14/04/2017

Vamos conversar?

Bastam alguns minutos de ‘conversa’ pra perceber o quanto cada um de nós pensa diferente do outro. 

Nem melhor, nem pior. Nem bom, nem ruim. Nem certo, nem errado. Nem mais, nem menos. Mas diferente.

Cada um vê o mundo a partir de um ponto de vista. E o ponto que permite a vista de cada um é único. Não tem como ser igual ou parecido com qualquer outro. Nem mais amplo, nem mais diminuto. Nem mais profundo, nem mais superficial. Nem mais, nem menos. Apenas um ponto que permite uma vista.

O ponto de vista do indivíduo é único porque tem a ver com a história de cada um. E o que define o seu ponto de vista é o que cada um fez e faz com o que ouviu e viu no decorrer da vida. É através dele que o indivíduo vê o mundo. Somente ele sabe o que sente em relação ao que aconteceu e acontece à sua volta. 

A não ser o indivíduo, ninguém é capaz de medir e pesar o sentido de cada palavra. Por conta disso, ele não pode e não consegue falar por ninguém. Do mesmo modo, ninguém pode e consegue falar por ele. A visão de mundo do indivíduo, portanto, é única.

Ou seja, qualquer conversa, pelo menos num primeiro momento, é praticamente impossível. Tanto é assim que, o mais comum, em especial entre pessoas que se acreditam próximas, é recorrer ao velho chavão: “assim não dá… é impossível falar com você”. Os muitos e inevitáveis choques dos pontos de vista simplesmente inviabilizam o que poderia vir a ser uma conversa.

Vale dizer

Para que seja possível uma conversa, é preciso que o indivíduo admita a existência do outro, isto é, perceba que, além de si mesmo, outros indivíduos ocupam o mesmo tempo e espaço que ele. Mas é preciso também que reconheça o outro, isto é, perceba que, assim como ele, o outro só consegue ver o mundo do jeito dele.

  • Conversar vem do latim conversare = junto com + voltar-se para. É o mesmo que virar ou voltar-se para o outro. É estar com alguém e prestar atenção no que ele diz.

Tudo indica que se você e eu não aprendermos, individualmente, a conjugar os verbos admitir e reconhecer, o que seria uma ação essencialmente prazerosa – conversar – pode se tornar em algo que só nos faz entristecer e... ficar solitários.

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