a história do Brasil. Tudo o que faz é seguir as lições e reproduzir o comportamento do liberais do Império, os fundadores de um dos traços políticos mais perversos no Brasil.

Como afirma José Honório Rodrigues, em Conciliação e Reforma no Brasil, publicado em 1965, há mais de 50 anos atrás:
  • Os liberais no império, derrotados nas urnas e afastados do poder, foram se tornando além de indignados, intolerantes; construíram uma concepção conspiratória da história que considerava indispensável a intervenção do ódio, da intriga, da impiedade, do ressentimento, da intolerância, da intransigência, da indignação para o sucesso inesperado e imprevisto de suas forças minoritárias.

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