23/06/2016

Lidar com a vida

De fato, estamos longe da vida boa, bela e justa, há milênios sonhada e fartamente apregoada no mundo ocidental.

De fato, não sabemos lidar nem com a vida em geral, nem com a vida dos outros - sobretudo os mais próximos e, em especial, os que dizemos que amamos -  e, menos ainda, com a nossa vida individual. 

Ora, se a pessoa não sabe e nem procura saber dela mesma; não se conhece e nem buscar se conhecer; não cuida de si, isto é, não se respeita [respeitar é prestar atenção] e não se ama [amar é gostar de estar perto]... então, como ela consegue saber, conhecer, respeitar e amar o outro?

Ora, se o outro não é visto e tratado como o 'outro que é', mas como complemento ou inferior ou superior ou competidor, portanto, como continuação, falta, menos ou mais do que a pessoa sente e pensa de si mesma... então, como ela e o 'outro dela' vão lidar com o social, a economia, o político?

Ora, se elementos como sociedade, economia e política são importantes para a vida coletiva mas, como se vê, resultam de relações tão ruins entre pessoas que se veem e se tratam como inimigos... então, é claro que este tipo de convivência social que mantemos não faz bem a ninguém.

Tudo indica que a vida – pra ser boa, bela e justa – exige que você e eu aprendamos a lidar com ela não com sonhos e discursos, mas com intensidade e alegria – o que, de fato, só se consegue quando deixamos de ser pessoas [personagens] e optamos por ser indivíduos [seres únicos e indivisíveis], ou seja, exatamente o contrário do que interessa a este tipo de convivência social que insistimos em manter.

Nenhum comentário:

Postar um comentário