27/04/2016

Democracia brasileira

Estamos longe, mas muito longe mesmo, da ideia e das práticas de democracia. Da ideia, porque a maioria de nós ainda não resolveu pensar o conceito e investigar sua história. Das práticas, porque as experiências que vivenciamos têm se mostrado lamentáveis.

O máximo de democracia que temos é votar a cada dois anos. Obrigados a exercer o direito de votar, os eleitores, em geral, fazemos o nosso papel e voltamos pros nossos afazeres, pouco nos importando com as decisões que acabamos de tomar. Por sua vez, os eleitos, grande parte deles sem votos suficientes e, portanto, desconhecidos, são 'puxados' por candidatos 'populares'. Ora, sem reais compromissos assumidos, por que se interessariam pela população? E os eleitores, sem reconhecê-los, por que se importariam com eles? Há também uns e outros que ocupam espaços de poder há décadas. O que não é raro, inclusive, é avô, filho e neto terem o mesmo nome e sobrenome pra, digamos assim, 'lembrar' seus eleitores nas próximas eleições. Pois é! E ainda há quem diga que o coronelismo é coisa do passado!

Ora, ora, se são políticos profissionais, então democracia é o que menos lhes interessa. Não é?

Em sendo assim, ao que parece, não há como evitar que façam conchavos, acertos, negociatas etc. É possível que qualquer um, ocupando o lugar deles, também fizesse ou faça o mesmo. É possível também que haja quem não queira se agrupar, jure seriedade pra si mesmo e pros seus eleitores, mas o fato é que é muito difícil construir e sustentar discursos e práticas minimamente coerentes nesse cenário. Se adicionarmos o peso e a força dos partidos financiados por empresas ou por quem quer que seja, então, os ideiais de 'liberdade, igualdade e fraternidade', que bancam o ideário da democracia moderna, não têm a menor condição de um dia se tornar realidade.
 
Ou seja, tudo indica que o sistema representativo brasileiro foi implantado para funcionar assim mesmo: promover discursos democráticos e realizar práticas avessas à democracia.

Talvez isso mude quando decidirmos pensar o conceito, investigar sua história e, juntos, assumirmos nosso destino.

Caso contrário, nada se altera. A tendência, portanto, é que, no máximo, a democracia brasileira continue a ser o que é. 

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